quarta-feira, 16 de março de 2016

Hino aos Coalas.

Como ousas vir a mim sem ao menos pedir licença? Entrar invadir pilhar e dominar todo o espaço, pintar as tuas cores pelos móveis e espalhar o teu sangue e suprimir minhas dores, as dores que eu cultivava com tanto apego.
E sem pregar o apego me apeguei à tua presença, como numa Síndrome de Estocolmo, apaixonei-me por minha algoz, entregando-me assim à guilhotina que me cativou num vislumbre, e que sem direito de copiar a Exupery, mas parafraseando-o, se ela vem, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz.
E sou, antes tão pobre, hoje o maior dos homens.
Ah, que rico é o coração de quem ama!
Que nobre é a alma de quem tem sede de viver sem receio de morrer. E até na morte te abraço, refém da sobre-vida com que punes minha antiga sede por partir - com ti não morro, renasço a cada escolha.

(Para Juliana.)

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Liberdade!
            Ah, a liberdade!
    Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. A liberdade alimentada pelo sonho humano é aquela onde todos, além de livres, possuem direitos. E a liberdade sem direitos... é a liberdade do mais forte de se alimentar, impondo-se sobre o direito do mais fraco de sobreviver!


(Cecília Meireles.)

Eu te amo.

Se ele partisse, que seria de mim, pobre sem nenhum caráter como Macunaíma, incapaz de me encontrar sozinho nessa terra de sombras que é o mundo? Pois dele herdei os gostos da cultura das letras e películas, e sem ele seria mais um desalmado perdido pelas ondas do vazio existencial. Com ele conheci do King ao Kubrick, do preto ao branco e do bom ao mau gosto.
Então que egoísta ele é, enforcando-se assim de mim sem nem me deixar pistas do que sentia, sem nem me avisar da dor que o seguia, sem nem mesmo sussurrar pra mim qualquer pedido de socorro, enquanto eu julgava-o tanto melhor, da última vez em que o vi. Enquanto eu acreditava que ele se recuperava dos males que o seguem sem deixar descanso.

Dizem que a má sorte persegue os grandes, mas nem sempre persegue só os que aguentam. Então desejo que aguente.
Sem ele me sinto pouco.
Por isso desejo que volte.

Tem mais pra ti nesse mundo escuro, irmão. Fica mais um tempo que eu divido um fumo contigo.
Tu aguenta.
Vai, por favor, aguenta.
(Para Marlon.)