quarta-feira, 6 de junho de 2012

Der Tod.


Tentei tanto e tantas vezes acreditar na beleza das coisas. Tentei com meus amargurados olhos escuros observar a ternura invisível que se espreitava por entre mentiras. Tentei viver a ilusão da felicidade com o que sobrava de tenro em meu rijo coração. Nada. As flores nasciam murchas, o solo não era mais fértil, o tempo era sempre cinza e as frutas despencavam corruptas, apodrecidas, do topo das árvores secas. Nada era belo. Nada era luz. Nada era quente e acolhedor e puro e cativante aos olhos. Era tudo uma vil caricatura daquilo que outrora fora um sonho e nada mais que um sonho. E como fosse natural, meus olhos que já haviam perdido há muito o brilho, esqueceram-se da graça da luz. Não encontraram olhos iguais para gostos iguais, nem silêncio que casasse com o seu.
            E aos poucos toda aquela ilusão de terna vida foi sendo esquecida, calada, enterrada e perdida no tempo. Nada mais que um sonho. Nada mais que uma ilusão. Nada mais que mais nada.

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