segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012.

Vem chegando o fim.
O fim.
O fim de muitas amarguras, agonia e melancolia; um tempo de raiva crescente e problemas constantes. Tempo de fins não justificando meios. Meios sem fins apropriados. Começos sem continuação. E quando tudo parecia estar no limite, surpreendia-me vendo tudo ficar pior.
O ano da construção de estruturas.
O ano do congelamento da alma.
O ano escuro e mal escrito.
O pior ano de minha vida.
O ano que acaba hoje.


Uma leve tontura, alguns devaneios e um pouco de saudade.
Poucos sorrisos, muitos rompimentos, mas um cubo [3] proporcional de amizade.
Um tempo corrupto, sujo, cego e sem piedade.
Um tempo que só serviu pra alimentar o que é maldade.
Está chegando o fim do ciclo da amargura. Pelo menos parte dele.
Nostalgia do pouco que foi feliz, alívio pelo grande peso da agonia que escorre pelo ralo.
Só mais um número num calendário.
Só mais sede de mudança.
E o tempo lava com chuva todo o cinza e o pranto acumulado de 2012, o ano das crenças cegas e da fé maldita. Não, não poderia ser diferente. A chuva veio mesmo pra lavar, e o vento vem trazendo o que já existia desde antes: esperança.


E é com muito gosto, esperança (talvez por um ano diferente) e cansaço que digo: Adeus.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Helter Skelter não é uma âncora.
Adivinhe o que sou?
Helter Skelter, por favor.

Fate.

Viver depressa, morrer lentamente.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Grab.

- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.
No que os céus não deixaram de ser escuros e no que a dor que lancinava-me o peito não lançou mão de existir, percebi que não havia sido atendido, e que talvez nada existisse lá em cima para atender-me. Meu estado permanente de caos interior - sendo o caos, então, meu substantivo favorito - era intrínseco, como a dor que sempre sentiria. Que sempre senti.
Pelos céus, e a saudade! A saudade infinita também de coisas que nem mesmo havia vivido. Então desejei morrer, o desejei todos os malditos dias de minha vida. De minha assumindo o papel de câncer. Hóspede de um corpo que, não fosse a alma que o habita - eu - bem teria chances de ser luz.
- Piedade! - insisti.
E entendi que talvez existisse algo maior, e talvez houvesse um mestre dos fantoches. E ele caçoava de mim. Talvez haja um significado maior e divino nesse maldito teatro de fantoches chamado vida: dar a uns o prazer e a outros a agonia para o bel-prazer de uma entidade maior que a tudo contempla com olhos zombeteiros. Ora, não há o herói e o vilão em todo romance? Sim, entendi que tudo existe, e tudo pisa-me a alma, e talvez nem todos os vilões sejam responsáveis pela tragédia.
Oh, agonia, ligada a mim como o sangue é ligado à carne, malditos os dias em que ainda respiro.
- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Câncer.

Talvez haja algo de tedioso em ser feliz. Não sei, não sou. Mas experimentar o tédio de ter todos os dias perfeitos numa vida monótona e colorida não me agrada; não que agrade ser o monotom, não que se encontrar num buraco escuro dia após dia seja uma sensação agradável, mas como um vírus, somos adaptáveis. Eu sou um vírus. Sou um câncer. E como um câncer, eu consumo. E não tenho cura.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Coisas boas acontecem a pessoas boas. (mas?) Nada bom me aconteceu até agora.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

That Joke Isn't Funny Anymore

Estacione o carro ao lado da estrada
Você deveria saber
A maré do tempo vai te sufocar
E eu vou também

Quando você ri de pessoas
Que se sentem tão sozinhas
Que o seu único desejo é morrer
Bem, eu receio
Que isso não me faça sorrir
Eu gostaria de poder rir

Mas esta piada não tem mais graça
É muito familiar
E é muito doloroso
É muito familiar
E é muito doloroso
Mais do que você jamais vai saber

(Chute-os quando eles caírem
Chute-os quando eles caírem
Por que você deve
Chute-os quando eles caírem
Chute-os quando eles caírem)

Estava escuro quando eu dirigia para casa
E em bancos frios de couro
Bem, de repente eu percebi:
Talvez eu possa morrer
Com um sorriso no meu rosto no final das contas

Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
E agora está acontecendo na minha.

The Smiths

domingo, 28 de outubro de 2012

Toda a vida de dor de um homem.

Vida triste, vida seca, vida imprópria, vida pura, pura vida.
Vida longa, vida curta, vida morta, vida vã, desmerecida.
Vida quente, vida fria, vida moderna, vida velha, vida incompleta.
Vida fraca, vida doentia, vida falha, vida inútil, vida sem rima.

Tudo é vida, vida é nada. Vida queima. Vida suga. Vida dá
mas vida tira. Vida é nada além de toda a dor que se sente.
Vida é dona, vida é escrava. Vida esvanece. Vida muda. Vida má
me tem na mira. Vida é a devoradora lenta de uma alma inconsequente.

Não quero permanecer nessa vida vazia e quieta.
Prefiro ser levado depressa, o quanto antes,
a passar-me pela dor de um homem sem meta.

A vida te usa, te rasga, brinca com a tua sorte,
e no final te oferece vivo numa bandeja de prata,
amarrado e sem escolha, à morte.
Não é estranho ser só um pedaço de algo que nunca deu certo?
Nem completo eu sou.

sábado, 27 de outubro de 2012

Versos Íntimos.


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

Quadrilha.

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes,
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ego.

Olhe para o espelho e mire a única pessoa que jamais irá decepcioná-lo, e nunca o quererá mal.
Apenas nela confie, apenas nela deposite forças, apenas por ela morra. Teus segredos são dela também.
Ame-a, que ela te amará também. Dê tudo a ela, e ela retribuirá. Sem essa de fé cega e falsas sensações
de amizade. Amigos conte nos dedos, confie mas não tudo. Dá tua vida por 2 ou 3, quem sabe.
Mas tudo que não vem do espelho são incertezas, verdades duvidosas.
Mas quando vem do espelho, é certo. É fato. É tu por ti.

sábado, 20 de outubro de 2012

Helter Skelter. [âncora]

VI - Penumbra.

IV - Grito esganiçado, vazio, total ausência de cores e sons. A voz que se perde no infinito. Gritar pra dentro. Falta de esperança, escuro, dor. Fingimento. Vômito. Correr pra um cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, engolir o próprio vômito. Correr pra rua, respirar, mirar o céu infinito da noite e se sentir em casa. Fuga. Desistir.

II - Não tão longe. Acordo quando sinto sono. Acordo quando durmo, e vivo de verdade. É quando acordado que as coisas fogem do controle. Assistindo as estrelas desaparecerem e o céu mudar de cor, aí sinto sono. Sentindo o ar frio, algumas nuvens ou nenhuma nuvem. A boca amarga e ressecada, um telhado vazio, aí sinto sono. Acordado, não tenho mais pra onde fugir.

V - A única saída. Fraco, patético, sem rumo e sofrendo de ânsias. Vomitar sobre o rosto falso de cada um deles. O infinito é igual a zero. Dois, talvez três, tem um como resposta. Números por toda a parte. Números que impedem um sorriso de aflorar com sinceridade. Total ausência de cores e sons.

III - Acordado me convidam para lugares. Sei que se sair daqui terei de ver pessoas, dizer coisas, fazer coisas, sentir coisas. Pra onde correr? Pra onde correr?

I - Não sou nada, não sou ninguém, não sou feliz nem procuro fazer o bem. Se isso fosse rimado propositalmente eu teria algum brilho, mas tudo o que faço é por engano. É tudo um grande engano. Não uso estruturas, não as conheço tão bem. Só fujo, e nessa fuga, nunca encontro nada. E fujo pra longe.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Pneumotórax.

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
- O senhor tem uma escavação no pulmão
             [esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira

Psicologia de um vencido.

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do Zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ich habe alles verloren.

Perco rimas, não perco o ódio. Perco o brilho, me torno fosco. Sou a penumbra. Sou a nuvem. Sou a melancolia. Sou a infinita dor, o riso finito, o riso breve e mal-intencionado. Sou o brio. Perco pessoas, não perco a chance de celebrar comigo mesmo o réquiem. Perco o sono, esse já nem faz falta. Perco estruturas. Sou um aeroporto sem telhado. Sou um museu sem paredes. Sem funcionários. Um aeroporto fechado, só consumido pela pressão da despedida. Um museu que acumula artigos. Ninguém que cuide deles. Sou as pegadas da areia, cobertas pelo mar. Perco os limites, perco a noção. Perco-me dentro de minha própria imensidão. Perco-me, perco o coração. Tudo que era belo se transformou em solidão. Perco tudo. Sou nada. Sou vazio, e isso me convém. Nada tenho. Nada perco. Nada é tudo. Tudo é pra sempre.

domingo, 30 de setembro de 2012

Fato que merece relato.

Foi um filtro cultural o que me ocorreu.
Eu ouvia Simon & Garfunkel e estudava o bloco de Língua Portuguesa no meu refúgio, meu quarto, meus livros, meus cheiros. Aqui eu estava salvo, aqui eu era livre, aqui era tudo belo e tudo meu. Meu pequeno castelo de grandezas inestimáveis. Quando ouço a voz de minha mãe me chamar no outro quarto, o seu quarto. Quando o adentro me sinto deslocado; ela assiste a um dos famosos programas do famoso domingo da televisão brasileira. Um verme subcultural cantando funk - gostaria de nunca ter usado essa palavra em nenhum de meus textos, mas vamos lá -, seu boné, suas roupas, suas correntes, as mulheres das quais precisa ao seu redor para se auto-afirmar como homem. E cantava - não que aquilo seja considerado música -, e ria; minha mãe entretida com aquilo, assistindo àquele programa que nada mais era que um mecanismo de sucção de conteúdo e conversão à total falta do mesmo. Então eu me viro, atravesso a sala de estar e, no momento em que cruzo a porta de meu quarto e a fecho atrás de mim, no momento em que ouço novamente Simon & Garfunkel - a verdadeira música! A melodia! O conteúdo! -, no momento em que vejo meus livros sobre a estante e o bloco de Língua Portuguesa estendido sobre a cama, no momento em que vejo que aquilo tudo sou eu, eu sorrio, eu suspiro, eu agradeço.

Sturm (Melodia em Si menor).

Como se eu pudesse salvá-la, eu tento. Mergulho e volto trazendo-a pelos braços, conduzindo-a, fazendo-me de bote e carregando-a nas minhas costas. Como se eu pudesse salvá-la, sigo a nado em mar aberto buscando fuga, sugando todo o ar que posso e me esquivando das criaturas marinhas que mostram suas presas, seus tamanhos descomunais, e tentam me arrastar para o fundo. Para o ponto mais fundo. E volto, ela nas costas, recobrando a consciência. Estou trêmulo, os dedos enrugados, já há mais de um ano em mar aberto. Tento gritar: "homem ao mar, homem ao mar!" Mas toda a Terra se cala diante de mim, como em Habacuque, a diferença é que não sou o Senhor, e não estou em Seu Santo Templo. Sou só mais um nadando pra salvar-se e para salvar um corpo e uma alma sem salvação. Não acredito num Senhor nem num Santo Templo nem num silêncio respeitoso que se faz. Acredito em mim, nos meus dedos enrugados, na minha falta de ar e no quase-cadáver que trago às costas. Não sei da fé que tenho de salvá-la, mas aos poucos ela escorrega. Sou só mais um homem ao mar, rodeado de feras marinhas, de um vasto oceano infindável e de um sonho inatingível de salvação, de terra firme. Se soltá-la, posso nadar até a costa. Então me pergunto por que estou lutando para salvar uma alma morta. A solto e nado. Se ela afunda ou não, não posso mergulhar para saber. Não quero mergulhar para saber. Homem ao mar! Homem ao mar! Merda, eu mergulho. O mundo não sabe, mas eu sempre morri de medo do mar.

Misantropia.

Eu invado o ambiente odoroso, fétido do transporte público, dos semblantes comumente repulsivos, e percebo o quanto os odeio. Eu olho para os rostos dos outros passageiros com ligeira vontade de vomitar. Suas mentes vazias, sua falta de perspectiva, sua facilidade de aceitação, seu comodismo. Então me escondo entre eles e procuro fugir dessa realidade através da música, como um isolante social em meus ouvidos, fecho os olhos, e fujo. Mal posso ouvir suas asneiras alheias, mas ainda posso sentir seu cheiro. E como os odeio. Até aquelas de belos rostos e belas curvas; sei que elas têm ânus e intestinos e fezes e mau-hálito, e quando abrem a boca arrotam suas futilidades costumeiras. - Sinto o desespero, sinto vontade de fugir, de me esconder de tudo e de todos e de lá ficar, com meus cheiros e livros e vozes e músicas -. Eles se esfregam, se arrastam, transmitem sua podridão sobre minhas roupas. Parece que suas palavras fétidas tomam forma física e sujam meu corpo. Respiro aquele ar de gente. O ar que eles soltam. Desejo que o ônibus bata e eu seja o único sobrevivente. Quero correr, quero sair, mas amanhã tem mais, e depois de amanhã também, e depois também. Locomovo-me pelo corredor interno rumo à saída, aqueles olhares me penetrando, eu fugindo de todas as formas possíveis. Saio e respiro o ar (não tão) puro da rua. Sobrevivi. Invado o ar mais puro que posso encontrar - o de minha própria casa - e me encerro sob o chuveiro, como se limpasse todas as bactérias de ignorância que se hospedaram nessa longa viagem. Eles nem sabem, mas os mato todos os dias em pensamento.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Imagine eu, aos 18, falando de infinitude.
Isso tá errado. Certo seria ignorar-me a mim mesmo.

sábado, 22 de setembro de 2012

Gostaria de ter todos os amigos por perto, todas as alegrias de volta, toda a felicidade que nunca tive. Gostaria de ter eterno inverno, intervalos de chuva de gelo, um carro, um belo sorriso, melhores chances. Gostaria de poder sorrir, sorrir, sorrir. Gostaria de me mostrar menos desesperado, amargurado, desorientado e consumido. Mais inverno. A chance de ser feliz.
Não sou. Não sou. Não sou.
Merda.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Melpômene (melodia em Fa).

Não há sentido em manter o passado exposto como se fosse algo válido.
A folha seca torna-se miúdos na mão que a aperta. Sem afagos. Sem delongas. Sem beleza. Só seca e morre.

Essa história chegou ao fim.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ignorância é uma bênção.

Eu digo que o mundo está escuro, mas não seria eu a estar de olhos fechados?
Eu digo que as pessoas estão distantes, mas não estaria eu, na verdade, me escondendo?
Eu digo que o tempo anda quente demais, mas não estaria eu, na verdade, abafado dentro de minha própria fortaleza de desgostos?
Ou está mesmo escuro, distante e desagradavelmente quente? Pois quando tento andar à luz do dia me defronto com figuras comuns ao resto do mundo, mas estranhamente repulsivas para mim. Vomitando e escarrando suas futilidades costumeiras, seu vocabulário pobre, seus absurdos diários. E eu as corrijo mentalmente, e eu esboço minha opinião - a verdadeira - mentalmente, cuspo sobre seus rostos desfigurados pela incompetência e dou-lhes as costas. Quando, por fora, sorrio e finjo concordar. Só pra poder me afastar o mais depressa possível. Só para poder voltar à minha zona de conforto, onde, longe de todas, posso selecionar as poucas almas que desfrutam de alguma semelhança com a minha. Onde estou distante o suficiente para atirar com um rifle imaginário em cada vivente que cruza meu campo de visão ostentando sua falta de conteúdo, pois sim, a ignorância é também a aparência física.
E na verdade, felizes são os fúteis.


Sorria e acene.
Quero que alguém concorde que tudo isso tem se tornado vazio demais.
Assim posso desfrutar, acompanhado, da solidão.

Não seria isso uma contradição?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Der Trauma.

Não suporto mais a juventude e sua forma hipócrita, cínica de sutileza. Sempre vomitando sua própria falta de conteúdo buscando a aceitação própria e de uma sociedade tão fútil quanto pobre. Falta de valorização, falta de amor-próprio. E aqueles que vivem buscando pessoas cheias acabam se perdendo dentro da própria solidão, pois como dizem: "o problema em estar um passo à frente, é que caminharemos sozinhos". Não há lugar para gente como eu. Sinto-me preso numa rede de mentiras, sutilezas, sujeira, algo inerte, sob uma camada densa de melodrama barato, melancolia incurável e solidão que de tanto, ecoa. Eles não saem do lugar. Não evoluem. Todos iguais. Todos presos e condenados.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu venho de um lugar onde amantes continuavam amantes.

Houve um tempo em que até as dores faziam sentido; sentíamos prazer através de nossas próprias dúvidas e discussões, e aquilo era amor. As tardes vinham e iam cinzas, e eu achava aquilo o máximo. Tardes de chuva, noites de frio, manhãs cinzentas, e eu pensava em ti. Eu pensava na neve que nunca viria. Pensava em como chegar contigo até a neve.
Houve um tempo em que tudo fazia sentido e havia sentido pensar em tudo. Ouvir o ruído da porta abrindo, imaginar tua presença invadindo meu espaço, visualizar teu semblante se aproximando na penumbra, sentir teu corpo coladinho com o meu. Acordar com pena dos vizinhos que acordamos.
Tudo tão subjetivo. Sempre fui/fomos tão subjetivo/s.
Houve um tempo em que ser infeliz trazia felicidade, mas só nós dois poderíamos explicar essa sensação.

Então chegou o hoje, e o hoje não foi mais embora.
É hoje até hoje, e não choveu mais.

domingo, 15 de julho de 2012

E oscilo com selvageria.

Esta foi a curta história do rapaz que creu numa vida harmoniosa em companhia da cônjuge. Do rapaz que pôde perceber à tempo que isso era uma longa e injusta ilusão, e independente das condições em que se encontrava - beleza, fealdade, pureza, impureza, ser cheio ou vazio -, isso não mudaria. Não havia companheira, e ninguém satisfaria aquela sua sede insaciável de amor que não poderia ser encontrado.

Eu tenho falado muitas coisas que não têm sentido numa realidade vazia.
Coisas de momento.
Os transtornos passam. Mas não sei mais ser tão só.
Essa é a história de minha vida.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Die Währung.


Eu vejo toda a beleza e pureza de cada gesto de amor partido dela que me enterneciam - e enternecem - o coração. Sinto a ingenuidade daquele seu lado límpido e cheio de amor que sei que só eu sabia despertar. E é por esse lado cheio de beleza amor e ternura que meu coração sangra de saudade, alimenta lembranças e ainda faz planos.
Então lembro do lado da alma escura e corrupta que tanto repudio, e que engole toda a beleza da outra face da moeda. Um lado sujo, despreocupado e sem futuro. Um lado pelo qual tenho absoluta aversão.
E todo o meu amor, e planos, e saudade e memórias se escorrem como de uma ferida aberta.

Vejo-a suja e aversiva em meio a rostos e gestos bárbaros que aprendi a odiar, e que seu lado belo - que só ousa mostrar em minha presença - jamais se sujeitaria a envolver-se.
E me pergunto, nessas oras, onde é que sua beleza se esconde senão no retrato de mim que tem guardado dentro do peito? Pois o medo fraco de amar a tornara numa casca vazia da fruta pútrida, que não atrai mais nada além de mais solidão e ausência de amor. Ela é um produto da própria falta de ousadia.
Mas da ousadia bela.
Que ousasse amar, que ousasse prolongar, que ousasse sentir, que ousasse intensificar, que ousasse prometer!
Mas só ousa errar. Só ousa ter medo.
Sinto pena da alma que deixa partir o único semelhante que, em verdade, lhe daria tudo.
E lhe sobra a solidão, que julga torná-la forte mas só a esvazia. Sua chama não se apaga, mas a alma está tão fria.

E o amor continua ali, preso e intocado num frasco lacrado que só poderia ser aberto por duas almas que ousassem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Der Tod.


Tentei tanto e tantas vezes acreditar na beleza das coisas. Tentei com meus amargurados olhos escuros observar a ternura invisível que se espreitava por entre mentiras. Tentei viver a ilusão da felicidade com o que sobrava de tenro em meu rijo coração. Nada. As flores nasciam murchas, o solo não era mais fértil, o tempo era sempre cinza e as frutas despencavam corruptas, apodrecidas, do topo das árvores secas. Nada era belo. Nada era luz. Nada era quente e acolhedor e puro e cativante aos olhos. Era tudo uma vil caricatura daquilo que outrora fora um sonho e nada mais que um sonho. E como fosse natural, meus olhos que já haviam perdido há muito o brilho, esqueceram-se da graça da luz. Não encontraram olhos iguais para gostos iguais, nem silêncio que casasse com o seu.
            E aos poucos toda aquela ilusão de terna vida foi sendo esquecida, calada, enterrada e perdida no tempo. Nada mais que um sonho. Nada mais que uma ilusão. Nada mais que mais nada.

domingo, 20 de maio de 2012

[2]

Deixai que venham a mim todas as belezas deste mundo.
Mas as belezas reais; as coisas nobres, puras, as coisas cheias, as coisas iluminadas, as coisas que brilham, as coisas escassas nesta geração, que as tem engolido por coisas fúteis, por ostentação por mostrar uma ousadia que não lhes é natural. De exibições patéticas de um estilo de vida sem nobreza alguma. Que consome. Que não prova nada. Que não adiciona nada.
Deixai que venham a mim as belezas de verdade.
Que meu coração nobre se enche da luz que merece.
Do brilho.

'- Tu brilha.'

"Das Unmögliche"

Das Unmögliche.


Queria que soubesses, doce pérola dos olhos verdes, que se a repeli, se a afastei, se a detive de mim, foi para poupar-te da própria sombra impregnada já no fundo de minha alma, que poderia ou ser contagiosa, ou manifestada dolorosamente de alguma forma que poderia causar em ti, doce figura, qualquer coisa de desconfortável.
Eu pertenço à sombra devido aos fatos que me permearam desde o berço até então, isso não há dúvida, e a sombra casada com a luz que vem de ti poderia causar algo de pesado sobre a existência das coisas; como dois corpos celestes fora do próprio curso natural, invadindo um o espaço do outro, sob riscos.
Eu sabia que tua luz, forte como é, poderia muito bem iluminar-te a ti mesma. Que não te faltaria nada, sem mim, e comigo, só lhe haveria mais pesar.
As coisas sombrias que lhe disse, minha presença fria, minhas dores patéticas... tu eras muito mais que isso.

Só quero que saibas do erro que foi tê-la repelido, no mais profundo pesar de meu espírito, mas se o fiz, foi por ti e não por mim, Ach, mein lieber fräulein.
Gostaria de encontrá-la em mim, n'outro dia, n'outro lugar, n'outra oportunidade, mas com os mesmos fins: a felicidade mútua, o romance raro, o renascimento de uma luz que um dia talvez eu tenha possuído.

Gostarias de dizer-te que és a coisa mais bela que já vi na curta vida que tive.
Que tua luz enche-me os olhos. Que teu sorriso ilumina um quarto e um coração. Que essa coisa que chamam de ingenuidade, mas que eu conheço por brilho, encanta o mais nobre dos homens.
Que teus olhos líquidos e verdes nunca se apaguem dessa luz.
Que teu sorriso, capaz de iluminar um quarto inteiro, jamais perca o brilho.
Sei que não perderá.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Partícula.

[...] Eu pertenço à sombra, isso não há dúvida, e a sombra casada com a luz que vem de ti poderia causar algo de pesado sobre a existência das coisas; como dois corpos celestes fora do próprio curso natural, invadindo um o espaço do outro, sob riscos. Gostaria de encontrá-la em mim, n'outro dia, n'outro lugar, n'outra oportunidade, mas com os mesmos fins: a felicidade mútua, o romance raro, o renascimento de uma luz que um dia talvez eu tenha possuído.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Au revoir.

Pessoas me ensinaram a não confiar em pessoas. Pessoas me ensinaram que pessoas levam tudo pro lado pessoal. Pessoas me ensinaram que no mundo só há maldade. Pessoas me ensinaram que há pessoas piores que outras. Pessoas me ensinaram que alguém como eu não consegue conviver em harmonia com pessoas por muito tempo. [misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia misantropia] Pessoas me ensinaram que também posso ser um cara legal em sociedade [filantropia {?} filantropia]. Pessoas me ensinaram que todos machucam todos, e a minoria tem certo caráter de admitir, ou se preocupar, ou se desculpar. Pessoas me ensinaram a duvidar do amor. E honestamente, tenho duvidado.
Pessoas me ensinaram a não confiar em pessoas.
Pessoas me ensinaram a não confiar em pessoas.
Pessoas me ensinaram a não confiar em pessoas... [xInfinito]

Quase todas.
Há alguém que...

quarta-feira, 25 de abril de 2012


“Ele olha pra todas as criaturas e para todas as coisas com uma profunda simpatia, mas com uma simpatia que nem sempre se transforma em gestos ou palavras. Às vezes tem um vontade inenarrável de sorrir para toda a gente que o cerca, de revelar toda a sua cordialidade e toda a sua compreensão numa frase, num sorriso, num ato… Mas o espírito de análise intervém, destruidor, disseca todas as idéias e mata o gesto… Fica ecoandono no ar a pergunta que os lábios não fizeram mas que a mente não cansa de fomular: pra quê? E depois, mais forte que tudo, a sua timidez…
E assim ele passa pela vida em silêncio, de olhos baixos, sem olhar nem sorrir pra ninguém.”

Érico Veríssimo - Clarissa.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Dizem que quando o amor acaba, o que sobra dele é a falta que ele faz.

Dia após dia, um a repetição do outro, um tão amargo quanto o outro, e se me perguntam o porquê dessa dor sem rosto, não sei dizer exatamente. Me falta alguma coisa. Me faltam sorrisos. Me faltam razões. Me faltam motivos. Me faltam noites de sono e risadas e vírgulas e sentidos e todo aquele resto de besteira que as pessoas julgam necessário pra viver feliz de verdade.
"Reciprocidade" e "felicidade" são palavras que me dão medo.
É que a gente tem medo do que não conhece.
E caras como eu não morrem nunca.
Esse é o maior problema, quando percebo que não tenho medo de morrer, mas tenho medo de viver. De acordar no outro dia e ver o dia se repetir.
Pelo menos tá frio hoje.

O acidente.

Eu gastei meu tempo, gastei minha força, gastei meu dinheiro, gastei meu ar. Droga, gastei meu ar. Gastei meus cigarros, gastei minha fé, gastei minha saliva, gastei meu inverno. Droga, meu inverno! Gastei esperança, gastei esforços, gastei noites, gastei memórias, gastei espaços em branco preenchendo com cinza, gastei felicidade, droga, essa eu nunca tive.
Gastei até o que eu não tinha.
Querendo ter.
E eu piso no freio... mas o carro não pára.
Nunca pára.

"La vita".

segunda-feira, 26 de março de 2012

"Lá pode ter um novo amor pra eu viver, quem sabe uma nova
dor pra eu sentir, a droga certa pra fazer te esquecer, e apagar
a tua marca de mim. Tudo pode estar lá, e eu aqui."

Lá - Visconde

[sem nome]

- Como vais?
- Bem, e tu?
- Na medida do possível, hehe.
- Por quê?
- Tu sabes... a vida.
- Tu tem dito muito isso ultimamente.
- É. Define bem tudo.
- Acho que sim.

(silêncio)

- Não. Eu menti.
- Sobre o quê?
- Sobre estar bem.
- É ela?
- Sim.
- Só ela?
- Tudo.
- Tudo o quê?
- A vida.

Sobre a dor.

Não é daquelas dores fortes; não sempre, mas é constante. Às vezes é forte, e te domina e te laça e te deixa sem reação diante das outras coisas. Tu fica sem ar, perde teu sono. Perde a vontade de fazer qualquer coisa e não consegue pensar em nada que te possa ser útil.
E às vezes - e geralmente - é fraquinha, daquelas que, fazendo qualquer outra coisa, tu consegue esquecer, disfarçar, fingir que nem existe. Mas ela tá ali, e de tempo em tempo te cutuca, te espeta como uma agulha, vai cavando bem devagar orifícios na tua alma, na tua carne, no teu coração. Ela é bem pior do que a forte, porque a forte vem e te tira tudo na hora, te dá na cara e te mostra que tá ali. Quando acaba demora pra voltar. Mas a fraca... ela vai aos pouquinhos, sempre, tirando de tudo um pouco.
Dói o tempo inteiro, mesmo com disfarce, mesmo com distração, mesmo com uma peneira pra tapar o sol. Ele ainda queima. Aí tu aprende a anestesiar.
Acha que vai parar de doer, mas aí tu para de sentir tudo. E parar de sentir tudo dói também. Dói de outro jeito, com outras fronteiras e outras formas de expressar essa dor nova; e tu percebe que tá aprendendo coisas novas sobre a dor. E a dor é tua maior fonte de aprendizado.
E ela nunca pára.
Nunca pára.
E tudo te lembra de lembrar dela. Da dor.
E ela nunca pára.
Tu te vê cheio de buracos, hematomas, cicatrizes, e o corpo todo dormente por uma anestesia geral de sensações. E dói ainda, mesmo assim, cada espaço perfurado, agredido, cicatrizado e anestesiado. A diferença é que agora não há ostentação, e tu não sente mais nada direto. E vê que tudo esfriou.
E ela nunca pára... nunca pára... nunca...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Rosa Mística.

Num temor permanente passou a olhar para o ventre, a apalpá-lo, para ver se ele já começava a crescer. E, quando Pedro voltou, uma noite ela saiu da cama sem ruído - o ar estava frio, o capim úmido do sereno, o céu muito alto -, foi até a barraca do índio, contou-lhe que ia ter um filho e ficou ofegante à espera de uma resposta. Houve um curto silêncio, ao cabo do qual Pedro murmurou:
- Mui lindo.
De repente Ana desatou a chorar. Estavam ambos sentados no chão lado a lado. Pedro enlaçou-a com os braços, estreitou-a contra si e as lágrimas da rapariga rolaram-lhe mornas pelo peito. Ana sentia as carnes elásticas e quentes do homem, e o bater regular de seu coração. Chorou livremente por algum tempo. Pedro nada dizia, limitou-se a acariciar-lhe os cabelos. E, quando ela parou de chorar, pôs-lhe a mão espalmada sobre o ventre e sussurrou:
- Rosa mística.

[...]

- Pedro, vamos embora daqui!
Ele ficou em silêncio. Um quero-quero guinchou, e sua voz metálica espraiou-se na noite quieta.
- Vamos, Pedro!
Pedro sacudiu a cabeça.
- Demasiado tarde.
Ana não entendeu bem o sentido daquelas palavras, mas, como o índio sacudisse a cabeça, ela viu que ele dizia não, que não.
- Mas por quê? Por quê? Se meu pai e meus irmãos descobrem, eles nos matam. Vamos embora.
- Demasiado tarde.
- Que é que vamos fazer então?
- Demasiado tarde. Voy morrer.
- Pedro!
- Eu vi... vi quando dois hombres enterraram mi cuerpo cerca dum árbol. Demasiado tarde.
- Como?
- Dois hombres. - murmurava Pedro - Mi cuerpo morto... cerca dum árbol.
- Um sonho?
- No. Eu vi.
- Mas como?
- Demasiado tarde.
Ana agarrou os ombros do índio e sacudiu-o.
- Então foge sozinho.
- Demasiado tarde.
- Foge, Pedro. Foge. Não é tarde, não. Depois nos encontramos... em qualquer lugar.
Parou, sem fôlego. Pedro sorriu e murmurou:
- Rosa mística.

[...]

Um dia, olhando o bordado branco que a espuma do sabão fazia na água, tinha a sensação de que Pedro nunca havia existido, e que tudo o que acontecera não passara dum pesadelo. Mas nesse mesmo instante o filho começou a mexer-se em suas entranhas e ela começou a brincar com uma idéia que dali por diante lhe daria a coragem necessária para enfrentar os momentos duros que estavam para vir: Ela trazia Pedro dentro de si. Pedro ia nascer de novo e portanto tudo estava bem e o mundo no fim de contas não era tão mal.

"Rosa Mística".

O Tempo e o Vento [parte 1] - O Continente vol. 1 - capítulo 4 - Ana Terra.
Da obra imortal de Érico Veríssimo.

És caudilho maragato, sem armas nem munição, peleando valentemente na defesa deste chão!"


O guri nasceu nos arredores de Ilha Bela, em São Paulo.
Bem longe, pra vir a pé. Lá não é frio nem é belo. Não do
jeito que ele gosta. Lá é praia, é quente, é azul e amarelo
com coqueiros e vento abafado. Era "menino" quando
nasceu. Veio a ser "guri" não muito tempo depois. Viajou
e ainda nem sabia falar. O pai era paulista, também. O pai
nasceu e se criou lá, no interior. A mãe era gaúcha,
o irmão mais velho também.
O guri aprendeu a andar, falar e viver no sul. No sul
é frio e é belo. No sul tem estâncias, vento frio, vento
minuano que só tem no sul. No sul é verde, azul, branco.
Do jeito que ele gosta.
O guri virou rapaz. Maragato, como se diz. Aprendeu
a amar sua pátria. Milongas, churrasco, mate amargo,
o frio que mais ama. O frio que é o que mais ama.
Que foi aqui que tudo nela fez com que o corpo dele
se congelasse. Que foi aqui que a voz dela paralisou
a alma dele. Que foi aqui que o jeito frio - frio, como
ele ama que seja - dela fez seu coração parar. Ele
a amou logo em seguida.
Nasceu lá, respirou a primeira vez lá, caminhou por lá,
com o pai de lá e a família vivendo lá, mas veio pra cá.
Aprendeu a viver aqui. Cresceu aqui. Se apaixonou por aqui.
E conheceu ela aqui. De tão longe, nos lugares quentes,
veio pra se apaixonar aqui, num dos pontos mais frios do país.
Caxias do Sul é frio. E é onde ela mora.

sábado, 10 de março de 2012

Mr. Confusion MADE a move.


Aprenda a anestesiar tudo.
Os fatos, as possibilidades, as dores e até mesmo as alegrias.
Aprenda a anestesiar as coisas mais sérias.
Aprenda a não criar expectativas. Aprenda a superar
desapontamentos. Aprenda a deixar que as coisas cooperem,
se elas quiserem, e a não dar a mínima se não quiserem.
Aprenda a guardar memórias inesquecíveis num cantinho
da lembrança que você não consiga alcançar - quando esquecer
se torna tão difícil assim - e não sofra.
Não sofra por ninguém.
Por nada.
Seja você por você.
Sempre foi você por você.
E quando você perceber que a única pessoa que sempre
vai fazer tudo por você e nunca vai lhe desejar mal algum
é você mesmo, vai entender tudo.
Seja seu centro.
Depois de doer tanto, a gente aprende.
Aprenda.

sexta-feira, 9 de março de 2012

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Last Time I Saw "Dave"

"Perder" não é a palavra certa.
Não perdi ninguém; mas o fato de as visitas
se tornarem menos frequentes, de não ouvir
aquela gargalhada aguda e irritante e rir junto
das mesmas bobagens todo dia, de sentar na
frente de casa tomando cerveja ou pepsi, de
fumar Lucky Strike no telhado conversando sobre
qualquer coisa até o sol nascer... Ah... isso vai
fazer falta.
Não perdi a pessoa, perdi a frequência, e é engraçado
até imaginar meus dias de forma diferente. É, que
drama patético, eu sei, mas mesmo assim, me dói
um pouco.

I: - Hoje é teu último dia aqui, né?
D: - Acho que sim cara. Não sei se vou estar por aqui
no domingo, acho que vou embora muito cedo.
I: - Então... como se diz... acho que não é 'adeus' né?
D: - Não.
I: - Até a próxima, cara.
Abraçou-o como abraçaria o irmão que nunca teve.
Só o filho da mesma mãe e mesmo pai, que nunca chamou
de irmão, não pelo afeto. Abraçou seu verdadeiro irmão de
pais diferentes, e sentiu um pesar.
D: - Até a próxima.
I: - Sabe que eu te amo né cara?
D: - Sei sim. Também te amo cara.
I: - Te cuida por lá. Vê se não arranja muita briga.
D: - Vou tentar, vou tentar.
I: - E vê se não morre também.
Ele riu, e assentiu com a cabeça.
E foi.
Foi, e não faz nem uma hora. Parece muito mais.
Parece que já fazem anos.
Foi.
Vê se não morre.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"There Is A Light That Never Goes Out"

Não é possível encontrar a personificação da perfeição
na tua vida, cara. Não dessa forma. Ela não precisa de
tudo aquilo pra ser tão perfeita; basta te encantar como
ela te encanta. Basta ter aquele sorriso sincero e cheio
de luz que te deixa sem palavras, e aquele jeito puro,
virtuoso e feliz que te assusta por tu ser tão amargo, mas
te ilumina, de alguma forma.
E você se acha estranho e vulnerável por ser tão cheio
de sombra, e mais estranho por ter medo de tanta
alegria, de tanta felicidade que ela trouxe.
Era como se tu vivesse num lugar escuro, sem brilho
ou luz alguma, onde não se enxerga nada. Teus olhos
já estão acostumados. Teu corpo já está acostumado.
Até o céu sabe o quão miserável e escuro tu és. Aí ela
chega abrindo portas e janelas e acendendo luzes, e aquela
luz branca. Ela é tão cheia de luz que tu fica momentaneamente
cego, desorientado, confuso, apavorado. Mas é só por agora,
porque aqueles olhinhos te ganharão todo dia, e aquela
luz que te apavora também te ganhará. Vocês vão saber lidar.
E a personificação da perfeição não é aquela que vai cantar
Smiths até tu pegar no sono, mas aquela que virá enchendo
de luz cada lacuna da tua alma. Que terá tanto em comum
com o que ainda existe de luz na tua alma. Que terá tanto em
comum contigo. E tu ri só de lembrar.
Lembrar que será salvo.
Porque ela existe.
Ela existe. Em algum lugar.

"Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me"

Ela vai gostar das mesmas canções que você. Ela vai assistir
aos mesmos filmes que você assiste, e ter aquele corte de
cabelo que você acha apaixonante. Ela vai ter os olhos tão
vazios quanto os seus, e pra um cara como você, isso será
mais apaixonante ainda. Ela vai cantar "Please Please Please
Let me Get What I Want" com uma voz da qual você nunca
mais vai esquecer, e cantar as músicas em italiano que você
pensou que ninguém mais gostasse. Ela gosta de contos de
horror e de filmes do Tim Burton. Gosta da cultura Indie e
é apaixonada pelo seu corte de cabelo. Ela sabe tocar piano
e diz que pode ensiná-lo. Ela não sabe tocar violão, e pede
pra você ensiná-la. Ela sente ciúmes de você, e sempre sorri
quando você olha pra ela com aquela cara idiota, como se ela
não existisse.
E ela não existe.
Você acorda.
Ela não existe.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Descobre-se finalmente que paz é simplesmente
um lugar dentro da própria mente.
Quando se pode pensar, aí sim estamos em paz.
Descobre-se que cada segundo perdido de um ano
inteiro por algo que não lhe adicionaria nada é a
guerra interior, a desgraça interna, toda uma fé
desperdiçada por algo sem valor algum. Por um
pedaço de mal aproveitamento.
Aí você descobre que lutou, esperneou e deu o
melhor de si, deu seu próximo sangue e a água de
seu corpo, por algo totalmente sem fundamento,
por algo sem valores princípios respeito próprio
amor próprio decência ou vergonha. Algo vazio
para coisas boas, mas cheio de lixo. Aí você acha
que tudo foi em vão, e então... você conheceu
alguém através de tanto lixo, e foi a única coisa
pela qual o lixo foi útil. E aí você sorriu, porque apesar
de tudo, você não perdeu. Porque você nunca perde.
E o lixo vai se perder entre os próprios escombros,
e você não pode e nem quer fazer mais nada por ele.
Há algo mais belo, limpo e com valores pelo que
lutar agora.

Bom dia mundo.