"Perder" não é a palavra certa.
Não perdi ninguém; mas o fato de as visitas
se tornarem menos frequentes, de não ouvir
aquela gargalhada aguda e irritante e rir junto
das mesmas bobagens todo dia, de sentar na
frente de casa tomando cerveja ou pepsi, de
fumar Lucky Strike no telhado conversando sobre
qualquer coisa até o sol nascer... Ah... isso vai
fazer falta.
Não perdi a pessoa, perdi a frequência, e é engraçado
até imaginar meus dias de forma diferente. É, que
drama patético, eu sei, mas mesmo assim, me dói
um pouco.
I: - Hoje é teu último dia aqui, né?
D: - Acho que sim cara. Não sei se vou estar por aqui
no domingo, acho que vou embora muito cedo.
I: - Então... como se diz... acho que não é 'adeus' né?
D: - Não.
I: - Até a próxima, cara.
Abraçou-o como abraçaria o irmão que nunca teve.
Só o filho da mesma mãe e mesmo pai, que nunca chamou
de irmão, não pelo afeto. Abraçou seu verdadeiro irmão de
pais diferentes, e sentiu um pesar.
D: - Até a próxima.
I: - Sabe que eu te amo né cara?
D: - Sei sim. Também te amo cara.
I: - Te cuida por lá. Vê se não arranja muita briga.
D: - Vou tentar, vou tentar.
I: - E vê se não morre também.
Ele riu, e assentiu com a cabeça.
E foi.
Foi, e não faz nem uma hora. Parece muito mais.
Parece que já fazem anos.
Foi.
Vê se não morre.
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