domingo, 9 de novembro de 2014

Estou com saudades de mim.

Onde eu fui parar?

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Meat is Murder (1985).

Eu quero gritar que carne é assassinato, que isso dói e isso é infame. Eu quero gritar que isso é imoral e grotesco, e que cada criatura abatida todos os dias em agonia para o desjejum, almoço e jantar de algum cretino de classe média, insensível e inconsciente, custa muito mais caro do que ele é capaz de discernir. Eu quero dizer o quanto eu sinto por cada corpo descarnado, por cada garganta rasgada, bico perfurado, pescoço, crânio quebrados, pela morte por definhamento, por uma vida inteira - uma vida inteira! - de agonia, sem um verdadeiro descanso, sem carinho e sem amor; sem uma oportunidade de existir de verdade. Eu quero derramar meu pranto pelas gaiolas que prendem uma criatura tão bela, que aos poucos perde a voz para o canto transformado num grito por liberdade. Eu quero trocar uma existência centenária de agonia pela vida plena deles.

Mas não posso. Nem chorar, nem gritar, nem protestar, nem me expressar, nem perder o sono.
Seria hipócrita: eu os como.
E por cada dia de vida meu, desejo sofrer por eles.

MEAT IS MURDER.
Viva pra sempre, Morrissey.

domingo, 12 de outubro de 2014

Please, keep me in mind...

Bem, eu me pergunto,
Você me ouve enquanto dorme?
Eu choro roucamente.

Bem, eu me pergunto,
Você me vê quando passamos um pelo outro?
Eu quase morro.

Por favor lembre-se de mim!
Por favor lembre-se de mim!

Ofegando - mas de alguma forma ainda vivo
Essa é a última resistência feroz de tudo que sou.
Ofegando - Morrendo - Mas de alguma forma ainda vivo,
Essa é a última resistência de tudo que sou.
Por favor lembre-se de mim.

Oh, lembre-se de mim...

(Well I Wonder - The Smiths)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Velejando.

A agonia é que todos eles vão morrer antes de mim, e por mais que não faça o menor sentido, eu choro todos os dias por antecipação, e sofro centenas de vezes antes que se torne real a perda. Choro pelos que foram, pelos que irão, pelos que conheço e por quem nunca vou conhecer.
É como se sentisse todas as dores de todas as criaturas de uma vez só, e isso é demais pra mim. Sinto-me às vezes como se fosse explodir, inchado, devastado, um fardo para mim mesmo.
Passa diante de mim milhares de vezes, todas as noites, todas as coisas. Das belas às feias; incontáveis, devastadoras, inconcebíveis. Eu queria vivê-las o tempo inteiro, viajar sobre elas sempre que quisesse. Tenho perdido noites e noites sem conseguir parar. Sem conseguir controlar o pensamento. Espero que essa agonia compense. Que o universo compense minha agonia com a felicidade de alguém. Ou de muitos. Que haja alguma utilidade externa pra essa minha dor contínua.

"É claro que a vida é boa. E a alegria, a única indizível emoção. [...] E é claro que te amo e tenho tudo pra ser feliz... mas acontece... que sou triste."
Eu queria pedir perdão por cada ferida.

E vai-se o sono.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Here comes the rooster.

E canta o galo.
"Tédio, falta de criatividade, burrice e conformismo."
Lembro-me como se fosse ontem. Sou um homem enterrado sob minhas próprias lembranças, tentando tornar estável a instabilidade da vida. Eu sou o que já disseram que seria; e este sou eu a me repetir.
Sou o gosto amargo do café e as palavras ininterruptas que me escapam pelos dedos. Incapaz de murmurá-las, escutando o choro agudo de Layne Stanley e desejando que, como Ian Curtis, Renato e outros, ele ainda estivesse vivo.
E canta o galo. Eu ainda não dormi.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Entre florestas.

Ao castelo:

Meu amor, sem deixar de lado a pureza, te encontra a carne entre beijos nas coxas, confundindo-a com o céu e perdendo-se entre espaços. É poema e é carne quente, rija e elástica. Meu amor é inquantificável, inexorável, impossível. De dentro pra fora, é belo. É a flor que fiquei de entregar, o café da manhã precedendo o almoço, é o tédio e o fascínio. É ser teu do começo do dia ao cair da noite.

Entre colinas.

Ao condado:

Meu amor é o mais puro. O mais belo e simples que podes esperar de mim; sem desejo de carne ou desejo de osso. Desejo apenas a alma, o bem recíproco e o sorriso mais belo que pode existir. Do espírito aos dentes, meu amor pertence-lhe em sua forma mais nobre e despida de maldade. Meu amor e fascinação, minha angústia por desaproximação, meu medo de perder o toque. Observando de longe, moldando, cuidado, amparando tanto quanto possível.

Não há rima nem forma. Só há amor. Amor, amor, amor... o mais lindo sentimento de todos os sentimentos que têm o direito de ser lindos.

domingo, 10 de agosto de 2014

Egoísta.

"Quando se inicia um relacionamento, em que se pensa primeiro?

"Ela tem os traços que eu amo, é feita pra mim. O cabelo é do jeito que eu gosto, e faz aquele penteado anos 60 que me deixa entorpecido; tem lábios tão carnudos e se veste tão bem, e (eu) fico estonteado por aquele olhar brutal e direto que faz meu coração congelar. Pelos céus, ela gosta de Pulp Fiction, Stanley Kubrick e nouvelle vague! Tem os discos do The Cure e gosta do pós-punk! E o que é aquela foto do quarto dela? Era um pôster do Poe? Isso é sério?"
E de certa forma seu cérebro responde a uma porção de indizíveis reações químicas e atividades inumeráveis, das quais não ouso falar por não possuir o conhecimento necessário. Ela parece o retrato perfeito feito em sua cabeça, desenhada a mão, escolhida a dedo, vislumbrada, foto por foto, como a figura da perfeição. A cultura pop, o cinema e a literatura fazem o resto: o namoro perfeito entre colinas e cenários europeus, beijos na chuva e sob a luz do luar, acampamentos ao natural e um casamento indescritível como de Marius e Cosette.

Mas você é egoísta; não reparou que ela gostava de coisas que você não gosta, escutava músicas que você não suporta e goza de uma liberdade que você, imaturo, é incapaz de sustentar? Não gosta tanto da chuva quanto você, e tem alergia forte a mosquitos, o que a torna incapaz de acampar tão naturalmente quanto no seu imaginário universo. Ela é temperamental e sincera, sentimental e fria, não-sexual como um ser humano, uma mulher, tem o direito e é capaz de ser. Ela é como Ruby Sparks em sua primeira versão: real.
Então você percebe, pela primeira vez, que não é o homem e o correspondente amoroso que se viu capaz de ser desde que a música, a literatura e o cinema começaram a moldá-lo como um. Seus sonhos são uma mentira, e ela é mais real que qualquer livro ou filme que você leu ou assistiu tarde da noite.
E de repente você percebe que você nunca olhou para ela. Só via a si mesmo refletindo em seu interior."

- De Kenneth para Mishelli; livro dois.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Le parfum.

Sinto as pessoas enjoando de mim, como se eu fosse um frasco qualquer de um perfume com prazo de validade, daqueles utilizáveis até que perca a graça e então se descarta. Como se quem faz-me usar tira o que quer de mim, aproveita alguma coisa, depois se livra.

É exagero, eu sei, mas se eu pudesse metamorfosear em algo, metamorfosear-me-ia em água: água é essencial.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pensei, há anos, em dizer verdades que o mundo precisava ouvir, até descobrir que o mundo que vislumbrava minhas verdades vivia dentro de mim mesmo, e nada do que eu dizia ultrapassava os limites de mim mesmo.

Descobri que esse blog deveria se chamar Ego. Não The Truth.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Para Deus com Desespero


Se o decepciono, ó Pai, é porque antes de tudo tomaste de mim o direito de ser pleno. É porque prematuramente me tomaste mais sorrisos que lágrimas, e nessa mesma prematura fase já conheço mais da velhice que da juventude. Se não desejas que, jovem e de cedo como sou me torne velho e alimento para os vermes, se não queres, meu Pai, que rico e de seda como me apresento não seja pobre e do algodão bruto dos vulgares... amado Deus... dá-me uma chance de ser feliz, e de dar felicidade àqueles que me guardam e cercam. Nada fiz, sei - pois a dor vem do berço - tão cedo, pra merecer tamanha dor, desespero e medo. Se cri em ti um dia, dá-me a chance e a razão de largar o calvário. Afasta-me o cálice como não afastaste de teu filho. Pai, não me deixa morrer. Não me deixa tirar de mim mesmo o direito de ver. Não cala minha alegria, não me tira o direito de ser. Perder por crer que...

...A culpa é tua, Deus dos tolos, por tomar de mim tudo o que quis e a claridade dos homens livre. Por prender-me aos grilhões da agonia e, impiedoso como és, Senhor dos escravos, arrastar os que amo comigo num precipício de solidão. Tudo o que sempre quis foi contagiar com alegria um mundo, mas tudo o que sempre tive foi um estupor imundo, fundo o perfuro da lâmina cruel. Não há céu. Arranco esse véu e grito: liberta-me ou jamais o amarei. Eu o prendo entre meus braços e não lhe dou o direito de partir enquanto não derramar sobre mim...


                                    ...a liberdade.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Freudschaft.

Não adquiri - e o sinto - mais cedo o hábito de pensar, como o deveria, tampouco fui um sábio ao longo de duas décadas. Destilo palavras um pouco - e muito pouco - mais complicadas que as corriqueiras e me julgo um pouco - e quase nada - mais conhecedor do mundo das letras por isso. Sou nada. Vivo nada. Sei nada. Vi nada. Só vim, sem ver e nem vencer, diferente do previsto. Não fui criado ou acostumado a lutar, e ao longo de meu tempo pisando essa terra tudo o que me foi ensinado foi a desistir, com um pensamento pessimista e grosseiro de qualquer visão de vida. Tive os piores professores na infância, e não fosse minha sede e bom gosto - tanto quanto me permiti ter - por pessoas e coisas, jamais teria conhecido ninguém melhor do que me foi apresentado naturalmente. Não sei a que força atribuir essa bênção de ter encontrado em meu caminho almas tão ricas e nobres e conhecedoras de coisas tão ricas e nobres, considerando que o Deus que me foi apresentado na infância e adolescência repudia os elos que criei - HEREGES! PAGÕES! PECADORES! -, e por conta disso, dever-me-ia afastar deles. E tudo o que eu amo, e as pessoas que me fazem feliz e me ensinam a ser melhor, aos olhos de Deus, deveriam e serão condenadas. E eu serei condenado por andar com elas. Não fosse minha curiosidade, teimosia e sede por tudo o que é novo, eu teria meus olhos vendados. Eu teria minhas mãos amarradas. Eu teria minha boca calada. Eu seria o miserável de espírito, desprezado aos olhos do espírito e louvado aos olhos do homem. Mas que importam os homens que louvam o dinheiro e as coisas? Que me importa a fama dos homens que praticam o mal e o desprezo e vomitam suas verdades e seu falso senso de justiça?
Victor Hugo disse-me certa vez: "o milionário da inteligência chega a lastimar os milionários do dinheiro". É com muito pesar que confirmo a verdade da miséria que são as coisas por presenciá-las em minha própria vida. Uma casa re-mobiliada, nova e de aspecto perfeitamente acolhedor: cozinha, sala, quartos, pintura, superficialmente rica aos olhos dos homens e mulheres sem nobreza alguma. Tão bela quanto a casca pobre de uma árvore sem nada por dentro, consumida por cupins famintos que a tudo levaram. Uma casa de novos bens, mas no fim das contas, sem bem nenhum. Eu vivo num covil de cobras, e eu sofro todos os dias enquanto vejo meu abrigo ser cavado e desprotegido por aqueles que o construíram. Mas não estou sozinho.

Obrigado Gabriel. Obrigado Fox. Obrigado Dave. Obrigado Erick.
Não sei a que força atribuir suas presenças, mas seja Deus, a Sorte ou o Acaso: obrigado.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Finito.

Na sala o pai chora. No limbo jaz um amigo. Amigo meu, amigo dele, amigo de nós todos, incapaz de discernir erros que matam de erros que morrem.
Na sala o pai chora, e eu nunca havia visto o pai chorar. Não assim. Acho que o tempo consome o empedernicimento do coração de um homem, e tira dele o que lhe identificava como jovem. Como rico. Como imortal. Como "inchorável". Nem por um amigo perdido nem por um pai que chora: pelo que se rompeu aqui. Algo me embrulha o estômago. Não ha felicidade nessa casa cheia de "coisas" "valiosas". Não há felicidade nessa vida cheia de "oportunidades" e "sonhos". Algo se quebrou em mim faz tempo, e quando meus olhos abriram, meu espírito se fechou. A vida não é um sonho. De meus sonhos eu sempre acordo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pra Ser.

Só quero que você entenda: mesmo se não for pra ser, será. E se pensar no outro lado, eu te espero do lado de cá. Eu não te peço muito, só espero todo dia poder te esperar; ensaio te pedir pra voltar porque morro de medo que se vá. Não me pergunte do passado, eu nem sei o caminho pra voltar. E se ainda lembra onde pisou me faça o favor de esquecer. Eu não quero mude, não quero que me peça pra mudar. Eu quero que se cuide, e guarde uns minutos para me cuidar.
(Estou contigo em todo lugar. Estou contigo em todo lugar.) E tudo o que eu fiz pra te provar que eu não quero a liberdade se estiver sozinho pra voar. Prefiro morrer de saudade sabendo que você pode ressuscitar.

Só quero que você entenda:
mesmo se não for pra ser, será.

(Rodrigo Tavares)

segunda-feira, 10 de março de 2014

A culpa não é de ninguém.

Essa dor que quase chega a ser física e que vem de lugar nenhum pra roubar todas as minhas noites, justificando o suicídio que não cometerei. Mas sinto vontade de morrer sempre que estou sozinho, como se a simples sombra ou o vislumbre dela fosse minha proteção (não me abandone jamais).
Por algum motivo acho que não sou mais eu, perdi-me de mim mesmo e hoje caminho nessa neblina vazia cujo fim me é impossível enxergar, e pareço não lutar por nada, vivendo um dia após o outro sem expectativas, apenas sofrendo e saudando o passando numa nostalgia que me alfineta centímetro por centímetro do coração. Coração que eu chamava de simples músculo de bombear sangue incapaz de justificar a dor ou o sentimentalismo; hoje, mais tarde, reconheço-o e o entendo como o maior representante da dor e da alegria: é ele que dói ou se enche de satisfação, inexplicavelmente, quando uma sensação forte se acomete. É ele quem gela ou esquenta, dispara ou se acalma. Ele é o primeiro.
E ultimamente tem doído tanto. Ultimamente não tenho podido explicá-lo.
Eu preciso me encontrar. Eu preciso de uma saída. Eu preciso voltar a existir.

(tudo vai ficar bem no inverno.)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Manhattan.

"Estou cansado da Terra. Dessas pessoas. Cansado de me envolver na complicação de suas vidas. Vocês afirmam lutar para construir o paraíso. Mas o paraíso de vocês é povoado por horrores. Talvez o mundo não tenha sido criado. Talvez nada seja criado. Um relógio sem um relojoeiro. É tarde demais. Sempre foi. E sempre será. Tarde demais. Eu morrerei… E o universo nem perceberá. Na minha opinião a vida é super valorizada. Estou deixando essa galáxia por uma menos complicada."

Adeus.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Blue Valentine (and a love I can't explain.)


You always hurt the one you love,
The one you shouldn't hurt at all.
You always take the sweetest rose
And crush it until the petals fall.
You always break the kindest heart
With a hasty word you can't recall.
So if I broke your heart last night
It's because I love you most of all.

You always break the kindest heart
With a hasty word you can't recall.
So if I broke your heart last night
It's because I love you most of all.
It's because I love you most of all.

(remember me.)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Deixei de fazer promessas, e não falarei de amor.

Se não pudermos ser tudo o que gostaríamos de ser, sejamos algo maior. Algo que ultrapasse a barreira do insólito e beire o esplendor. Talvez que ultrapasse o esplendor e delimite linhas novas e fronteiras novas, criando um novo conceito de vitória. Ou derrota. Seríamos algo tão grande e tão belo que conceitos como "vitória" ou "derrota", "felicidade" ou "infelicidade", "amar" ou "odiar" seriam completamente obsoletos, e nós seríamos um brilho puro e singular. Sem definição, sem barreira, sem brilho, sem sombra. Sem palavras capazes de descrever ou imagens capazes de representar; ora, amantes precisam disso tudo? Amantes precisam dum representante que não um ao outro e outro a um? Infeliz a pobre alma que acredita ser capaz de definir e dar nome àquilo que sente. Nem amar ou desamar: o que se sente é filho bastardo, sem batismo ou lugar de origem.
Sabe-se que existe pela presença daquela dor fina e longa que atravessa o centro da alma de fora a fora; uma dor prazerosa, um orgasmo lancinante, uma contradição absurda que homens de definições costumam chamar de amor.
Não, não sei como se chama.

Não, não precisaríamos disso.