Eu digo que o mundo está escuro, mas não seria eu a estar de olhos fechados?
Eu digo que as pessoas estão distantes, mas não estaria eu, na verdade, me escondendo?
Eu digo que o tempo anda quente demais, mas não estaria eu, na verdade, abafado dentro de minha própria fortaleza de desgostos?
Ou está mesmo escuro, distante e desagradavelmente quente? Pois quando tento andar à luz do dia me defronto com figuras comuns ao resto do mundo, mas estranhamente repulsivas para mim. Vomitando e escarrando suas futilidades costumeiras, seu vocabulário pobre, seus absurdos diários. E eu as corrijo mentalmente, e eu esboço minha opinião - a verdadeira - mentalmente, cuspo sobre seus rostos desfigurados pela incompetência e dou-lhes as costas. Quando, por fora, sorrio e finjo concordar. Só pra poder me afastar o mais depressa possível. Só para poder voltar à minha zona de conforto, onde, longe de todas, posso selecionar as poucas almas que desfrutam de alguma semelhança com a minha. Onde estou distante o suficiente para atirar com um rifle imaginário em cada vivente que cruza meu campo de visão ostentando sua falta de conteúdo, pois sim, a ignorância é também a aparência física.
E na verdade, felizes são os fúteis.
Sorria e acene.
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