Tô remendando tudo. Nem sei se tem mais como.
Sabe quando não tem mais espaço pra remendo?
Sabe quando não tem mais lugar pra machucados
novos, e não tem como remendar aqueles antigos,
que por incrível que pareça, ainda estão ali?
O que eu falo sobre remendos, é isso. Isso tudo.
Querer beijo, ganhar abraço. Reclamar do abraço, Ganhar
beijo. Um remendo. Não se ganha um beijo, nessas
circunstâncias. Mas não importa, comigo sempre
foi ao contrário. Eu sempre remendei as coisas,
pratos quebrados, taças quebradas. Nasci sem
firmeza nas mãos, talvez seja por isso. Nasci com
as mãos geladas e trêmulas, que não conseguem
segurar a prataria fina e cara que me vêm.
Eu tô remendando tudo, tudo de novo. E o desgaste
já é da rotina. O desgaste nem machuca mais.
Pra onde tu foi, guria, se não pra dentro do próprio
medo? Pra onde tu fugiu, e pra quê?
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