terça-feira, 14 de outubro de 2014

Meat is Murder (1985).

Eu quero gritar que carne é assassinato, que isso dói e isso é infame. Eu quero gritar que isso é imoral e grotesco, e que cada criatura abatida todos os dias em agonia para o desjejum, almoço e jantar de algum cretino de classe média, insensível e inconsciente, custa muito mais caro do que ele é capaz de discernir. Eu quero dizer o quanto eu sinto por cada corpo descarnado, por cada garganta rasgada, bico perfurado, pescoço, crânio quebrados, pela morte por definhamento, por uma vida inteira - uma vida inteira! - de agonia, sem um verdadeiro descanso, sem carinho e sem amor; sem uma oportunidade de existir de verdade. Eu quero derramar meu pranto pelas gaiolas que prendem uma criatura tão bela, que aos poucos perde a voz para o canto transformado num grito por liberdade. Eu quero trocar uma existência centenária de agonia pela vida plena deles.

Mas não posso. Nem chorar, nem gritar, nem protestar, nem me expressar, nem perder o sono.
Seria hipócrita: eu os como.
E por cada dia de vida meu, desejo sofrer por eles.

MEAT IS MURDER.
Viva pra sempre, Morrissey.

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