quinta-feira, 18 de julho de 2013

Schuldig.

Assinado meu atestado de fracasso, ando pé ante pé pra não acordar a má sorte, que já estava à espreita muito antes de eu sabê-la viva. Entendidos meus termos de marcado pelo agouro, torço manhã após manhã para que, ao finar do dia, eu guarde um sorriso no peito, e não outra poça de lágrimas a gelar-me a alma.
Então faço planos, marco horários, risco datas no calendário mental, e torço com a cabeça erguida para que, dessa vez, cada segundo valha a pena. O penar não é válido, e sou inimigo de todos os relógios. E que mal eu fiz para que se fizesse de mim semelhante chacota diante da sorte? Não programei corretamente o horário mental? Não risquei o calendário no dia certo? Não corri a plenos pulmões para chegar a tempo de ver teu sorriso feito diante de teu desejo de assistir à película de teu ídolo? O que fiz? O que me faltou? Deveria ter corrido mais? Deveria ter esmurrado algum responsável pela ausência de tempo?
Não há culpa em ser marcado pela sorte; sou o esquerdo [canhoto, é verdade], escolhido pelo anjo torto de Drummond a ser, como ele, gauche. Só quero doar a ti toda a fortuna que ainda me existe e que caiba em minha sorte ter.

É só pra isso que ainda vivo. Fora o viver, só existi, desde sempre.

Queira-me bem; só dessa vez.

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