terça-feira, 2 de abril de 2013

Moi [2].

Um dia você acorda e percebe que tudo o que é é insatisfatório; vago, malfeito, mórbido e insuficiente.
Um livro rasgado, manchado de café ou perfume; uma poesia incompleta sempre em prosa. Um olhar ignorado, um cabelo desgrenhado e um rosto manchado pelo tempo e pelo pecado. Amaldiçoado, cômico, lacônico. Cabisbaixo, sem futuro, sem dinheiro. Pulmões negros e alma que se redesenha, sem nunca ter uma definição, sem nunca escolher um lado. Bifurcado e ignorável.

É tão fácil escrever sobre si mesmo, só dando sinônimos pras mesmas bobagens.
Só definindo a palavra "infeliz" em várias orações.

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