Saboreio cada momento da dor como se
ela fosse algo bom. Sinto cada corte como
se não fosse me destruir pouco a pouco.
Parece masoquismo, mas é só resistência.
Uma luta constante por um lugar que não
sei se vou conquistar, ou se já é meu.
A gente anda no escuro, pra quando for
luz, ser muito mais forte. A gente mastiga
o amargo, pra sentir ao máximo o doce.
Eu nunca gostei de sorrir, nem achei sorrisos
atraentes, mas eu adoro o seu sorriso. Sou
apaixonado pelo seu sorriso, e acho que só
por ele. Ele me lembra que eu também posso
sorrir às vezes.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
sobre remendos
E não adianta reclamar, porque se a gente reclama,
não vai ter vindo de coração. Não vai ter sido de
primeira, vai ter sido um remendo, mas o corte
vai continuar por debaixo. Remendos não mudam
muita coisa, só tapam a ferida, isso não quer dizer
que ela pare de doer, não quer dizer que pare de
existir, só não aparece mais, e é pra você esquecer
dela com o tempo, já que não a pode ver. Remendos
são mentiras.
Querer um beijo, ganhar um abraço. Reclamar do
abraço, e ganhar um beijo.
Isso é um remendo. Você não ganhou um beijo,
você pediu um beijo. Você ganhou um abraço, e
um corte também. Remende o corte. Isso é um
remendo.
não vai ter vindo de coração. Não vai ter sido de
primeira, vai ter sido um remendo, mas o corte
vai continuar por debaixo. Remendos não mudam
muita coisa, só tapam a ferida, isso não quer dizer
que ela pare de doer, não quer dizer que pare de
existir, só não aparece mais, e é pra você esquecer
dela com o tempo, já que não a pode ver. Remendos
são mentiras.
Querer um beijo, ganhar um abraço. Reclamar do
abraço, e ganhar um beijo.
Isso é um remendo. Você não ganhou um beijo,
você pediu um beijo. Você ganhou um abraço, e
um corte também. Remende o corte. Isso é um
remendo.
terça-feira, 28 de junho de 2011
sobre enviar cartas
Sou um cara que gosta de conversar por cartas.
Sou um cara que prefere cartas, apesar de não
precisar mais delas. Nasci junto com o Real, faltando
sete anos para o final do século e do milênio, não
presenciei a ditadura nem lutei por amor diante
de armas de fogo. Nunca escondi segredos de Estado
nem fiz parte de grupos revolucionários. Nunca mudei
nada ou tentei mudar nada. Nunca. Sempre fui indiferente,
Sou um filho da inclusão digital, onde num clique se
fala tudo o que quiser, e é recebido do outro lado
do mundo em um segundo. Nunca precisei, de
verdade, enviar uma carta na minha vida, não com
a presença do telefone, do email, desses meios
instantâneos de contato. Prefiro escrever cartas,
apesar de não precisar. É a sensação de escrever
palavra por palavra, de tocar, de perfumar, de
levar até o correio, da espera até que chegue, da
expectativa, do prazer da chegada.
Eu sou um cara que prefere cartas a emails.
É muito mais físico, com cartas. É muito mais
intenso, mais bonito, mais romântico, mas ver-
dadeiro. Você está tocando de verdade, você
está sentindo, saboreando cada palavra.
Nunca precisei escrever uma carta na minha
vida, mas adoro escrever cartas pra você.
Olha todo dia a caixa de correio, tem mais uma à caminho.
Sou um cara que prefere cartas, apesar de não
precisar mais delas. Nasci junto com o Real, faltando
sete anos para o final do século e do milênio, não
presenciei a ditadura nem lutei por amor diante
de armas de fogo. Nunca escondi segredos de Estado
nem fiz parte de grupos revolucionários. Nunca mudei
nada ou tentei mudar nada. Nunca. Sempre fui indiferente,
Sou um filho da inclusão digital, onde num clique se
fala tudo o que quiser, e é recebido do outro lado
do mundo em um segundo. Nunca precisei, de
verdade, enviar uma carta na minha vida, não com
a presença do telefone, do email, desses meios
instantâneos de contato. Prefiro escrever cartas,
apesar de não precisar. É a sensação de escrever
palavra por palavra, de tocar, de perfumar, de
levar até o correio, da espera até que chegue, da
expectativa, do prazer da chegada.
Eu sou um cara que prefere cartas a emails.
É muito mais físico, com cartas. É muito mais
intenso, mais bonito, mais romântico, mas ver-
dadeiro. Você está tocando de verdade, você
está sentindo, saboreando cada palavra.
Nunca precisei escrever uma carta na minha
vida, mas adoro escrever cartas pra você.
Olha todo dia a caixa de correio, tem mais uma à caminho.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
dica
Tudo é uma forma de expressão em mim.
Uma imagem que eu troco, uma frase que
eu atualizo, uma risada diferente, um jeito
diferente de digitar, um jeito diferente de
reagir às coisas.
Tudo!
Cada foto expressa alguma coisa. Uma foto
sorrindo, uma foto escondida, uma foto que
nem é minha. Uma frase minha, uma frase
que não é minha, tudo. Quase sempre. Uma
forma de expressar pelas entrelinhas o que
eu to sentindo no momento. Vai entender.
Uma imagem que eu troco, uma frase que
eu atualizo, uma risada diferente, um jeito
diferente de digitar, um jeito diferente de
reagir às coisas.
Tudo!
Cada foto expressa alguma coisa. Uma foto
sorrindo, uma foto escondida, uma foto que
nem é minha. Uma frase minha, uma frase
que não é minha, tudo. Quase sempre. Uma
forma de expressar pelas entrelinhas o que
eu to sentindo no momento. Vai entender.
7º Celsius em Porto Alegre.
O dia mais frio do ano, até então. O dia mais lindo do ano,
até então. Vinha da escola, e o vento surrou meu rosto de
forma quase poética. Não senti minhas mãos. Me faltou
o ar. Não consegui falar direito com meu colega, que estava
voltando pra casa comigo. Me senti o verdadeiro Kenneth
Hutter, se é que alguém sabe do que estou falando (Obsessão,
minha primeira obra terminada). O céu me lembrou um pôr-
do-sol que passei uma vez, em Caxias do Sul. Vanilla Sky?
E as pessoas não me entendiam, achavam que eu não fazia
sentido, quando dizia: "e quero que fique ainda mais frio que
isso". Quero mesmo. Quero graus negativos, quero neve, quero
que tudo isso congele. Quero de verdade, e quero muito. Posso
ser insano, mas sou apaixonado perdidamente pelo frio absoluto.
Caxias me cabe bem, eu acho.
Olha eu, falando nas entrelinhas de novo.
O dia mais frio do ano, até então. O dia mais lindo do ano,
até então. Vinha da escola, e o vento surrou meu rosto de
forma quase poética. Não senti minhas mãos. Me faltou
o ar. Não consegui falar direito com meu colega, que estava
voltando pra casa comigo. Me senti o verdadeiro Kenneth
Hutter, se é que alguém sabe do que estou falando (Obsessão,
minha primeira obra terminada). O céu me lembrou um pôr-
do-sol que passei uma vez, em Caxias do Sul. Vanilla Sky?
E as pessoas não me entendiam, achavam que eu não fazia
sentido, quando dizia: "e quero que fique ainda mais frio que
isso". Quero mesmo. Quero graus negativos, quero neve, quero
que tudo isso congele. Quero de verdade, e quero muito. Posso
ser insano, mas sou apaixonado perdidamente pelo frio absoluto.
Caxias me cabe bem, eu acho.
Olha eu, falando nas entrelinhas de novo.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
"Toda vez que toca o telefone eu penso que é você.
Toda noite de insônia eu penso em te escrever, pra
dizer que teu silêncio me agride, e não me agrada
ser um calendário do ano passado, pra dizer que
teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança
depois que a música parou.
Toda vez que toca o telefone eu penso que é você,
toda noite de insônia eu penso em te escrever, escrever
uma carta definitiva, que não dê alternativa pra quem lê,
te chamar de carta fora do baralho, descartar, embaralhar
você e fazer você voltar ao tempo em que nada nos
dividia, havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais,
era perfeita simetria, éramos duas metades iguais."
Perfeita Simetria - Engenheiros do Hawaii
Toda noite de insônia eu penso em te escrever, pra
dizer que teu silêncio me agride, e não me agrada
ser um calendário do ano passado, pra dizer que
teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança
depois que a música parou.
Toda vez que toca o telefone eu penso que é você,
toda noite de insônia eu penso em te escrever, escrever
uma carta definitiva, que não dê alternativa pra quem lê,
te chamar de carta fora do baralho, descartar, embaralhar
você e fazer você voltar ao tempo em que nada nos
dividia, havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais,
era perfeita simetria, éramos duas metades iguais."
Perfeita Simetria - Engenheiros do Hawaii
quarta-feira, 15 de junho de 2011
que horas são?
Quando a noite chega, eu não sei por que, as dores
se acentuam. O corpo fica mais pesado, a mente fica
mais pesada, a vida fica mais pesada. Os olhos
parecem mais propensos à chorar, a vida parece
estar querendo ser deixada de lado. Leio e releio
tudo o que foi dito entre duas pessoas, e aí é pior.
Hoje é dias 16 de junho de 2011, são 2:39 da manhã,
e estou escrevendo compulsivamente um monte
de besteira em um monte de lugares. Estou sozinho
em casa; meus pais foram viajar e meu irmão está
no outro quarto. Amanhã ele também parte, e eu
vou ficar sozinho de verdade. Não, adolescentes felizes,
não estou feliz por ficar sozinho em casa e poder dar
'aquela festa'. Quero o abraço do meu pai, o beijo da
minha mãe, a gargalhada do meu irmão.
Quero a Juliane.
Quero tudo o que me faz falta. Tudo o que me dá
saudade. Quero parar de escrever pra me sentir melhor.
Quero parar de reler conversas de tempos melhores, e
querer voltar, ou tornar o ontem hoje. Quero tudo isso.
Quero muito mais, e não quero pela metade. Quero ouvir
as frases simples de novo. Aquelas que não existem mais,
e que faziam tanta diferença. Parar de me conformar,
parar de... parar. Parar de sentir saudade mesmo durante
a conversa. Parar de sentir saudade, mesmo estando você
ali. Quero continuar sendo forte; oh, isso eu consigo.
Isso eu tenho certeza, nisso eu vou continuar.
Quando a noite chega é assim porque a gente não consegue
pensar em outra coisa. A cabeça pende só pra um lado.
A gente fica sozinho. A gente quer o que faz bem. Sim,
queremos o tempo todo, mas quando estamos só nós,
queremos mais ainda.
Cara, o que eu to fazendo aqui?
2:46 da manhã.
Pode rir agora. Estou delirando? Ou finalmente raciocinando
direito? Estou sozinho. A gente se acostuma, nem faz
mais diferença. Sim, faz muita diferença, e não se acostuma
com esse tipo de coisa. Vai ver já esqueci quem eu sou. Vai
ver estou me tornando você.
Como? Do que estou falando?
2:50 da manhã.
Boa-noite ou bom-dia?
- Igor Tolksdorf
se acentuam. O corpo fica mais pesado, a mente fica
mais pesada, a vida fica mais pesada. Os olhos
parecem mais propensos à chorar, a vida parece
estar querendo ser deixada de lado. Leio e releio
tudo o que foi dito entre duas pessoas, e aí é pior.
Hoje é dias 16 de junho de 2011, são 2:39 da manhã,
e estou escrevendo compulsivamente um monte
de besteira em um monte de lugares. Estou sozinho
em casa; meus pais foram viajar e meu irmão está
no outro quarto. Amanhã ele também parte, e eu
vou ficar sozinho de verdade. Não, adolescentes felizes,
não estou feliz por ficar sozinho em casa e poder dar
'aquela festa'. Quero o abraço do meu pai, o beijo da
minha mãe, a gargalhada do meu irmão.
Quero a Juliane.
Quero tudo o que me faz falta. Tudo o que me dá
saudade. Quero parar de escrever pra me sentir melhor.
Quero parar de reler conversas de tempos melhores, e
querer voltar, ou tornar o ontem hoje. Quero tudo isso.
Quero muito mais, e não quero pela metade. Quero ouvir
as frases simples de novo. Aquelas que não existem mais,
e que faziam tanta diferença. Parar de me conformar,
parar de... parar. Parar de sentir saudade mesmo durante
a conversa. Parar de sentir saudade, mesmo estando você
ali. Quero continuar sendo forte; oh, isso eu consigo.
Isso eu tenho certeza, nisso eu vou continuar.
Quando a noite chega é assim porque a gente não consegue
pensar em outra coisa. A cabeça pende só pra um lado.
A gente fica sozinho. A gente quer o que faz bem. Sim,
queremos o tempo todo, mas quando estamos só nós,
queremos mais ainda.
Cara, o que eu to fazendo aqui?
2:46 da manhã.
Pode rir agora. Estou delirando? Ou finalmente raciocinando
direito? Estou sozinho. A gente se acostuma, nem faz
mais diferença. Sim, faz muita diferença, e não se acostuma
com esse tipo de coisa. Vai ver já esqueci quem eu sou. Vai
ver estou me tornando você.
Como? Do que estou falando?
2:50 da manhã.
Boa-noite ou bom-dia?
- Igor Tolksdorf
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sobre não mudar nada
Temos todos um pouco de egoísmo dentro de nós mesmos.
Somos todos um pouco mentirosos, mesmo que dificilmente
contemos alguma mentira. Somos todos um pouco ruins,
alguns muito mais, é claro. Eu tô cansado, muito cansado.
Não sei mais o que eu tô fazendo aqui.
Já falei tanto, tanto, tanto.
Já escrevi tanto pra mostrar. Já escrevi tanto.
O que eu escrevo não me faz mais sentido, quando
não muda nada.
Já falei tudo o que consegui, e não mudou nada. Acho que
essa é a pior parte. Não conseguir mudar nada. Eu falei muito
do que mantinha preso aqui dentro; eu marquei coisas, eu
procurei coisas, eu guardei coisas. Não mudou nada. E agora?
Pra onde eu to indo agora? Quem eu vou chamar? Pra onde
eu vou agora? Eu tô perdido, mas tô até o fim.
Somos todos um pouco mentirosos, mesmo que dificilmente
contemos alguma mentira. Somos todos um pouco ruins,
alguns muito mais, é claro. Eu tô cansado, muito cansado.
Não sei mais o que eu tô fazendo aqui.
Já falei tanto, tanto, tanto.
Já escrevi tanto pra mostrar. Já escrevi tanto.
O que eu escrevo não me faz mais sentido, quando
não muda nada.
Já falei tudo o que consegui, e não mudou nada. Acho que
essa é a pior parte. Não conseguir mudar nada. Eu falei muito
do que mantinha preso aqui dentro; eu marquei coisas, eu
procurei coisas, eu guardei coisas. Não mudou nada. E agora?
Pra onde eu to indo agora? Quem eu vou chamar? Pra onde
eu vou agora? Eu tô perdido, mas tô até o fim.
sobre seus atalhos quebradiços
Faz sentido? Não, não faz sentido nenhum.
Acho que passei uma noite inteira procurando
algum sentido, pensando no sentido que eu
via (fingia ver). Eu não quero tornar esse blog
um diário imbecil e afeminado, mas preciso
falar, nem que seja pra mim mesmo de forma
pública.
Não, não faz sentido. Não, não é fácil. Não,
não vem sendo bom. Seria um atalho desistir,
o caminho fácil desistir. Seria doce desistir.
Seria sim. Foda-se o fácil, o doce. Foda-se,
os atalhos podem foder com seu automóvel.
Podem ser estradas mais perigosas do que
as mais longas. Podem enganar você por serem
mais fáceis. Sai pior no final. Não pegue os
atalhos. Se você acha que é certo, vá até o fim,
até aguentar, e no meu caso, até onde não
aguenta mais. Vá rastejando, mas vá. Enquanto
estiver vivo, enquanto ver que ainda dá pra ir,
vá. Mesmo que não veja mais sentido nenhum,
mesmo que esteja começando a achar que não
tem futuro nenhum, e que não tem mais graça
nenhuma tentar. Vá mesmo que não entenda.
Vá, porque já chegou até aqui. Vá porque já
está envolvido demais. Vá porque consegue
enxergar as qualidades nos piores defeitos. Eu
tô seguindo por aqui. Tá difícil, tá mesmo, mas
e daí? Seria a mesma coisa com ou sem. Seria
difícil do mesmo jeito. Tô aqui até o fim.
Acho que passei uma noite inteira procurando
algum sentido, pensando no sentido que eu
via (fingia ver). Eu não quero tornar esse blog
um diário imbecil e afeminado, mas preciso
falar, nem que seja pra mim mesmo de forma
pública.
Não, não faz sentido. Não, não é fácil. Não,
não vem sendo bom. Seria um atalho desistir,
o caminho fácil desistir. Seria doce desistir.
Seria sim. Foda-se o fácil, o doce. Foda-se,
os atalhos podem foder com seu automóvel.
Podem ser estradas mais perigosas do que
as mais longas. Podem enganar você por serem
mais fáceis. Sai pior no final. Não pegue os
atalhos. Se você acha que é certo, vá até o fim,
até aguentar, e no meu caso, até onde não
aguenta mais. Vá rastejando, mas vá. Enquanto
estiver vivo, enquanto ver que ainda dá pra ir,
vá. Mesmo que não veja mais sentido nenhum,
mesmo que esteja começando a achar que não
tem futuro nenhum, e que não tem mais graça
nenhuma tentar. Vá mesmo que não entenda.
Vá, porque já chegou até aqui. Vá porque já
está envolvido demais. Vá porque consegue
enxergar as qualidades nos piores defeitos. Eu
tô seguindo por aqui. Tá difícil, tá mesmo, mas
e daí? Seria a mesma coisa com ou sem. Seria
difícil do mesmo jeito. Tô aqui até o fim.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
sobre mim e sobre você(?)
Como você vai? Como tem passado? Onde esteve?
Eu me lembro de você todo dia. Eu penso em você
todo dia. Eu sou paranoico e fico preocupado com
qualquer vírgula a mais que você põe numa frase.
Não quero perguntar o que a frase quer dizer, tenho
medo de descobrir.
Como você vai? Como vão os dias frios por aí? Aqui
tá na mesma. Onde esteve? Eu estive por aqui,
pensando em como sou esperançoso.
Eu ainda me lembro de tudo. Eu ainda te quero.
Eu ainda acho que pode ser ótimo. Não, não sou um
cão sem dono, só um cara que acredita nas suas
qualidades. Conhece seus defeitos, mas não liga.
Caminho sozinho só pra pensar bem. Adoro ir pro
telhado da casa, porque de lá a cidade parece mais
bonita, mesmo sendo horrorosa. Lá eu faço de conta
que você está do meu lado. É lá que muitas vezes
crio essas bobagens que escrevo.
Oi, como você vai? Como tem passado? Pensa em mim?
Oh, eu também.
Eu me lembro de você todo dia. Eu penso em você
todo dia. Eu sou paranoico e fico preocupado com
qualquer vírgula a mais que você põe numa frase.
Não quero perguntar o que a frase quer dizer, tenho
medo de descobrir.
Como você vai? Como vão os dias frios por aí? Aqui
tá na mesma. Onde esteve? Eu estive por aqui,
pensando em como sou esperançoso.
Eu ainda me lembro de tudo. Eu ainda te quero.
Eu ainda acho que pode ser ótimo. Não, não sou um
cão sem dono, só um cara que acredita nas suas
qualidades. Conhece seus defeitos, mas não liga.
Caminho sozinho só pra pensar bem. Adoro ir pro
telhado da casa, porque de lá a cidade parece mais
bonita, mesmo sendo horrorosa. Lá eu faço de conta
que você está do meu lado. É lá que muitas vezes
crio essas bobagens que escrevo.
Oi, como você vai? Como tem passado? Pensa em mim?
Oh, eu também.
sobre a vida
Acordo, quero continuar deitado mas levanto.
Tomo meu Nescau diário, uma torrada, lavo
o rosto, arrumo o cabelo e saio de casa. Escola.
Os mesmos rostos, o mesmo cansaço, o mesmo
sono, as mesmas obrigações. Recreio, ok, às
vezes é legal. Saio da escola, chego em casa,
checo tudo o que tenho pra checar aqui, e tenho
a sensação de que o dia ainda nem começou. Na
verdade ele já está acabando. Na verdade não
é nem segunda-feira, é sexta. Onde foi parar
o sábado? Já é noite de domingo. Onde foi
parar a porra da tarde de domingo? Espere,
é manhã de segunda, e essa demora. Todo dia
pensando na mesma coisa, as mesmas coisas,
as mesmas preocupações, planos, sonhos, cheiros,
roupas, lugares. O cérebro já está no piloto
automático. Já faz as funções sem nem eu querer.
Já vai automaticamente para os mesmos cômodos,
dá oi automaticamente para as mesmas pessoas.
Mais tarde nem vou lembrar que as vi, porque não
fui eu, foi meu cérebro. Já é quarta, temos
matemática, droga. É sexta, yeah! Amanhã será
um fim-de-semana e tanto! Não foi. Dormi, acordei,
dormi, acordei, é segunda. Tudo de novo. Igual.
Igual. Igual. Se alimentando de esperanças que só
lhe deixam na vontade. Você já tem dezessete anos,
você já tem barba, e parece que há poucos dias
brincava de Frodo e Sam com seu primo. De Age
e Corvo com ele. Parece que ontem ia à casa dele
brincar de massinha de modelar, mas veja, ele se
mudou e te esqueceu, e você nem dá falta. Você
já está no último ano do Ensino Médio, vai se formar,
e não vai lembrar de mais nada. Vai fazer alguma coisa
depois, estudar mais ou começar a trabalhar. E pra
quê? E os seus sonhos? Ficaram na adolescência. Você
vai rir de si mesmo por isso. Por sonhar isso. Você
já tem dezessete anos e ainda sonha em ser um rockstar,
alguém famoso, alguém de quem as pessoas vão se
lembrar. Já tem barba e espinhas que acha que vão
sumir, mas só vão deixar cicatrizes. Cicatrizes que vão
ficar para sempre, como todo o resto, e você não vai
conseguir tirar porque não vai ter dinheiro. Veja só,
você já tem trinta anos e os dias ainda passam como
segundos e as semanas como dias. Tem um carro
semi-novo que ainda está parcelando. Não casou
com o amor de sua vida. Na verdade ela tem um
português horroroso e assiste à novela; na verdade
ela só reclama, e aquela primeira impressão já se foi
há muito tempo. Ela não gosta de ler, nem de música
boa, nem de filmes bons, nem é aquela que você
conheceu quando era adolescente, aquela sim, com
aquela você deveria ter se casado, mas ela não lhe
quis mais, sabe-se-lá por quê. Ela era perfeita,
e você, com trinta anos, barba por fazer, rugas
e mais marcas do estresse, ainda lembra dela, e
lembra como podia ter sido diferente. Acorda pela
manhã querendo continuar deitado e toma um café,
come talvez um ovo frito, e vai trabalhar. Agora é
trabalhar. Ainda vê mesmas pessoas, a segunda-feira
ainda é a mais lenta, e a semana ainda voa.
Você tem oitenta anos. Olha pra trás. Viveu o quê?
Você está acabado, meu amigo. Morra logo.
Você morre só aos noventa, só porque a vida é
filha da puta e quis te torrar o saco por mais dez anos.
Morto, você descansa. Morto, velho.
Não, esse não é o meu futuro, não, esse não é o meu
presente. Eu vou casar com o amor da minha vida,
vou morar na casa dos meus sonhos com o emprego
dos meus sonhos. Tenho dezessete anos, acredito no
amor e acredito, pelo menos por enquanto, naquela
bobagem de que se acredita, vai dar certo. Eu acredito.
E você?
Tomo meu Nescau diário, uma torrada, lavo
o rosto, arrumo o cabelo e saio de casa. Escola.
Os mesmos rostos, o mesmo cansaço, o mesmo
sono, as mesmas obrigações. Recreio, ok, às
vezes é legal. Saio da escola, chego em casa,
checo tudo o que tenho pra checar aqui, e tenho
a sensação de que o dia ainda nem começou. Na
verdade ele já está acabando. Na verdade não
é nem segunda-feira, é sexta. Onde foi parar
o sábado? Já é noite de domingo. Onde foi
parar a porra da tarde de domingo? Espere,
é manhã de segunda, e essa demora. Todo dia
pensando na mesma coisa, as mesmas coisas,
as mesmas preocupações, planos, sonhos, cheiros,
roupas, lugares. O cérebro já está no piloto
automático. Já faz as funções sem nem eu querer.
Já vai automaticamente para os mesmos cômodos,
dá oi automaticamente para as mesmas pessoas.
Mais tarde nem vou lembrar que as vi, porque não
fui eu, foi meu cérebro. Já é quarta, temos
matemática, droga. É sexta, yeah! Amanhã será
um fim-de-semana e tanto! Não foi. Dormi, acordei,
dormi, acordei, é segunda. Tudo de novo. Igual.
Igual. Igual. Se alimentando de esperanças que só
lhe deixam na vontade. Você já tem dezessete anos,
você já tem barba, e parece que há poucos dias
brincava de Frodo e Sam com seu primo. De Age
e Corvo com ele. Parece que ontem ia à casa dele
brincar de massinha de modelar, mas veja, ele se
mudou e te esqueceu, e você nem dá falta. Você
já está no último ano do Ensino Médio, vai se formar,
e não vai lembrar de mais nada. Vai fazer alguma coisa
depois, estudar mais ou começar a trabalhar. E pra
quê? E os seus sonhos? Ficaram na adolescência. Você
vai rir de si mesmo por isso. Por sonhar isso. Você
já tem dezessete anos e ainda sonha em ser um rockstar,
alguém famoso, alguém de quem as pessoas vão se
lembrar. Já tem barba e espinhas que acha que vão
sumir, mas só vão deixar cicatrizes. Cicatrizes que vão
ficar para sempre, como todo o resto, e você não vai
conseguir tirar porque não vai ter dinheiro. Veja só,
você já tem trinta anos e os dias ainda passam como
segundos e as semanas como dias. Tem um carro
semi-novo que ainda está parcelando. Não casou
com o amor de sua vida. Na verdade ela tem um
português horroroso e assiste à novela; na verdade
ela só reclama, e aquela primeira impressão já se foi
há muito tempo. Ela não gosta de ler, nem de música
boa, nem de filmes bons, nem é aquela que você
conheceu quando era adolescente, aquela sim, com
aquela você deveria ter se casado, mas ela não lhe
quis mais, sabe-se-lá por quê. Ela era perfeita,
e você, com trinta anos, barba por fazer, rugas
e mais marcas do estresse, ainda lembra dela, e
lembra como podia ter sido diferente. Acorda pela
manhã querendo continuar deitado e toma um café,
come talvez um ovo frito, e vai trabalhar. Agora é
trabalhar. Ainda vê mesmas pessoas, a segunda-feira
ainda é a mais lenta, e a semana ainda voa.
Você tem oitenta anos. Olha pra trás. Viveu o quê?
Você está acabado, meu amigo. Morra logo.
Você morre só aos noventa, só porque a vida é
filha da puta e quis te torrar o saco por mais dez anos.
Morto, você descansa. Morto, velho.
Não, esse não é o meu futuro, não, esse não é o meu
presente. Eu vou casar com o amor da minha vida,
vou morar na casa dos meus sonhos com o emprego
dos meus sonhos. Tenho dezessete anos, acredito no
amor e acredito, pelo menos por enquanto, naquela
bobagem de que se acredita, vai dar certo. Eu acredito.
E você?
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sobre incertezas
Aposto no incerto, no que não sei se vai longe, se
vai nascer, se vai durar anos ou minutos.
Aposto no incerto porque na minha concepção
ele é certo. Aposto no incerto porque é tudo o que
eu tenho, e é mais do que suficiente. Aposto porque
eu sinto nesse incerto coisas que nunca senti em
certeza alguma. Nessa distância, coisas que nunca
senti estando na presença de ninguém. Aposto
no vento, porque quando bato de frente com ele,
me sinto livre, limpo, leve. Sinto que voo. Sinto...
vida enfim. Aposto nesse incerto porque eu
simplesmente quis; não o entendendo, não o
decifrando por inteiro, mas o aceitando como incerteza,
como paixão, como alegria, consolo quando a tristeza
é mais forte; como uma grande quantidade de
felicidade.
É incerto, eu sei, é difícil, sei também,
sei muito pouco, mas bom... vale à pena sofrer
um pouquinho.
Vale à pena lutar pra sempre.
O incerto é certo quando acreditamos.
vai nascer, se vai durar anos ou minutos.
Aposto no incerto porque na minha concepção
ele é certo. Aposto no incerto porque é tudo o que
eu tenho, e é mais do que suficiente. Aposto porque
eu sinto nesse incerto coisas que nunca senti em
certeza alguma. Nessa distância, coisas que nunca
senti estando na presença de ninguém. Aposto
no vento, porque quando bato de frente com ele,
me sinto livre, limpo, leve. Sinto que voo. Sinto...
vida enfim. Aposto nesse incerto porque eu
simplesmente quis; não o entendendo, não o
decifrando por inteiro, mas o aceitando como incerteza,
como paixão, como alegria, consolo quando a tristeza
é mais forte; como uma grande quantidade de
felicidade.
É incerto, eu sei, é difícil, sei também,
sei muito pouco, mas bom... vale à pena sofrer
um pouquinho.
Vale à pena lutar pra sempre.
O incerto é certo quando acreditamos.
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