Tentei sair. Tentei enfrentar o mundo além do quarto, os olhares e propostas. As fugas e mentiras. Quase acreditei que gostava daquilo e cheguei a me convencer de que a liberdade estava do lado de fora. Músicas que eu odiava ouvir e conversas que eu forçava a funcionar. Pessoas mentindo pra pessoas que eram pessoas que diziam a verdade. Situações sem sequência e sequelas sintomáticas. Cobras sibilando, sussurrando suas bobagens. Tentei sair e fingir que era legal, mas Morrissey já falou sobre tentar sair antes, já havia me avisado como terminaria. E eu só encontro conforto e refúgio aqui: as quatro paredes, o monitor, o cheiro de sempre e as deliciosas canções. Uma caneca de qualquer coisa doce ou suave - não vou mentir que saboreio bebidas fortes na solidão de meu quarto - e imagens bonitas de admirar; livros que digam as verdades que quero ou que preciso ou que mereço ler. Todo um mundo de artificialidades muito mais real do que o que eu encontrei lá fora.
Pro inferno com o poliamor.
Pro inferno com a bigamia.
Pro inferno com a depravação.
Pro inferno com o instinto.
Os sabores de corpos me davam ânsia de vômito. O cheiro alheio me fazia querer voltar pra cá. É aqui onde pertenço e de onde jamais devia ter saído. E palavra por palavra me convenço de que, mesmo sem saber quem sou ou pra onde devo ir, sem jamais me sentir natural e autêntico em lugar algum, eu só serei capaz de descobrir aqui, sozinho comigo mesmo, ouvindo a Chet Baker ou Pink Floyd, propagandeando minha falsa cultura e praticando minha automasturbação intelectual. Só aqui posso ter alguma certeza ou as dúvidas certas. Ao menos comigo devo ser honesto. Mas longe dos olhares. Pelo menos hoje.
Amanhã, quem sabe?
Amanhã talvez eu queira te ver. Ou ver alguém.
"Adeus."
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