terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Vírus.

Senti algo podre e malcheiroso escalando-me a garganta. Coçava como se eu fosse alérgico, se movia como se tivesse centenas de pernas. Pigarreei e tossi, tentei cuspi-lo, mas quanto mais eu o tentava pôr para fora, mais ele se fixava no interior de minha boca. Parecia que tentar livrar-me dele só me tornava sua vítima. Eu era, de fato, alérgico à sua presença. Ele se fixou em minha língua e a amorteceu. Abriu espaço entre meus dentes e tomou seu lugar em meus lábios. Senti toda a minha região bucal amortecida, e aquilo dominou-me como uma bactéria domina um hospedeiro.
Aquilo fedia.
Aquilo em nada se parecia comigo.
Aquilo era falso.
Aquilo, meu Deus, era um sorriso.

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