- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.
No que os céus não deixaram de ser escuros e no que a dor que lancinava-me o peito não lançou mão de existir, percebi que não havia sido atendido, e que talvez nada existisse lá em cima para atender-me. Meu estado permanente de caos interior - sendo o caos, então, meu substantivo favorito - era intrínseco, como a dor que sempre sentiria. Que sempre senti.
Pelos céus, e a saudade! A saudade infinita também de coisas que nem mesmo havia vivido. Então desejei morrer, o desejei todos os malditos dias de minha vida. De minha assumindo o papel de câncer. Hóspede de um corpo que, não fosse a alma que o habita - eu - bem teria chances de ser luz.
- Piedade! - insisti.
E entendi que talvez existisse algo maior, e talvez houvesse um mestre dos fantoches. E ele caçoava de mim. Talvez haja um significado maior e divino nesse maldito teatro de fantoches chamado vida: dar a uns o prazer e a outros a agonia para o bel-prazer de uma entidade maior que a tudo contempla com olhos zombeteiros. Ora, não há o herói e o vilão em todo romance? Sim, entendi que tudo existe, e tudo pisa-me a alma, e talvez nem todos os vilões sejam responsáveis pela tragédia.
Oh, agonia, ligada a mim como o sangue é ligado à carne, malditos os dias em que ainda respiro.
- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.
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