domingo, 14 de fevereiro de 2016

Age Lossless (2).

Essas canções, conversas internas e externas, essas melodias que se repetem num loop infinito, essa voz duplicada e esses dejá vus, são todas o tempo me engolindo; já nem concordo em número, gênero e graus. O tempo está me engolindo. Está engolindo a todos.
O sangue é denso, mas liquidificado entre a saliva dele, eu vejo a saliva dele escorrer, vermelha e crua, o tempo a engolindo também. O tempo engolindo a saliva ensanguentada dele há mais de vinte anos, e a canção se atropela e se repete, ecoa. Ele cospe sangue, e eu não sei como ajudá-lo. Meu Deus, ele cospiu sangue e vomitou a própria essência, e eu o encarava, estático.
E estamos perdidos em alguma sala escura em 1997 ou antes, e o barulho lá fora assusta.
Está tudo na cabeça?
"Tá tudo na tua cabeça."
"Então por que tu tá cuspindo sangue?"
É o jazz, Windows 95, reverb e aqueles filmes esquisitos que passavam de madrugada. O chão xadrez da cozinha e toda a vida que viria antes de sermos consumidos por essa loucura que te veste de verde e me veste de preto. Até tu encontrar alguém pra consumir e eu encontrar alguém pra me salvar.

Não é tristeza, é nostalgia.


(À parte: vem cá e me liberta.)


[ouvir ao som de: https://www.youtube.com/watch?v=YcsYSJwewWk]

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