terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Acho que meu pai - mesmo nunca tendo dito - jamais teve orgulho de mim.

Me desculpa, pai. Me desculpa por nunca ter-lhe dado motivos pra se orgulhar de mim, por nunca ter sido aprovado ou por nunca ter levado uma oportunidade adiante; por nunca ter sido o melhor competidor ou o de melhor caráter e fibra moral, ou por nunca ter sido um bom esportista ou o teu companheiro de noites de quarta-feira. Me desculpa por nunca ter conquistado nada e por nunca ter trazido título nenhum sob teu nome - e por nem mesmo querer levar o teu nome -, me desculpa por jamais ter te dado um grande e largo sorriso de orgulho por qualquer vitória que jamais tive, ou por nunca ter sido um vencedor. Me desculpa por usar próclise quando deveria usar ênclise, e me desculpa por não tentar corrigir isso.

Eu sempre quis ser escritor...

...mas escritores passam fome.

Me desculpa por cada palavra de desculpa, e por jamais me arrepender de nunca ter me arrependido. Me desculpa por ser a vergonha que sou, e por sofrer todas as noites por isso.

Eu ainda te amo, pai.
Eu te odeio, Angelita.

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