VI - Penumbra.
IV - Grito esganiçado, vazio, total ausência de cores e sons. A voz que se perde no infinito. Gritar pra dentro. Falta de esperança, escuro, dor. Fingimento. Vômito. Correr pra um cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, engolir o próprio vômito. Correr pra rua, respirar, mirar o céu infinito da noite e se sentir em casa. Fuga. Desistir.
II - Não tão longe. Acordo quando sinto sono. Acordo quando durmo, e vivo de verdade. É quando acordado que as coisas fogem do controle. Assistindo as estrelas desaparecerem e o céu mudar de cor, aí sinto sono. Sentindo o ar frio, algumas nuvens ou nenhuma nuvem. A boca amarga e ressecada, um telhado vazio, aí sinto sono. Acordado, não tenho mais pra onde fugir.
V - A única saída. Fraco, patético, sem rumo e sofrendo de ânsias. Vomitar sobre o rosto falso de cada um deles. O infinito é igual a zero. Dois, talvez três, tem um como resposta. Números por toda a parte. Números que impedem um sorriso de aflorar com sinceridade. Total ausência de cores e sons.
III - Acordado me convidam para lugares. Sei que se sair daqui terei de ver pessoas, dizer coisas, fazer coisas, sentir coisas. Pra onde correr? Pra onde correr?
I - Não sou nada, não sou ninguém, não sou feliz nem procuro fazer o bem. Se isso fosse rimado propositalmente eu teria algum brilho, mas tudo o que faço é por engano. É tudo um grande engano. Não uso estruturas, não as conheço tão bem. Só fujo, e nessa fuga, nunca encontro nada. E fujo pra longe.
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