segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012.

Vem chegando o fim.
O fim.
O fim de muitas amarguras, agonia e melancolia; um tempo de raiva crescente e problemas constantes. Tempo de fins não justificando meios. Meios sem fins apropriados. Começos sem continuação. E quando tudo parecia estar no limite, surpreendia-me vendo tudo ficar pior.
O ano da construção de estruturas.
O ano do congelamento da alma.
O ano escuro e mal escrito.
O pior ano de minha vida.
O ano que acaba hoje.


Uma leve tontura, alguns devaneios e um pouco de saudade.
Poucos sorrisos, muitos rompimentos, mas um cubo [3] proporcional de amizade.
Um tempo corrupto, sujo, cego e sem piedade.
Um tempo que só serviu pra alimentar o que é maldade.
Está chegando o fim do ciclo da amargura. Pelo menos parte dele.
Nostalgia do pouco que foi feliz, alívio pelo grande peso da agonia que escorre pelo ralo.
Só mais um número num calendário.
Só mais sede de mudança.
E o tempo lava com chuva todo o cinza e o pranto acumulado de 2012, o ano das crenças cegas e da fé maldita. Não, não poderia ser diferente. A chuva veio mesmo pra lavar, e o vento vem trazendo o que já existia desde antes: esperança.


E é com muito gosto, esperança (talvez por um ano diferente) e cansaço que digo: Adeus.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Helter Skelter não é uma âncora.
Adivinhe o que sou?
Helter Skelter, por favor.

Fate.

Viver depressa, morrer lentamente.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Grab.

- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.
No que os céus não deixaram de ser escuros e no que a dor que lancinava-me o peito não lançou mão de existir, percebi que não havia sido atendido, e que talvez nada existisse lá em cima para atender-me. Meu estado permanente de caos interior - sendo o caos, então, meu substantivo favorito - era intrínseco, como a dor que sempre sentiria. Que sempre senti.
Pelos céus, e a saudade! A saudade infinita também de coisas que nem mesmo havia vivido. Então desejei morrer, o desejei todos os malditos dias de minha vida. De minha assumindo o papel de câncer. Hóspede de um corpo que, não fosse a alma que o habita - eu - bem teria chances de ser luz.
- Piedade! - insisti.
E entendi que talvez existisse algo maior, e talvez houvesse um mestre dos fantoches. E ele caçoava de mim. Talvez haja um significado maior e divino nesse maldito teatro de fantoches chamado vida: dar a uns o prazer e a outros a agonia para o bel-prazer de uma entidade maior que a tudo contempla com olhos zombeteiros. Ora, não há o herói e o vilão em todo romance? Sim, entendi que tudo existe, e tudo pisa-me a alma, e talvez nem todos os vilões sejam responsáveis pela tragédia.
Oh, agonia, ligada a mim como o sangue é ligado à carne, malditos os dias em que ainda respiro.
- Piedade! - bradei aos céus numa súplica.