sexta-feira, 22 de julho de 2011

monólogo [2]

Esse sou eu.
Uma mente perdida em pensamentos sem sentido,
criando ficções na vida real, pensando em coisas que
não existem e imaginando como tudo foi ficar desse jeito.
Qualquer novo ponto de vista, qualquer nova frase,
qualquer olhar diferente ou indiferente ou ausência de
três ou quatro palavras rotineiras.
Preocupado demais com as estrelas cadentes, quando
a própria lua sempre esteve ali.
Sem sono, sem sol, sem paixão física.
Com pouca motivação, pouco exercício, pouca cama,
pouco humor. Esse sou eu, sem sorrir, sem enxergar
o fim da rua há tantos anos.
Entenda que eu não procurei. Não procurei nem isso
nem aquilo, nem essa nem aquela. Eu só fui indo até
ir encontrando.

É a vida, não é o que você escolhe, é o que aparece e você
simplesmente decide tentar. Tentou como algo pequeno,
e como você mesma disse, algo que foi se tornando tão grande,
tomando tanto espaço.
Espaço demais dentro de mim. Algo tão grande agora,
que as ficções da minha mente passaram e se tornar contos
que me dão insônia. Não que seja ruim, é a melhor coisa que
já me aconteceu, mas como humano, eu perco o sono. Não,
não perco o sono por causa disso, e nem é de hoje. Eu nunca
dormi direito.
Só quero a verdade, o tempo inteiro, sem segredos, sem
rodeios, sem hesitação. A verdade, inteira, fixa, assim como
quero você, inteira, fixa.
O que estou falando, de novo?
Esse sou eu, falando sozinho.
Só nunca me esconda algo grande, mesmo que lhe pareça
pequeno pra mim.

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