Quando se vive à noite, escuridão é lar. As pupilas dilatam quase o tempo inteiro em que se existe, e o cheiro é de orvalho. Os diálogos são os pensamentos, que mesmo quando gritam são calados, e a boca que mais é capaz de gritar é a do mar, gritando suas juras ou injúrias pelo vento. Meu coração nunca é tão puro e sincero e cheio de verdades lindas e puras pra contar quanto é à noite. O problema é que à noite vivo sozinho, e não tenho ninguém com quem compartilhar os mais belos e sublimes e sinceros pensamentos que sou capaz de formular. E a pessoa que creio amar vive no paraíso de Hipnos enquanto mergulho, sem dormir, nas façanhas de Morfeu; por isso o Ovídio dentro de mim vive sozinho, ou deixa de herança, da noite pro dia, suas verdades mais belas. As verdades de amor. De vida. De sonho. De amor. De bem-aventurança. De esperança.
De amor.
Para Carine: todos os meus mais belos sonhos.
Mesmo abandonando-me Hipnos, serei teu Morfeu enquanto pudermos sustentar essa paixão mórbida.
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