Meu erro é acreditar que o passado é retornável como embalagens plásticas de qualquer coisa, ou que sou reciclável como o papel, sendo que de papel só tenho a fragilidade: rasgável, amassável, dobrável, descartável. Onde me rabiscam e apagam, como se fosse possível apagar completamente os borrões escritos por tinta permanente. O meu maior erro é tentar apagar e redesenhar e tornar a apagar e reler e reescrever na mesma página, quando a próxima, em branco, é bem mais simples e convidativa para escrever um texto completamente novo, com novas estruturas e histórias que só dependem de minha boa vontade. Como o desenho de ti que tenho guardado na memória. Como todos os desenhos de flores que ainda pretendo te entregar. Não abusarei do teu entendimento, só entendas que estou dando o melhor de mim pra traçar linhas perfeitas nessa carta da vida, que já lhe foi entregue numa noite de maio.
E o teu maior erro é achar que não tenho cura.
(não desista de mim.)
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