terça-feira, 28 de junho de 2011

sobre enviar cartas

Sou um cara que gosta de conversar por cartas.
Sou um cara que prefere cartas, apesar de não
precisar mais delas. Nasci junto com o Real, faltando
sete anos para o final do século e do milênio, não
presenciei a ditadura nem lutei por amor diante
de armas de fogo. Nunca escondi segredos de Estado
nem fiz parte de grupos revolucionários. Nunca mudei
nada ou tentei mudar nada. Nunca. Sempre fui indiferente,
Sou um filho da inclusão digital, onde num clique se
fala tudo o que quiser, e é recebido do outro lado
do mundo em um segundo. Nunca precisei, de
verdade, enviar uma carta na minha vida, não com
a presença do telefone, do email, desses meios
instantâneos de contato. Prefiro escrever cartas,
apesar de não precisar. É a sensação de escrever
palavra por palavra, de tocar, de perfumar, de
levar até o correio, da espera até que chegue, da
expectativa, do prazer da chegada.
Eu sou um cara que prefere cartas a emails.
É muito mais físico, com cartas. É muito mais
intenso, mais bonito, mais romântico, mas ver-
dadeiro. Você está tocando de verdade, você
está sentindo, saboreando cada palavra.
Nunca precisei escrever uma carta na minha
vida, mas adoro escrever cartas pra você.
Olha todo dia a caixa de correio, tem mais uma à caminho.

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