quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nem liga, guria



Nem liga, guria, se eu já não sei disfarçar, se eu já cansei de esconder que era fácil de achar.

Se a gente entendesse que há um ciclo no amor, começa pela cura, mas termina com a dor, a nossa cama pra sempre estaria vazia.

Nem liga, guria, se a minha voz acabar, sei que tu já me sacou sem eu precisar falar.

Nem liga, guria, não vou poder te atender, tô encontrando em minha vida um canto só pra você. Se a gente já soubesse como vai ser a viagem não perderia tanto tempo com bobagem,
e o meu peito poderia muito bem ser a tua moradia. E finjo que acredito no que dizem sobre o amor. Vê se não fica assustada quando eu digo, eu nunca fui daqueles que fazem sentido.

Amanheceu, e eu deveria estar dormindo, mas estes versos são palavras explodindo, e, no teu colo, um dia, elas vão cair, e aonde isso vai dar, não cabe a nós decidir.


6h34 - Visconde


Nem liga, guria, se eu sumo às vezes, se eu paro pra pensar negativamente às vezes, se eu simplesmente desacredito por um segundo. Nem liga, guria, se eu cobro todo dia a carta. Nem
liga, guria, se eu penso em coisas sem sentido, se eu pareço obsessivo, se às vezes eu tenho medo de tudo. Se tu pára pra pensar no nome dos meus livros, tu entende que minha cabeça é uma bagunça. Toda obsessiva, toda paranoica, uma cabeça virada em ruínas. Nem liga, guria, se eu sumir de vez em quando, se eu for negativo de vez em quando. Quando eu digo que não penso em ti é porque eu to pensando em ti o tempo todo, e quando eu tento te afastar é pra te poupar de um problema em proporções iguais. É porque eu te quero aqui o tempo inteiro, pra sempre. Eu não quero metade tua, eu te quero inteira, assim como não quero que tu pegue metade minha. Ou é tudo ou não é nada. Quero teus problemas também, dividir os teus enquanto tu divide os meus. Nem liga, guria, se eu sou um labirinto de negativismo e pensamentos sem sentido, e eu também não ligo, porque tu também é assim. Tô encontrando em minha vida um canto só pra você.

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