terça-feira, 30 de setembro de 2014

Velejando.

A agonia é que todos eles vão morrer antes de mim, e por mais que não faça o menor sentido, eu choro todos os dias por antecipação, e sofro centenas de vezes antes que se torne real a perda. Choro pelos que foram, pelos que irão, pelos que conheço e por quem nunca vou conhecer.
É como se sentisse todas as dores de todas as criaturas de uma vez só, e isso é demais pra mim. Sinto-me às vezes como se fosse explodir, inchado, devastado, um fardo para mim mesmo.
Passa diante de mim milhares de vezes, todas as noites, todas as coisas. Das belas às feias; incontáveis, devastadoras, inconcebíveis. Eu queria vivê-las o tempo inteiro, viajar sobre elas sempre que quisesse. Tenho perdido noites e noites sem conseguir parar. Sem conseguir controlar o pensamento. Espero que essa agonia compense. Que o universo compense minha agonia com a felicidade de alguém. Ou de muitos. Que haja alguma utilidade externa pra essa minha dor contínua.

"É claro que a vida é boa. E a alegria, a única indizível emoção. [...] E é claro que te amo e tenho tudo pra ser feliz... mas acontece... que sou triste."
Eu queria pedir perdão por cada ferida.

E vai-se o sono.

2 comentários:

Anônimo disse...

Chegará a hora em que não haverá mais dor. Confie em mim.

The Truth disse...

No sono de Thanatos?