sábado, 26 de dezembro de 2015

La Haine (1995).

É a história de um homem que cai de um prédio de 50 andares.
O cara, durante a queda, repete sem parar, para se reconfortar:
"Até aqui, está tudo bem. Até aqui está tudo bem. Até aqui está tudo bem."

Mas o importante não é a queda. É a aterrissagem.

"Le Monde est à nous".
Assim, de longe, ainda sinto o teu cheiro.
Até aqui, está tudo bem. ♥

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Chronos.

Como todos os heróis que eu quis ser.
Como todos os vilões em que me transformei.
Como os anti-heróis em que me desenvolvi.
Como a própria loucura que desafiei.
Como o sanatório em que fui moldado.
Como a sala acolchoada na qual venci meus medos.
Com os medos que ainda não venci.
Como o fidalgo de La Mancha, como o Cavaleiro Negro de Gotham,
como o escravo de Tatooine que virou aprendiz de Obi-Wan; como o
aprendiz de Obi-Wan que virou aprendiz de Palpatine; como todas as
páginas ou rolos de filme ou ondas sonoras que me moldam dia após
dia.
Nas verdades que tive de ocultar.
Nas máscaras que usei.
No rosto que revelei.
Na dor da redenção.
No presente estado de graças.

Dia após dia.

Ano após ano.

Quem eu sou.
Quem eu sou?
O Ano da Morte está chegando.

O 6 é o retorno d'A Era Dourada.

Eu sou a Morte!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Hoje, apenas a imagem de um presente:


Feliz semana de Natal. ♥

Sobre as flores.

A primavera viera oficialmente a mim, com flores e folhas, com temperatura amena e o suave sussurro das árvores. Em cachos louros como o trigo que esvoaçavam pelo sopro do beijo fresco do vento; a primavera viera suavizada pelo macio pálido e elástico da pele, pelos dentes alvos e pelo riso sincero. E enquadrada pela janela de vidro, a paisagem bucólica de campos verdejantes, carvalhos e belos animais a pastar iluminavam ainda mais tudo o que eu tentava expressar.
E no meio de tudo isso, não ilustrando a primavera mas sendo o retrato mais honesto de uma estação; não um complemento à primavera mas a temporada em si, no formato doce de um sorriso vívido, iluminado pelos raios do sol a encher o ambiente de uma luz resplandecente, ela era a personificação de todas as flores e folhas e árvores e vento e alegria que só a estação do florescimento poderia trazer e que eu tanto tentava retratar.

Mais que aquele sorriso, apenas uma sinfonia era capaz de receber a pintura de uma estação como ela de fato merecia:


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Golden.

Ela é, basicamente, a personificação de algo que ainda não sou capaz de compreender. Algo entre o sim e a dúvida, o medo antes do salto, a pergunta desnecessário cuja resposta já é conhecida. E o "quase-âmbar" tem algo de doce que me lembra de casa. Algo de "homesick" e "what separates me from you", e enquanto a ampulheta mede meu tempo e a areia me afoga como no retrato, ela é capaz de me dizer como fazer o tempo parar. E ele para, num milagre ainda indiscernível, toda vez que ela sorri.

E vou desvendando e desbravando esses girassóis de júbilo, descobrindo lugares em mim nunca explorados, e encontrando lugar pra mim dentro dela, no brado ou no sussurro, enquanto a água verte em diversas cores, através da corrente, rumo ao futuro.

Prazer, Temperança: Eu sou a Morte.

(Expecto Patronum!)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Ex-Virgo.

Amor é quando a gente perdoa. E se perdoa. E se reinventa, e é capaz de dizer "eu sei, eu sou, eu fui, eu serei e eu não serei". É quando a gente pode decidir o que é ou o que não é, e pode sorrir de verdade sem ter vergonha de não pertencer às trevas. As trevas não me pertencem mais. E o que há delas dentro de mim não vão se calar: serão parte do que me faz forte, mas para o bem.

Amor é quando a cidade ganha cor, quando as estrelas ganham voz.
Quando o terraço é nosso lar, quando o bosque é nosso refúgio.
Amor é viver os sonhos e transformar bons sonhos em vida.

"Faze o que tu queres, será o todo da Lei.
Amor é a lei, amor sob vontade."
(A.C.)

domingo, 29 de novembro de 2015

"O primeiro me chegou como quem vem do florista: trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista. Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha, me mostrou o seu relógio; me chamava de rainha. Me encontrou tão desarmada, que tocou meu coração, mas não me negava nada, e, assustada, eu disse "não".

O segundo me chegou como quem chega do bar: trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar. Indagou o meu passado e cheirou minha comida, vasculhou minha gaveta; me chamava de perdida. Me encontrou tão desarmada, que arranhou meu coração, mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse "não".

O terceiro me chegou como quem chega do nada: ele não me trouxe nada, também nada perguntou. Mal sei como ele se chama, mas entendo o que ele quer! Se deitou na minha cama e me chama de mulher. Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não, se instalou feito um posseiro dentro do meu coração."

(Chico Buarque)

sábado, 7 de novembro de 2015

"Acorde, garoto!"

Percebe-se a própria intolerância. O próprio ódio e auto-destruição. Auto-destruição que leva à destruição lenta e gradual de alguém que se ama muito. Alguém que não deveria dividir o teu fardo.
Torna-se perceptível, após o baque, as condições e enganos que o levaram a tantos erros, as pessoas envolvidas no mau desenvolvimento de características vitalíssimas para um duo saudável. Não, eu ainda tinha muito a aprender, e de certa forma, somos todos cobaias um do outro nesse universo confuso de um Deus insano. Mas pelos deuses, éramos tão jovens... tão desmunidos de experiência e discernimento...

Ao menos cair da cama desperta do sono.
Só queria a chance de pedir perdão.

Este não-ode dedico ao Caos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Ode às Borboletas

És a síntese da esperança, o outono-inverno, o inverno-primavera, o mel e o âmbar; és os cachos de sol, louros a escorrer pela pele alva, e o vento fresco a beijar-me os lábios e o corpo. Um retrato falado de caminhos não trilhados, de segredos a desvendar e verdades que residem em ti.

Eros na carne e na pele. Philos no riso e no seguir. Quase Ágape, se me permitir chegar mais perto. Morfeu em peso, quando consigo fechar os olhos.

És a Torre, a Morte, a Roda da Fortuna. A bem-aventurança e, novamente, a esperança rica e una. Das vezes em que me perdi e perdi quase todo o ar, tive por certo um recomeço de ti que me fizesse ficar.

Dos dias dos últimos meses, és a manhã mais clara e doce.

Disseram-me pra ter esperanças de dias bons.

Não choveu hoje.



(Expecto Patronum).



"Olá".

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Spleen noturno.

O Romantismo está no intocável, no impenetrável. No chegar ao castelo, no conquistar o castelo, no entrar nos salões do castelo pela primeira vez. Possuí-lo mais que isso é ter sob domínio um empilhado insignificante de pedras e pessoas insossas para administrá-lo. É o trilhar o caminho, é mirar o horizonte; jamais chegar lá.
O Romantismo está no observar à distância e amar em silêncio; está em ver-se possuído pelo desejo e nunca possuir, de fato, o almejado objeto. É o platônico e inalcançado. O Romantismo está na utopia, é as montanhas, as nuvens e todo o abismo. É o Não-Ter. É o Querer-Mais. É o Não-Querer-Mais. O Romantismo está no adeus. Nos primeiros encontros. No escuro. No tomar posse.

Depois da posse, o parnasiano cuida do enjoo.
E se vomita.


"Adeus".

4:47 (Hutter).

- Gosto de olhar as tuas fotos e imaginar as histórias por detrás delas. São provavelmente muito menos interessantes do que eu consigo imaginar que são.

- E se forem muito mais interessantes do que você jamais será capaz de imaginar?

- Perspectiva.

- Então qual é a sua? Consegue imaginar boas histórias?

- Não tenho perspectiva pra isso.

- Por quê?

- Eu nunca fui feliz.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

"Advogados,

médicos,

bombeiros,

eles é que ficavam com a grana toda.

Escritores?
Escritores morriam de fome.
Escritores se suicidavam.
Escritores enlouqueciam."

(C. Bukowski)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Fugata.

Tentei sair. Tentei enfrentar o mundo além do quarto, os olhares e propostas. As fugas e mentiras. Quase acreditei que gostava daquilo e cheguei a me convencer de que a liberdade estava do lado de fora. Músicas que eu odiava ouvir e conversas que eu forçava a funcionar. Pessoas mentindo pra pessoas que eram pessoas que diziam a verdade. Situações sem sequência e sequelas sintomáticas. Cobras sibilando, sussurrando suas bobagens. Tentei sair e fingir que era legal, mas Morrissey já falou sobre tentar sair antes, já havia me avisado como terminaria. E eu só encontro conforto e refúgio aqui: as quatro paredes, o monitor, o cheiro de sempre e as deliciosas canções. Uma caneca de qualquer coisa doce ou suave - não vou mentir que saboreio bebidas fortes na solidão de meu quarto - e imagens bonitas de admirar; livros que digam as verdades que quero ou que preciso ou que mereço ler. Todo um mundo de artificialidades muito mais real do que o que eu encontrei lá fora.

Pro inferno com o poliamor.
Pro inferno com a bigamia.
Pro inferno com a depravação.
Pro inferno com o instinto.

Os sabores de corpos me davam ânsia de vômito. O cheiro alheio me fazia querer voltar pra cá. É aqui onde pertenço e de onde jamais devia ter saído. E palavra por palavra me convenço de que, mesmo sem saber quem sou ou pra onde devo ir, sem jamais me sentir natural e autêntico em lugar algum, eu só serei capaz de descobrir aqui, sozinho comigo mesmo, ouvindo a Chet Baker ou Pink Floyd, propagandeando minha falsa cultura e praticando minha automasturbação intelectual. Só aqui posso ter alguma certeza ou as dúvidas certas. Ao menos comigo devo ser honesto. Mas longe dos olhares. Pelo menos hoje.

Amanhã, quem sabe?
Amanhã talvez eu queira te ver. Ou ver alguém.

"Adeus."

Curvas.

É aqui onde eu pertenço. Onde toda essa dor é real e onde qualquer cheiro ou vento um pouco mais frio me remete às dores absurdas da saudade. Eu pertenço onde nada faz sentido, onde me perco nas curvas e nenhuma floresta é acolhedora pela estrada.
É aqui onde eu pertenço, e de onde você jamais deve voltar. Você chegou lá, e eu choro lágrimas de alegria por não ter esperado por mim. Alegria por ter conseguido seguir adiante, por ter finalmente enxergado sentido nas coisas bonitas. Por ter desapegado. Por ter encontrado amparo. Por ter aprendido a sorrir de verdade. Obrigado por não ter me esperado, eu não seria mais feliz se o tivesse.
É aqui onde divergimos: onde você entra numa curva e encontra as luzes da cidade. Onde eu entro em outra curva e continuo sem encontrar nada.

How Soon Is Now?

There's a club, if you'd would like to go, you could meet somebody who really loves you.
So you go and you stand on your own. And you live on your own.

and you go home

and you cry

and you want

to die.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Se eu deitar aqui quietinho, sem ruídos ou esperneios, sem choro ou dispneia, e disser à morte que venha me levar sem dor ou relutância, que abdico da vida como quem deseja acordar de um sonho ruim; e que suplico pela partida, que me sentirei tão bem por seguir adiante; se eu disser à morte que da vida não me restam mais atrativos e que mais que todas as outras coisas eu desejo que ela venha... será que ela vem?

Logo eu que achei estar curado.

"Adeus."

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

"... te perdoar é voltar a ter boas memórias ao ouvir a tua voz."

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Blue Valentine [again].

I don't really like the present. The present stinks, and hurts and smells like tears. Taste like tears. You know that taste? Salty like the sea? The present is lonely nights, no warm, no shelter, a dark bedroom somewhere in the darkness, listening to the rain falling down and hitting the window.
I prefer the past. The past smells like... how can I describe the smell of happiness? A large smile, cold mornings walking holding hands with the love of your life, Beatles, Bod Dylan, Smiths... I love her. I love her more than everything. Why can't I just feel fine and rest? The past tastes like hope. The present tastes like... like a blue filter in a lone Valentine.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A vida adulta é uma merda.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Somos crianças ingênuas vomitando bobagens até o estômago esvaziar. E doer.

Sobre essa tarde, essa noite (e essa manhã).

Quando rara, e se sempre rara, que nunca venha a felicidade.
A alegria genuína e pura que percorre a alma trazendo o riso e a euforia ao corpo atrofiado é tão incomum que, com a velocidade com que chega, parte no instante seguinte, deixando somente o rastro vil da saudade. E a saudade, intacta e constante, essa fica. No dia seguinte ninguém será o mesmo, alguém, o mais doce e reluzente, este ficará pra trás; o ontem jamais terá existido e amanhã será ainda pior.
Prefiro jamais sorrir e jamais sentir falta do riso a sorrir por instantes e por vidas chorar por sua falta.

A vida é uma piada sem graça da qual eu optei por deixar de rir.

"Adeus."

terça-feira, 3 de março de 2015

"Descansem o meu leito solitário...

...na floresta dos homens esquecida,  À sombra de uma cruz, e escrevam nela:  Foi poeta - sonhou - e amou na vida..."

A dor segue, impregnada em mim como um câncer incurável e sem tratamento aparente; como manchas pela pele e que se mostram cada vez mais evidentes e maiores a cada dia, estampadas em cada expressão que mostro ou deixo de mostrar. A solidão me comprime e me espalha pelo chão, eu sempre eu, sozinho e saudoso. Com saudades de passados que não pertencem a mim mas me machucam tanto quanto meus próprios anjos e demônios.

Ainda assim, se pudesse, aceitaria como minhas todas as dores daqueles que amo, e invariavelmente, em algum momento, ver-me-ia feliz ao poder presenciá-los sorrir.

A vida é um eterno nó na garganta, uma fuga de si mesmo, um pestanejar em qualquer lugar longe de casa ao dar-se por conta que tudo o que era bom fora apenas um sonho distante. E não há fuga senão o sono de Thanatos. Não há mais lar quando no lar só há descanso.

Sinto sono pela primeira vez na vida.

"Adeus".