Sem que eu pedisse ou ao menos expressasse o quanto era importante, o quanto eu queria que aplaudisse, e ela aplaudiu.
O filme foi uma aula, um momento de aprendizado, mas não o aprendizado que eu julgava: não em termos de eu ensinar para ela o que é um bom filme, ou impor sobre ela o meu gosto sobre a arte - já se foi esse tempo egoísta em que apenas o que eu gostava era relevante.
O filme foi uma aula sobre nós dois.
Em silêncio, saboreando os sabores clássicos do cinema, o gosto que compartilhávamos por pipoca doce e Coca-Cola enquanto sentávamos nas poltronas do Templo Sagrado do Cinema; ela com a cabeça deitada sobre meu ombro, o coração pulsando enquanto segurava minha mão. Ela era feliz porque estava comigo, e era feliz porque via um filme que já importava pra ela. E eu era feliz pelos mesmos motivos. Star Wars, a aventura estelar que embalou parte de minha infância e toda a minha adolescência, importava pra ela; que outro lugar senão o Templo para se emocionar e, diante da emoção, sentir e compartilhar do interior de alguém?
Ao longo das duas horas de filme ela se importou, ela questionou, ela se interessou e saboreou uma história que se passa há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Ela sorria e se assustava, se empolgava e se preocupava com o rumo de cada personagem, sabendo que, apesar de fictícios, eles são o reflexo de cada intenção e de cada sonho de cada um de nós.
E no final de duas horas, quando o filme cessou e eu, sentado numa fileira de dezenas de fãs, eu que sabia que haveriam os tão saborosos aplausos, desejava secretamente que minha princesa se juntasse a nós; ambicionava em silêncio, sem esboçar uma expressão que condissesse à minha expectativa, sem formular uma palavra que suplicasse, um gesto que denunciasse.
E mesmo que eu nada fizesse, quando explodiram os aplausos dos fãs a meu lado e de alguns atrás de mim, e quando eu mesmo aplaudi...
...ela aplaudiu.
E a amei desde então.
O cinema une almas.

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