Eles olham pra ti como se te entendessem.
Eles não entendem nada.
Nem sabem teu nome. Ou teu signo. Ou o cheiro do teu perfume. Ou qual livro tu guarda debaixo do travesseiro. Nem sabem dos teus medos ou da ausência deles. Ou da tua banda favorita. Nem sabem quem é teu herói de quadrinhos favorito, ou que profissão tu escolheu seguir. Eles nem conhecem o verdadeiro som da tua voz.
Eles olham pra ti como se te entendessem. Mas ninguém entende.
Que teus gritos são pra dentro. Que tuas poças salgadas formadas pelo pranto se acumulam no interior da alma. Que não há som que cale teu grito interno. Ninguém entende que eu não posso controlar o tempo; e se o pudesse, não choveria tanto.