quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eu.

Tu nem sabes da tempestade aqui dentro.
Tu nem sabes o quanto estás segura aí fora.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Se". [clichê]

 É ou foi?
Sou ou fui?
Sei-me ou soube-me?
Encontro-me ou encontrei-me?
Sozinho.

Sinto-me preso nessa energia estática que é a reclusão. Nesse calor frio que é trocar pessoas por palavras e peles por páginas. Como se fosse digno abandonar a prática da natureza humana para estuda-la na teoria. Como se fosse correto esquecer-se do mundo lá fora e ler sobre ele, como um ideal. É que o mundo, na prática, as coisas, as pessoas, os riscos, os sorrisos falsos, a facilidade para fazer o mal, tudo isso me apavora.
Então me escondi.

Então te achei.
Não, não te achei.
Por ti fui achado.

É, é por aí.
Então tu me achou, e nos perdemos juntos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ladrar dos cães.


Escuro. Suspeita. Sons estranhos pelo pátio.
Há ladrões no meu espaço.
Que entrem aqui e que me roubem tudo.
Que me roubem a vida, que me roubem o mundo.

O que eu perco?
Cães não ladram por nada.
Que interminável estrada...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

"Prendia o choro e aguava o bom do amor."

Queria não cortejá-la, mas me é inevitável.
Queria não tentar olhá-la nos olhos ou desejar correr os dedos entre teus cabelos bagunçados pelo vento do fim de tarde e prendê-los detrás das tuas orelhas. É que venta muito e o vento ri de nós.
Queria não tocar sem querer a tua mão e querer segurá-la o resto da tarde.
Queria não contar o tempo esperando o tempo chegar.
Queria não pesar tanto.
Queria não ser um risco.
Queria ter certeza.
Queria não ter visto tuas lágrimas tão depressa.
Queria te fazer rir mais do que sou capaz.
Queria não ter mais esse cubo de gelo preso na garganta.
Queria não ser tão dramático.

Eu te trago flores todo entardecer.
Segura minha mão só essa noite.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Não sei por que é assim. Parecer estar caminhando sob essa neblina densa que esconde meus passos. Essa vida confusa com séries de desventuras e inversões. Onde se encontra alguém como tu gostarias de ter conhecido aos 16, mas hoje lhe é repulsivo. Onde se encontra outro alguém que é exatamente como tu gostarias de ter agora, mas esse alguém não pode ser seu. Mas os olhos não mentem. Não, não mentem nunca.

Sou um jovem velho.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Bocage riria.

Tentei me pintar um autorretrato e só consegui desenhar o que havia por dentro.
Desculpe-me Bocage se o acabei imitando em tudo, trocando apenas as características,
é que eu não sou bom com rimas, e meu forte nunca foi o verso.
Rimei, rimei, e não falei nada com nada.

Até de poesia estou mal-servido.
Enterrem-me.

Moi [2].

Um dia você acorda e percebe que tudo o que é é insatisfatório; vago, malfeito, mórbido e insuficiente.
Um livro rasgado, manchado de café ou perfume; uma poesia incompleta sempre em prosa. Um olhar ignorado, um cabelo desgrenhado e um rosto manchado pelo tempo e pelo pecado. Amaldiçoado, cômico, lacônico. Cabisbaixo, sem futuro, sem dinheiro. Pulmões negros e alma que se redesenha, sem nunca ter uma definição, sem nunca escolher um lado. Bifurcado e ignorável.

É tão fácil escrever sobre si mesmo, só dando sinônimos pras mesmas bobagens.
Só definindo a palavra "infeliz" em várias orações.