Eu digo que o mundo está escuro, mas não seria eu a estar de olhos fechados?
Eu digo que as pessoas estão distantes, mas não estaria eu, na verdade, me escondendo?
Eu digo que o tempo anda quente demais, mas não estaria eu, na verdade, abafado dentro de minha própria fortaleza de desgostos?
Ou está mesmo escuro, distante e desagradavelmente quente? Pois quando tento andar à luz do dia me defronto com figuras comuns ao resto do mundo, mas estranhamente repulsivas para mim. Vomitando e escarrando suas futilidades costumeiras, seu vocabulário pobre, seus absurdos diários. E eu as corrijo mentalmente, e eu esboço minha opinião - a verdadeira - mentalmente, cuspo sobre seus rostos desfigurados pela incompetência e dou-lhes as costas. Quando, por fora, sorrio e finjo concordar. Só pra poder me afastar o mais depressa possível. Só para poder voltar à minha zona de conforto, onde, longe de todas, posso selecionar as poucas almas que desfrutam de alguma semelhança com a minha. Onde estou distante o suficiente para atirar com um rifle imaginário em cada vivente que cruza meu campo de visão ostentando sua falta de conteúdo, pois sim, a ignorância é também a aparência física.
E na verdade, felizes são os fúteis.
Sorria e acene.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Der Trauma.
Não suporto mais a juventude e sua forma hipócrita, cínica de sutileza. Sempre vomitando sua própria falta de conteúdo buscando a aceitação própria e de uma sociedade tão fútil quanto pobre. Falta de valorização, falta de amor-próprio. E aqueles que vivem buscando pessoas cheias acabam se perdendo dentro da própria solidão, pois como dizem: "o problema em estar um passo à frente, é que caminharemos sozinhos". Não há lugar para gente como eu. Sinto-me preso numa rede de mentiras, sutilezas, sujeira, algo inerte, sob uma camada densa de melodrama barato, melancolia incurável e solidão que de tanto, ecoa. Eles não saem do lugar. Não evoluem. Todos iguais. Todos presos e condenados.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Eu venho de um lugar onde amantes continuavam amantes.
Houve um tempo em que até as dores faziam sentido; sentíamos prazer através de nossas próprias dúvidas e discussões, e aquilo era amor. As tardes vinham e iam cinzas, e eu achava aquilo o máximo. Tardes de chuva, noites de frio, manhãs cinzentas, e eu pensava em ti. Eu pensava na neve que nunca viria. Pensava em como chegar contigo até a neve.
Houve um tempo em que tudo fazia sentido e havia sentido pensar em tudo. Ouvir o ruído da porta abrindo, imaginar tua presença invadindo meu espaço, visualizar teu semblante se aproximando na penumbra, sentir teu corpo coladinho com o meu. Acordar com pena dos vizinhos que acordamos.
Tudo tão subjetivo. Sempre fui/fomos tão subjetivo/s.
Houve um tempo em que ser infeliz trazia felicidade, mas só nós dois poderíamos explicar essa sensação.
Então chegou o hoje, e o hoje não foi mais embora.
É hoje até hoje, e não choveu mais.
Houve um tempo em que tudo fazia sentido e havia sentido pensar em tudo. Ouvir o ruído da porta abrindo, imaginar tua presença invadindo meu espaço, visualizar teu semblante se aproximando na penumbra, sentir teu corpo coladinho com o meu. Acordar com pena dos vizinhos que acordamos.
Tudo tão subjetivo. Sempre fui/fomos tão subjetivo/s.
Houve um tempo em que ser infeliz trazia felicidade, mas só nós dois poderíamos explicar essa sensação.
Então chegou o hoje, e o hoje não foi mais embora.
É hoje até hoje, e não choveu mais.
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