Não creio que seja paranoia dessa vez. Nem
exagero, nem imaginação. Eu consigo separar
e ver a grande, gigantesca diferença entre
"amor" e "amr", "beijo" e "bjs", "eu te amo"
de "te amo".
Uma letra a menos, uma ênfase, um espaço,
nossa, eu penso demais. Eu vejo até demais.
Talvez eu deva parar de pensar um pouco, e
aceitar. Passar a aceitar coisas desse tipo.
Ou não. Ou nunca.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
come with me?
Pra sempre. Só o que eu prometo.
Nada além disso. Só todo o amor que
eu tiver disponível, minha mão erguida
a qualquer momento. Amor, carinho,
paixão, apoio.
I'll be waiting right there by the corner.
Why don't you come and go with me?
Nada além disso. Só todo o amor que
eu tiver disponível, minha mão erguida
a qualquer momento. Amor, carinho,
paixão, apoio.
I'll be waiting right there by the corner.
Why don't you come and go with me?
sexta-feira, 22 de julho de 2011
monólogo [2]
Esse sou eu.
Uma mente perdida em pensamentos sem sentido,
criando ficções na vida real, pensando em coisas que
não existem e imaginando como tudo foi ficar desse jeito.
Qualquer novo ponto de vista, qualquer nova frase,
qualquer olhar diferente ou indiferente ou ausência de
três ou quatro palavras rotineiras.
Preocupado demais com as estrelas cadentes, quando
a própria lua sempre esteve ali.
Sem sono, sem sol, sem paixão física.
Com pouca motivação, pouco exercício, pouca cama,
pouco humor. Esse sou eu, sem sorrir, sem enxergar
o fim da rua há tantos anos.
Entenda que eu não procurei. Não procurei nem isso
nem aquilo, nem essa nem aquela. Eu só fui indo até
ir encontrando.
É a vida, não é o que você escolhe, é o que aparece e você
simplesmente decide tentar. Tentou como algo pequeno,
e como você mesma disse, algo que foi se tornando tão grande,
tomando tanto espaço.
Espaço demais dentro de mim. Algo tão grande agora,
que as ficções da minha mente passaram e se tornar contos
que me dão insônia. Não que seja ruim, é a melhor coisa que
já me aconteceu, mas como humano, eu perco o sono. Não,
não perco o sono por causa disso, e nem é de hoje. Eu nunca
dormi direito.
Só quero a verdade, o tempo inteiro, sem segredos, sem
rodeios, sem hesitação. A verdade, inteira, fixa, assim como
quero você, inteira, fixa.
O que estou falando, de novo?
Esse sou eu, falando sozinho.
Só nunca me esconda algo grande, mesmo que lhe pareça
pequeno pra mim.
Uma mente perdida em pensamentos sem sentido,
criando ficções na vida real, pensando em coisas que
não existem e imaginando como tudo foi ficar desse jeito.
Qualquer novo ponto de vista, qualquer nova frase,
qualquer olhar diferente ou indiferente ou ausência de
três ou quatro palavras rotineiras.
Preocupado demais com as estrelas cadentes, quando
a própria lua sempre esteve ali.
Sem sono, sem sol, sem paixão física.
Com pouca motivação, pouco exercício, pouca cama,
pouco humor. Esse sou eu, sem sorrir, sem enxergar
o fim da rua há tantos anos.
Entenda que eu não procurei. Não procurei nem isso
nem aquilo, nem essa nem aquela. Eu só fui indo até
ir encontrando.
É a vida, não é o que você escolhe, é o que aparece e você
simplesmente decide tentar. Tentou como algo pequeno,
e como você mesma disse, algo que foi se tornando tão grande,
tomando tanto espaço.
Espaço demais dentro de mim. Algo tão grande agora,
que as ficções da minha mente passaram e se tornar contos
que me dão insônia. Não que seja ruim, é a melhor coisa que
já me aconteceu, mas como humano, eu perco o sono. Não,
não perco o sono por causa disso, e nem é de hoje. Eu nunca
dormi direito.
Só quero a verdade, o tempo inteiro, sem segredos, sem
rodeios, sem hesitação. A verdade, inteira, fixa, assim como
quero você, inteira, fixa.
O que estou falando, de novo?
Esse sou eu, falando sozinho.
Só nunca me esconda algo grande, mesmo que lhe pareça
pequeno pra mim.
domingo, 17 de julho de 2011
paranoia
Não sei se aguento mais tanta paranoia. Não sei
se posso suportar mais momentos como esse,
leituras como essas. Nada é pra mim, tudo é pra
mim. Nada positivo é pra mim. Tudo negativo é
pra mim. Não sei se tenho capacidade, tolerância,
aquela vitalidade que dizia ter, pra percorrer
diante de tantas palavras por entrelinhas, considerando
quem sou e a forma com a qual vejo as coisas. Tudo
pra mim é um ponto negativo, por mais que não
tenha nada a ver. Não sei, não sei como entendo dessa
forma coisas que não significam isso. Não sei, e no fundo
acredito estar certo. Certo o tempo inteiro, e o único certo
na história toda. Cada frase nova, cada mudança, cada
forma nova de se expressar, cada ausência de expressão,
cada palavra indesejada. TUDO coopera.
Não faz sentido nenhum eu ter medo da minha própria
sombra. Não faz sentido nenhum eu ter medo da única
pessoa que realmente me ganhou por inteiro.
Acordar.
Qual é a cura?
se posso suportar mais momentos como esse,
leituras como essas. Nada é pra mim, tudo é pra
mim. Nada positivo é pra mim. Tudo negativo é
pra mim. Não sei se tenho capacidade, tolerância,
aquela vitalidade que dizia ter, pra percorrer
diante de tantas palavras por entrelinhas, considerando
quem sou e a forma com a qual vejo as coisas. Tudo
pra mim é um ponto negativo, por mais que não
tenha nada a ver. Não sei, não sei como entendo dessa
forma coisas que não significam isso. Não sei, e no fundo
acredito estar certo. Certo o tempo inteiro, e o único certo
na história toda. Cada frase nova, cada mudança, cada
forma nova de se expressar, cada ausência de expressão,
cada palavra indesejada. TUDO coopera.
Não faz sentido nenhum eu ter medo da minha própria
sombra. Não faz sentido nenhum eu ter medo da única
pessoa que realmente me ganhou por inteiro.
Acordar.
Qual é a cura?
sexta-feira, 15 de julho de 2011
e agora?
Anos da minha vida. Não vou dizer quantos
exatamente, porque, sinceramente, não sei
dizer ao exato quando comecei a gostar de
verdade. No começo odiava, como muitas coisas
que hoje são parte de mim. Odiava, por não
conhecer. Odiava porque achava a capa sem graça.
Um garoto de óculos, uma garota sem graça e um
ruivo que me dava nos nervos só de olhar. Quem
diria. "Bruxos", diziam. "Que ridículo", eu respondia.
Passou a ser parte de mim. Não de forma exagerada,
do tipo "oooh, sem isso não vou viver mais", mas
de uma forma mais sincera do que aparenta, do tipo
"foram anos da minha vida que valeram à pena,
parte de meu passado, parte de dias incríveis, de
noites em claro lendo e assistindo ao filme, parte de
sentimentos que explodiam em alegria, medo e raiva."
Assim que descobri o quanto era importante pra mim
e deixei de lado aquela raiva de quem não sabia de nada,
passei a acompanhar cada passo seguinte na medida do
possível. Cada livro que era lançado, filme, informação
importante, até me dar por satisfeito. Não fui um fã
escandaloso que passa a madrugada esperando um
lançamento, nem comprei logo de cara um livro novo ou
algo do tipo. Só gostava. Só gostava muito e fazia o possível
pra ter, pra ler, pra ver. Vi cada um que pude (e foram muitos)
no cinema, e agora, como de forma egoísta mas inevitável,
acabou. Chegou ao fim e, involuntariamente, meu coração
aperta ao lembrar. Assisti ao último essa madrugada, no cinema.
Eu e meu companheiro de sempre (pelo menos para essa obra)
Marlon Tolksdorf, meu irmão. Odiávamos juntos e começamos
a gostar juntos, e pelo menos nisso fomos unidos.
Foi espetacular. Me arrepiei a cada descoberta, como havia
de ser, e me senti vazio quando acabou, como esperei que seria.
Me pergunto "e agora?" não porque desgostei da vida, ou isso
tinha importância essencial pra mim, e não sei o que vou fazer
e vou me trancar no quarto por dias, mas me pergunto "e agora?"
porque, de certa forma, algo acabou dentro de mim. Algo que era
grande, um fanatismo não exagerado, mas muito forte. Não há
mais o que acompanhar, e já conheço o fim da série. Não há mais
para onde segui-los, mesmo que eles não existam de verdade, nem
mais perguntas pra me fazer sobre eles, mas eu sei que cada segundo
valeu à pena. Cada filme que assisti, cada livro que li, cada pessoa que
conheci, cada ano que passei, valeram à pena.
Harry Potter, o que eu odiava no começo, e que hoje é parte
da minha história, acabou hoje.
exatamente, porque, sinceramente, não sei
dizer ao exato quando comecei a gostar de
verdade. No começo odiava, como muitas coisas
que hoje são parte de mim. Odiava, por não
conhecer. Odiava porque achava a capa sem graça.
Um garoto de óculos, uma garota sem graça e um
ruivo que me dava nos nervos só de olhar. Quem
diria. "Bruxos", diziam. "Que ridículo", eu respondia.
Passou a ser parte de mim. Não de forma exagerada,
do tipo "oooh, sem isso não vou viver mais", mas
de uma forma mais sincera do que aparenta, do tipo
"foram anos da minha vida que valeram à pena,
parte de meu passado, parte de dias incríveis, de
noites em claro lendo e assistindo ao filme, parte de
sentimentos que explodiam em alegria, medo e raiva."
Assim que descobri o quanto era importante pra mim
e deixei de lado aquela raiva de quem não sabia de nada,
passei a acompanhar cada passo seguinte na medida do
possível. Cada livro que era lançado, filme, informação
importante, até me dar por satisfeito. Não fui um fã
escandaloso que passa a madrugada esperando um
lançamento, nem comprei logo de cara um livro novo ou
algo do tipo. Só gostava. Só gostava muito e fazia o possível
pra ter, pra ler, pra ver. Vi cada um que pude (e foram muitos)
no cinema, e agora, como de forma egoísta mas inevitável,
acabou. Chegou ao fim e, involuntariamente, meu coração
aperta ao lembrar. Assisti ao último essa madrugada, no cinema.
Eu e meu companheiro de sempre (pelo menos para essa obra)
Marlon Tolksdorf, meu irmão. Odiávamos juntos e começamos
a gostar juntos, e pelo menos nisso fomos unidos.
Foi espetacular. Me arrepiei a cada descoberta, como havia
de ser, e me senti vazio quando acabou, como esperei que seria.
Me pergunto "e agora?" não porque desgostei da vida, ou isso
tinha importância essencial pra mim, e não sei o que vou fazer
e vou me trancar no quarto por dias, mas me pergunto "e agora?"
porque, de certa forma, algo acabou dentro de mim. Algo que era
grande, um fanatismo não exagerado, mas muito forte. Não há
mais o que acompanhar, e já conheço o fim da série. Não há mais
para onde segui-los, mesmo que eles não existam de verdade, nem
mais perguntas pra me fazer sobre eles, mas eu sei que cada segundo
valeu à pena. Cada filme que assisti, cada livro que li, cada pessoa que
conheci, cada ano que passei, valeram à pena.
Harry Potter, o que eu odiava no começo, e que hoje é parte
da minha história, acabou hoje.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Nem liga, guria

Nem liga, guria, se eu já não sei disfarçar, se eu já cansei de esconder que era fácil de achar.
Se a gente entendesse que há um ciclo no amor, começa pela cura, mas termina com a dor, a nossa cama pra sempre estaria vazia.Nem liga, guria, se a minha voz acabar, sei que tu já me sacou sem eu precisar falar.
Nem liga, guria, não vou poder te atender, tô encontrando em minha vida um canto só pra você. Se a gente já soubesse como vai ser a viagem não perderia tanto tempo com bobagem,
e o meu peito poderia muito bem ser a tua moradia. E finjo que acredito no que dizem sobre o amor. Vê se não fica assustada quando eu digo, eu nunca fui daqueles que fazem sentido.
Amanheceu, e eu deveria estar dormindo, mas estes versos são palavras explodindo, e, no teu colo, um dia, elas vão cair, e aonde isso vai dar, não cabe a nós decidir.
6h34 - Visconde
liga, guria, se eu penso em coisas sem sentido, se eu pareço obsessivo, se às vezes eu tenho medo de tudo. Se tu pára pra pensar no nome dos meus livros, tu entende que minha cabeça é uma bagunça. Toda obsessiva, toda paranoica, uma cabeça virada em ruínas. Nem liga, guria, se eu sumir de vez em quando, se eu for negativo de vez em quando. Quando eu digo que não penso em ti é porque eu to pensando em ti o tempo todo, e quando eu tento te afastar é pra te poupar de um problema em proporções iguais. É porque eu te quero aqui o tempo inteiro, pra sempre. Eu não quero metade tua, eu te quero inteira, assim como não quero que tu pegue metade minha. Ou é tudo ou não é nada. Quero teus problemas também, dividir os teus enquanto tu divide os meus. Nem liga, guria, se eu sou um labirinto de negativismo e pensamentos sem sentido, e eu também não ligo, porque tu também é assim. Tô encontrando em minha vida um canto só pra você.
terça-feira, 12 de julho de 2011

Não há lugar pra fugir, não há ninguém
pra culpar, não há frases que definam
nem livros, músicas ou pessoas que distraiam.
É isso, e vai ser isso até o fim. Mesmo que o fim
seja amanhã ou daqui à cinquenta anos. Eu
entrei nessa e conheci as condições. Nunca disse
ou achei que seria fácil, e vou continuar até
perceber que não to indo pra lugar nenhum, ou
mesmo quando reparar que não to indo pra lugar
nenhum. Não faz diferença se me faz sorrir. Não
me importa. Todos dizem que não vale à pena, e
sempre que comento alguma coisa que me deixou
abalado dizem "eu te avisei". Mas não faz diferença
nenhuma. Eu sorrio quando tudo está bem, e é o
único (ou um dos únicos) motivos verdadeiros de
um dos meus sorrisos sinceros.
Não sei mais o que dizer, não tenho mais nada pra
dizer. Não sei se tem futuro, mas não me arrependo
desse passado. É o que nós somos. Nós somos assim.
Você aí, eu aqui, eu aí, você também. Juntos ou
distantes. É o que nós somos.
Nunca disse 'eu te amo' pra mais ninguém.
quando me virem sorrindo e falando demais
ela: Queria que as coisas fossem mais simples.
eu: Sobre o quê?
ela: Sobre nós.
eu: Poderia ser, poderia ser muito simples. Eu aqui,
te amando, tu aí, me amando. Eu digo que vou,
tu diz que espera. Eu digo que volto, tu sente saudades.
Eu sinto, tu sente, só isso.
ela: Não acho que seja fácil, e não sei por que também.
Sou uma confusão.
eu: Eu topo esse desafio.
(- eu te amo. - eu também te amo)
Eu nunca falo tanto quando não é com ela.
eu: Sobre o quê?
ela: Sobre nós.
eu: Poderia ser, poderia ser muito simples. Eu aqui,
te amando, tu aí, me amando. Eu digo que vou,
tu diz que espera. Eu digo que volto, tu sente saudades.
Eu sinto, tu sente, só isso.
ela: Não acho que seja fácil, e não sei por que também.
Sou uma confusão.
eu: Eu topo esse desafio.
(- eu te amo. - eu também te amo)
Eu nunca falo tanto quando não é com ela.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
sobre rotina
Coisas pra acertar, amigos pra encontrar,
feridas pra sarar e rotinas pra quebrar.
Esses vão ser meus dias daqui pra frente,
e espero, pelo menos nisso, ter sucesso.
Quebrar rotinas, sair do piloto automático.
Isso pode ser saudável, isso pode ajudar.
Não que eu queira conhecer gente nova, é
a última coisa que quero no momento, de
verdade, mas preciso mudar os limites.
Traçar novas linhas, ou simplesmente apagá-
las.
feridas pra sarar e rotinas pra quebrar.
Esses vão ser meus dias daqui pra frente,
e espero, pelo menos nisso, ter sucesso.
Quebrar rotinas, sair do piloto automático.
Isso pode ser saudável, isso pode ajudar.
Não que eu queira conhecer gente nova, é
a última coisa que quero no momento, de
verdade, mas preciso mudar os limites.
Traçar novas linhas, ou simplesmente apagá-
las.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
constante ausência de reciprocidade
- Oi!
- Oi.
- Tudo bem com você?
- Tudo. E contigo?
- Tudo sim. Vi as fotos da sua namorada,
ela é muito linda.
- Porra, já falei que ela não é minha namorada.
- Ah... ainda bem. Mas ela é muito linda.
- É, devo ter bom gosto. Ou sou louco.
- Por que "louco"?
- Por que "ainda bem"?
- Perguntei primeiro.
- Não tenho resposta. Tua vez.
- Por que você tá solteiro.
- Isso não faz diferença. Vou continuar o mesmo.
Vou continuar sozinho.
- Tá sozinho por que quer.
- "Porque" de resposta é junto. É separado [por que]
se for pergunta.
- Tá, professor. tá sozinho porque quer.
- Por quê?
- Porque tem muita gente que gosta de você. Eu por exemplo.
- Ninguém que eu queira.
- E por que você quer ela?
- Não sei o que quero.
- Tá na hora de saber.
- Então tá. Não vai mudar nada mesmo.
- Poderia se você quisesse!
- Não gosto de você.
- Quer que eu comece a falar tu?
- Não, ia ficar estranho pra ti.
- Ia mesmo, mas eu posso tentar.
- Não, não tenta. Tenho que ir, tchau.
- Tchau, beijos! Se cuida!
- Sempre me cuido.
- Oi.
- Tudo bem com você?
- Tudo. E contigo?
- Tudo sim. Vi as fotos da sua namorada,
ela é muito linda.
- Porra, já falei que ela não é minha namorada.
- Ah... ainda bem. Mas ela é muito linda.
- É, devo ter bom gosto. Ou sou louco.
- Por que "louco"?
- Por que "ainda bem"?
- Perguntei primeiro.
- Não tenho resposta. Tua vez.
- Por que você tá solteiro.
- Isso não faz diferença. Vou continuar o mesmo.
Vou continuar sozinho.
- Tá sozinho por que quer.
- "Porque" de resposta é junto. É separado [por que]
se for pergunta.
- Tá, professor. tá sozinho porque quer.
- Por quê?
- Porque tem muita gente que gosta de você. Eu por exemplo.
- Ninguém que eu queira.
- E por que você quer ela?
- Não sei o que quero.
- Tá na hora de saber.
- Então tá. Não vai mudar nada mesmo.
- Poderia se você quisesse!
- Não gosto de você.
- Quer que eu comece a falar tu?
- Não, ia ficar estranho pra ti.
- Ia mesmo, mas eu posso tentar.
- Não, não tenta. Tenho que ir, tchau.
- Tchau, beijos! Se cuida!
- Sempre me cuido.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Mesmo que eu pudesse controlar a minha
raiva, mesmo que eu quisesse conviver com
a minha dor, nada sairia do lugar que já
estava, não seria nada diferente do que sou.
Não quero que me veja, não quero que me
chame, não quero que me diga, não quero
que reclame. Eu espero que você entenda
bem: eu não gosto de ninguém!
[Matanza]
raiva, mesmo que eu quisesse conviver com
a minha dor, nada sairia do lugar que já
estava, não seria nada diferente do que sou.
Não quero que me veja, não quero que me
chame, não quero que me diga, não quero
que reclame. Eu espero que você entenda
bem: eu não gosto de ninguém!
[Matanza]
sobre ser do Sul
Dia 5 de julho de 2011, século XXI d.C.,
são 08:18 da manhã. Faz 1 grau Celsius
em Porto Alegre.
Quando eu era criança devo ter presenciado
temperaturas tão baixas assim, mesmo que
eu não me recorde e só possa lembrar por fotos
bem agasalhado, debaixo de cobertores ou
vídeos da família. Não me lembrava como era
sentir tanto frio, e meu Deus... como é bom!
Lembro-me que desde criança eu era apaixonado
pelo frio, pela sensação de congelamento, pela
sensação de limpeza. E não me lembro de ter
sentido tanto frio assim. Eu tinha saudades dele.
Bem-vindo inverno, venha pra ficar, mesmo que
os fracos e sujos protestem pra que você vá embora.
são 08:18 da manhã. Faz 1 grau Celsius
em Porto Alegre.
Quando eu era criança devo ter presenciado
temperaturas tão baixas assim, mesmo que
eu não me recorde e só possa lembrar por fotos
bem agasalhado, debaixo de cobertores ou
vídeos da família. Não me lembrava como era
sentir tanto frio, e meu Deus... como é bom!
Lembro-me que desde criança eu era apaixonado
pelo frio, pela sensação de congelamento, pela
sensação de limpeza. E não me lembro de ter
sentido tanto frio assim. Eu tinha saudades dele.
Bem-vindo inverno, venha pra ficar, mesmo que
os fracos e sujos protestem pra que você vá embora.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
por que faz perguntas das quais já sabe as respostas?
- Oi.
- Oi.
- Como você tá?
- Eu to bem. Vivendo, como sempre. E tu?
- To bem também. Como tá com a namorada?
- Ela não é minha namorada.
- Mas é alguma coisa.
- Não sei o que é, o que foi e o que vai ser. Por que
tu insiste em perguntar dela se tu não gosta de falar
nela?
- Tá bom, não falo mais.
- E tu, como tá o namorado?
- Tá bem também.
- Ótimo!
- Tu tá feliz mesmo?
- Não.
- Por quê? Terminaram?
- Como assim? Nunca começamos.
- E por quê?
- É tudo químico. Assim como remédios, drogas, e essa
merda toda. Não dá pra entender.
- Não entendo o que tu quer dizer.
- Nem eu.
- Tu gostava dela né?
- Gosto.
- Pena, pena mesmo. Eu gosto de ti cara.
- Não precisa me lembrar.
- Preciso sim.
- Beleza. Tenho que ir agora.
- Tá bom, tchau.
- Tchau.
- Nos vemos por aí.
- Mesmo que eu não queira.
- Oi.
- Como você tá?
- Eu to bem. Vivendo, como sempre. E tu?
- To bem também. Como tá com a namorada?
- Ela não é minha namorada.
- Mas é alguma coisa.
- Não sei o que é, o que foi e o que vai ser. Por que
tu insiste em perguntar dela se tu não gosta de falar
nela?
- Tá bom, não falo mais.
- E tu, como tá o namorado?
- Tá bem também.
- Ótimo!
- Tu tá feliz mesmo?
- Não.
- Por quê? Terminaram?
- Como assim? Nunca começamos.
- E por quê?
- É tudo químico. Assim como remédios, drogas, e essa
merda toda. Não dá pra entender.
- Não entendo o que tu quer dizer.
- Nem eu.
- Tu gostava dela né?
- Gosto.
- Pena, pena mesmo. Eu gosto de ti cara.
- Não precisa me lembrar.
- Preciso sim.
- Beleza. Tenho que ir agora.
- Tá bom, tchau.
- Tchau.
- Nos vemos por aí.
- Mesmo que eu não queira.
Foi estranho o encontro.
Encontramo-nos na entrada da escola. Por
dois segundos de diferença quase passei por
ela sem vê-la. Não quis vê-la, nem faria
diferença na minha vida ou no meu dia, mas
foi aquela sensação de que havia algo errado
que me fez pensar, que fez meu coração
acelerar. Sei que ela também me viu, mesmo
disfarçando. Tenho quase certeza disso. Não
foi arrependimento o que eu senti. Nem culpa
nem nada parecido. Só um peso estranho
inchando meu peito. Algo que fiz errado. Algo
que me impediu de sorrir mais. De viver mais.
Um erro não muito distante. Algo que tornou
sorrisos em expressões preocupadas. Algo que
se fosse diferente me teria poupado mais
desgastes. Logo eu, que pensei ter finalmente
encontrado o caminho certo, e aberto mão de
coisas pequenas por uma coisa tão maior.
Eu olhei para o lado ainda quando virei para a
direita e ela para a esquerda no corredor. Não
que fizesse diferença, não que eu quisesse que
ela olhasse também. Ah, havia tanta coisa que
eu poderia ter feito... tanta coisa que eu poderia
ter poupado... mas não mais. Logo eu, que me
julguei sempre certo, e amei tanto a ponto de
anular a todo resto e até a própria razão.
Que seja. Comigo sempre foi ao contrário.
Kenneth Hutter [Igor Tolksdorf]
Encontramo-nos na entrada da escola. Por
dois segundos de diferença quase passei por
ela sem vê-la. Não quis vê-la, nem faria
diferença na minha vida ou no meu dia, mas
foi aquela sensação de que havia algo errado
que me fez pensar, que fez meu coração
acelerar. Sei que ela também me viu, mesmo
disfarçando. Tenho quase certeza disso. Não
foi arrependimento o que eu senti. Nem culpa
nem nada parecido. Só um peso estranho
inchando meu peito. Algo que fiz errado. Algo
que me impediu de sorrir mais. De viver mais.
Um erro não muito distante. Algo que tornou
sorrisos em expressões preocupadas. Algo que
se fosse diferente me teria poupado mais
desgastes. Logo eu, que pensei ter finalmente
encontrado o caminho certo, e aberto mão de
coisas pequenas por uma coisa tão maior.
Eu olhei para o lado ainda quando virei para a
direita e ela para a esquerda no corredor. Não
que fizesse diferença, não que eu quisesse que
ela olhasse também. Ah, havia tanta coisa que
eu poderia ter feito... tanta coisa que eu poderia
ter poupado... mas não mais. Logo eu, que me
julguei sempre certo, e amei tanto a ponto de
anular a todo resto e até a própria razão.
Que seja. Comigo sempre foi ao contrário.
Kenneth Hutter [Igor Tolksdorf]
sábado, 2 de julho de 2011
não leve em consideração, são quase 5h da manhã
Nem te importa se tudo o que tu tá vivendo
parece tão complicado agora. Nem te importa
se tudo o que tá passando parece partir teu
corpo em milhares de cortes. Não te importa,
de verdade, se tudo parece doer agora. Vai
passar. Eu achava que não ia, mas depois de
um tempo passa, tu nem percebe que passou,
e tu até sente saudade de como era. Eu tô
falando como se eu soubesse demais sobre
dor, eu, que durmo numa cama quentinha
toda noite, que sempre tenho comida na mesa,
eu, que tenho tudo. Mas a dor que eu falo não
é aquela, de quem dorme tremendo, com o
estômago roncando. Não é a tal dor física. A
dor que eu tô falando é outra. Outra que não
quero descrever. Sobre a qual não quero mais
falar. Cansei de remendar. Cansei de procurar.
Cansei de tudo isso. Cansei da dor, e cansei
da verdade.
É a última chance de fazer alguma coisa valer
a pena na vida. É a última chance de ganhar
tudo.
parece tão complicado agora. Nem te importa
se tudo o que tá passando parece partir teu
corpo em milhares de cortes. Não te importa,
de verdade, se tudo parece doer agora. Vai
passar. Eu achava que não ia, mas depois de
um tempo passa, tu nem percebe que passou,
e tu até sente saudade de como era. Eu tô
falando como se eu soubesse demais sobre
dor, eu, que durmo numa cama quentinha
toda noite, que sempre tenho comida na mesa,
eu, que tenho tudo. Mas a dor que eu falo não
é aquela, de quem dorme tremendo, com o
estômago roncando. Não é a tal dor física. A
dor que eu tô falando é outra. Outra que não
quero descrever. Sobre a qual não quero mais
falar. Cansei de remendar. Cansei de procurar.
Cansei de tudo isso. Cansei da dor, e cansei
da verdade.
É a última chance de fazer alguma coisa valer
a pena na vida. É a última chance de ganhar
tudo.
importante é irrelevante
Tô remendando tudo. Nem sei se tem mais como.
Sabe quando não tem mais espaço pra remendo?
Sabe quando não tem mais lugar pra machucados
novos, e não tem como remendar aqueles antigos,
que por incrível que pareça, ainda estão ali?
O que eu falo sobre remendos, é isso. Isso tudo.
Querer beijo, ganhar abraço. Reclamar do abraço, Ganhar
beijo. Um remendo. Não se ganha um beijo, nessas
circunstâncias. Mas não importa, comigo sempre
foi ao contrário. Eu sempre remendei as coisas,
pratos quebrados, taças quebradas. Nasci sem
firmeza nas mãos, talvez seja por isso. Nasci com
as mãos geladas e trêmulas, que não conseguem
segurar a prataria fina e cara que me vêm.
Eu tô remendando tudo, tudo de novo. E o desgaste
já é da rotina. O desgaste nem machuca mais.
Pra onde tu foi, guria, se não pra dentro do próprio
medo? Pra onde tu fugiu, e pra quê?
Sabe quando não tem mais espaço pra remendo?
Sabe quando não tem mais lugar pra machucados
novos, e não tem como remendar aqueles antigos,
que por incrível que pareça, ainda estão ali?
O que eu falo sobre remendos, é isso. Isso tudo.
Querer beijo, ganhar abraço. Reclamar do abraço, Ganhar
beijo. Um remendo. Não se ganha um beijo, nessas
circunstâncias. Mas não importa, comigo sempre
foi ao contrário. Eu sempre remendei as coisas,
pratos quebrados, taças quebradas. Nasci sem
firmeza nas mãos, talvez seja por isso. Nasci com
as mãos geladas e trêmulas, que não conseguem
segurar a prataria fina e cara que me vêm.
Eu tô remendando tudo, tudo de novo. E o desgaste
já é da rotina. O desgaste nem machuca mais.
Pra onde tu foi, guria, se não pra dentro do próprio
medo? Pra onde tu fugiu, e pra quê?
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