quarta-feira, 16 de março de 2016

Hino aos Coalas.

Como ousas vir a mim sem ao menos pedir licença? Entrar invadir pilhar e dominar todo o espaço, pintar as tuas cores pelos móveis e espalhar o teu sangue e suprimir minhas dores, as dores que eu cultivava com tanto apego.
E sem pregar o apego me apeguei à tua presença, como numa Síndrome de Estocolmo, apaixonei-me por minha algoz, entregando-me assim à guilhotina que me cativou num vislumbre, e que sem direito de copiar a Exupery, mas parafraseando-o, se ela vem, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz.
E sou, antes tão pobre, hoje o maior dos homens.
Ah, que rico é o coração de quem ama!
Que nobre é a alma de quem tem sede de viver sem receio de morrer. E até na morte te abraço, refém da sobre-vida com que punes minha antiga sede por partir - com ti não morro, renasço a cada escolha.

(Para Juliana.)

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