domingo, 30 de setembro de 2012
Misantropia.
Eu invado o ambiente odoroso, fétido do transporte público, dos semblantes comumente repulsivos, e percebo o quanto os odeio. Eu olho para os rostos dos outros passageiros com ligeira vontade de vomitar. Suas mentes vazias, sua falta de perspectiva, sua facilidade de aceitação, seu comodismo. Então me escondo entre eles e procuro fugir dessa realidade através da música, como um isolante social em meus ouvidos, fecho os olhos, e fujo. Mal posso ouvir suas asneiras alheias, mas ainda posso sentir seu cheiro. E como os odeio. Até aquelas de belos rostos e belas curvas; sei que elas têm ânus e intestinos e fezes e mau-hálito, e quando abrem a boca arrotam suas futilidades costumeiras. - Sinto o desespero, sinto vontade de fugir, de me esconder de tudo e de todos e de lá ficar, com meus cheiros e livros e vozes e músicas -. Eles se esfregam, se arrastam, transmitem sua podridão sobre minhas roupas. Parece que suas palavras fétidas tomam forma física e sujam meu corpo. Respiro aquele ar de gente. O ar que eles soltam. Desejo que o ônibus bata e eu seja o único sobrevivente. Quero correr, quero sair, mas amanhã tem mais, e depois de amanhã também, e depois também. Locomovo-me pelo corredor interno rumo à saída, aqueles olhares me penetrando, eu fugindo de todas as formas possíveis. Saio e respiro o ar (não tão) puro da rua. Sobrevivi. Invado o ar mais puro que posso encontrar - o de minha própria casa - e me encerro sob o chuveiro, como se limpasse todas as bactérias de ignorância que se hospedaram nessa longa viagem. Eles nem sabem, mas os mato todos os dias em pensamento.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário