sexta-feira, 23 de maio de 2014

Freudschaft.

Não adquiri - e o sinto - mais cedo o hábito de pensar, como o deveria, tampouco fui um sábio ao longo de duas décadas. Destilo palavras um pouco - e muito pouco - mais complicadas que as corriqueiras e me julgo um pouco - e quase nada - mais conhecedor do mundo das letras por isso. Sou nada. Vivo nada. Sei nada. Vi nada. Só vim, sem ver e nem vencer, diferente do previsto. Não fui criado ou acostumado a lutar, e ao longo de meu tempo pisando essa terra tudo o que me foi ensinado foi a desistir, com um pensamento pessimista e grosseiro de qualquer visão de vida. Tive os piores professores na infância, e não fosse minha sede e bom gosto - tanto quanto me permiti ter - por pessoas e coisas, jamais teria conhecido ninguém melhor do que me foi apresentado naturalmente. Não sei a que força atribuir essa bênção de ter encontrado em meu caminho almas tão ricas e nobres e conhecedoras de coisas tão ricas e nobres, considerando que o Deus que me foi apresentado na infância e adolescência repudia os elos que criei - HEREGES! PAGÕES! PECADORES! -, e por conta disso, dever-me-ia afastar deles. E tudo o que eu amo, e as pessoas que me fazem feliz e me ensinam a ser melhor, aos olhos de Deus, deveriam e serão condenadas. E eu serei condenado por andar com elas. Não fosse minha curiosidade, teimosia e sede por tudo o que é novo, eu teria meus olhos vendados. Eu teria minhas mãos amarradas. Eu teria minha boca calada. Eu seria o miserável de espírito, desprezado aos olhos do espírito e louvado aos olhos do homem. Mas que importam os homens que louvam o dinheiro e as coisas? Que me importa a fama dos homens que praticam o mal e o desprezo e vomitam suas verdades e seu falso senso de justiça?
Victor Hugo disse-me certa vez: "o milionário da inteligência chega a lastimar os milionários do dinheiro". É com muito pesar que confirmo a verdade da miséria que são as coisas por presenciá-las em minha própria vida. Uma casa re-mobiliada, nova e de aspecto perfeitamente acolhedor: cozinha, sala, quartos, pintura, superficialmente rica aos olhos dos homens e mulheres sem nobreza alguma. Tão bela quanto a casca pobre de uma árvore sem nada por dentro, consumida por cupins famintos que a tudo levaram. Uma casa de novos bens, mas no fim das contas, sem bem nenhum. Eu vivo num covil de cobras, e eu sofro todos os dias enquanto vejo meu abrigo ser cavado e desprotegido por aqueles que o construíram. Mas não estou sozinho.

Obrigado Gabriel. Obrigado Fox. Obrigado Dave. Obrigado Erick.
Não sei a que força atribuir suas presenças, mas seja Deus, a Sorte ou o Acaso: obrigado.

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