quinta-feira, 27 de junho de 2013

Chuva.

Eles olham pra ti como se te entendessem.
Eles não entendem nada.
Nem sabem teu nome. Ou teu signo. Ou o cheiro do teu perfume. Ou qual livro tu guarda debaixo do travesseiro. Nem sabem dos teus medos ou da ausência deles. Ou da tua banda favorita. Nem sabem quem é teu herói de quadrinhos favorito, ou que profissão tu escolheu seguir. Eles nem conhecem o verdadeiro som da tua voz.
Eles olham pra ti como se te entendessem. Mas ninguém entende.
Que teus gritos são pra dentro. Que tuas poças salgadas formadas pelo pranto se acumulam no interior da alma. Que não há som que cale teu grito interno. Ninguém entende que eu não posso controlar o tempo; e se o pudesse, não choveria tanto.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

(mu)deficiente.

- Muda.
- Como?
- É incapaz de falar.
- Mas é incapaz de mudar?
- Não, mudar ela pode.
- Então fala se quiser.
- Só não quer.
- Não quer o quê?
- Mudar.
- Porque é muda?
- Não, imutável.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Foco.

Compreendas que nem todo deslize é um fracasso; como quando omito algo de ti, e nem por isso fracasso em ser teu amante. Ou quando tu me perturbas a paz, e nem por isso fracassa em ser a melhor parte de mim. Nós somos parte de um todo, quando já é explícito para qualquer um que nos observa juntos, e a tua dor é a minha dor. Tua chateação é a minha chateação, e a minha tentativa de alegrá-la é mais que uma simples tentativa de alegrá-la: é trazer a paz pra ambos.

Tão estranhos são os amantes quando encontram suas almas completamente em sintonia; quando os sorrisos são dependentes um do outro; quando uma simples presença é capaz de mudar um dia. Quando a submissão deixa de ser um significado de desigualdade ou preconceito; quando um é submisso ao outro em harmonia.

Não entendas o tropeço como queda, meu bem, porque ninguém nasce sabendo tudo. Não subestime teu potencial de superação, ou de sucesso, ou qualquer potencial que tens; és maior que tudo o que te julgas incapaz. És a estrela que mais brilha no céu do meu espírito: e o meu sorriso mais sincero. E esse teu sucesso, o sucesso em me trazer à vida, o teu sucesso em me fazer feliz, o teu sucesso em tornar-me um homem pleno e nobre, jamais deve ser subestimado.
Feliz é o homem que faz feliz uma mulher. E feliz é a mulher que faz feliz um homem.
Felizes são ambos, quando vivem em harmonia plena.

O amor é tão bonito.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mesmo diante do furacão: tu.

Num momento à parte da minha vida; num momento politizado da minha vida; num momento que traz à tona todo o revolto eu que sempre esteve ali, herdeiro paterno; num momento altruísta;
mas mesmo assim...
Num momento em que gritava, rouco. Caminhava, de pés calejados. Que refletia e pensava no futuro da nação, mas sabe o mais curioso (e não fico surpreso)? Enquanto gritava, olhando pra frente e torcendo para não ser atingido por balas ou granadas, suspirava, olhando para a esquerda e enxergando a Redenção, lembrando de ti. Ou no retorno, pela Cidade Baixa, quando meu coração batia mais forte a cada segundo, porque a cada segundo, lembrava de ti. Ou mesmo nas ruas do centro, ou em qualquer rua daquele lado de Porto Alegre. Porque tu não me sai da cabeça mesmo diante do furacão.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Madrugada.

Caminha-se sozinho sobre uma densa névoa que cobre o horizonte diante de mim.
Os outros olhos, as outras almas, não entendem a dor.
Os outros corpos, as outras músicas, não compreendem.
Para todos é drama; para todos é teatro; para todos é um motivo a mais para se rir da tragédia.
Estou cansado.
Sinceramente cansado dos risos que fazem pouco caso do que sou por dentro.
Temo por mim: e se eu jamais for entendido, e dessa alma, nada for compartilhado?

Tenta-se ser o belo romance. O belo romance é razão de piada.
Tentam cortar meu cordão umbilical que liga minh'alma - cinza - com meu corpo - fosco.
Ora, não mudem a essência de um homem!
Oh, quão egoístas sois!?

Eu.

Matam em mim, pouco a pouco o pranto,
mal sabem quão belo é, e é ali que vive o canto,
sob a armadura do homem a dor é o manto,
Antes, e agora, tanto...

Dói morrer a dor.