O "humor", assim definido, tem servido de canalizador de ofensas e ódios reprimidos, opiniões preconceituosas que normalmente, sem uma máscara de riso, não poderiam ser expostas. Eu estou, honestamente, cansado desse humor, compreendendo o cansaço precoce de um velho amigo diante dessa postura de humilhação. O humor escárnio, humor sangue, humor furor, humor cansado. Que desgasta.
A vida adulta é assim? É rir, humilhar e escarnecer de alguém valendo-se do artifício do bom-humor para que não hajam represálias? Afinal, você "tem que saber brincar se quiser fazer parte do clube". A crítica ao riso é construtiva quando digo que machucar alguém pra valer o riso é na verdade destrutivo, e a velha premissa de que "perder o amigo vale não perder a piada" demonstra uma evidente falha de caráter. Quem diz isso perderia o amigo pra não perder a piada. Quem diz isso já perdeu um amigo sem perder a piada.
O "humor", assim definido, deveria ser um mecanismo de escape emocional sem precisar machucar ninguém.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Por Ian, por Dean, pela chuva e pelo inverno.
* Enquanto essa foto existir;
* Enquanto Morrissey vestir Ian Curtis;
* Enquanto Meat is Murder vestir Unknown Pleasures;
* Enquanto How Soon is Now? vestir Disorder;
* Enquanto o claro se misturar com o escuro;
* Enquanto houver inverno, chuva e árvores nuas;
* Enquanto houver hálito condensado;
* Enquanto houverem sobretudos e chapéus;
* Enquanto ele me fizer chorar de amor;
* Enquanto o rock inglês me fizer chorar de amor;
* Enquanto Os Smiths, Joy Division, The Cure, James Dean e tantos outros me fizerem chorar de amor...
eu serei lembrado.
nem que seja por mim mesmo.
como uma coisa bonita que existiu.
Obrigado ao rock inglês, nessa bela madrugada de janeiro, por ser tão belo dentro e fora do meu coração que transborda.
a arte faz sentido porque tudo isso existiu. Obrigado.
Quão cedo é agora?
"Você pensa que a viu nua apenas porque ela tirou a roupa? Conte-me sobre o que fere o coração dela. Sobre o que ela é apaixonada e o que faz ela chorar? Conte-me sobre a infância dela. Melhor ainda, conte-me uma história sobre ela na qual você não esteja presente.
Você viu a pele dela, tocou no corpo dela. Mas você continua sabendo sobre ela o mesmo que sabe sobre o livro dela que encontrou outro dia, mas nunca chegou a abrir."
Sexo não é a causa.
Sexo é consequência da causa.
A causa é amor.
Gostaria de ter entendido mais cedo.
Mas às vezes a gente precisa de mais que minutos universais pra entender.
/Danke.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Ela aplaudiu.
Sem que eu pedisse ou ao menos expressasse o quanto era importante, o quanto eu queria que aplaudisse, e ela aplaudiu.
O filme foi uma aula, um momento de aprendizado, mas não o aprendizado que eu julgava: não em termos de eu ensinar para ela o que é um bom filme, ou impor sobre ela o meu gosto sobre a arte - já se foi esse tempo egoísta em que apenas o que eu gostava era relevante.
O filme foi uma aula sobre nós dois.
Em silêncio, saboreando os sabores clássicos do cinema, o gosto que compartilhávamos por pipoca doce e Coca-Cola enquanto sentávamos nas poltronas do Templo Sagrado do Cinema; ela com a cabeça deitada sobre meu ombro, o coração pulsando enquanto segurava minha mão. Ela era feliz porque estava comigo, e era feliz porque via um filme que já importava pra ela. E eu era feliz pelos mesmos motivos. Star Wars, a aventura estelar que embalou parte de minha infância e toda a minha adolescência, importava pra ela; que outro lugar senão o Templo para se emocionar e, diante da emoção, sentir e compartilhar do interior de alguém?
Ao longo das duas horas de filme ela se importou, ela questionou, ela se interessou e saboreou uma história que se passa há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Ela sorria e se assustava, se empolgava e se preocupava com o rumo de cada personagem, sabendo que, apesar de fictícios, eles são o reflexo de cada intenção e de cada sonho de cada um de nós.
E no final de duas horas, quando o filme cessou e eu, sentado numa fileira de dezenas de fãs, eu que sabia que haveriam os tão saborosos aplausos, desejava secretamente que minha princesa se juntasse a nós; ambicionava em silêncio, sem esboçar uma expressão que condissesse à minha expectativa, sem formular uma palavra que suplicasse, um gesto que denunciasse.
E mesmo que eu nada fizesse, quando explodiram os aplausos dos fãs a meu lado e de alguns atrás de mim, e quando eu mesmo aplaudi...
...ela aplaudiu.
E a amei desde então.
O cinema une almas.
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