segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu venho de um lugar onde amantes continuavam amantes.

Houve um tempo em que até as dores faziam sentido; sentíamos prazer através de nossas próprias dúvidas e discussões, e aquilo era amor. As tardes vinham e iam cinzas, e eu achava aquilo o máximo. Tardes de chuva, noites de frio, manhãs cinzentas, e eu pensava em ti. Eu pensava na neve que nunca viria. Pensava em como chegar contigo até a neve.
Houve um tempo em que tudo fazia sentido e havia sentido pensar em tudo. Ouvir o ruído da porta abrindo, imaginar tua presença invadindo meu espaço, visualizar teu semblante se aproximando na penumbra, sentir teu corpo coladinho com o meu. Acordar com pena dos vizinhos que acordamos.
Tudo tão subjetivo. Sempre fui/fomos tão subjetivo/s.
Houve um tempo em que ser infeliz trazia felicidade, mas só nós dois poderíamos explicar essa sensação.

Então chegou o hoje, e o hoje não foi mais embora.
É hoje até hoje, e não choveu mais.

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