Estacione o carro ao lado da estrada
Você deveria saber
A maré do tempo vai te sufocar
E eu vou também
Quando você ri de pessoas
Que se sentem tão sozinhas
Que o seu único desejo é morrer
Bem, eu receio
Que isso não me faça sorrir
Eu gostaria de poder rir
Mas esta piada não tem mais graça
É muito familiar
E é muito doloroso
É muito familiar
E é muito doloroso
Mais do que você jamais vai saber
(Chute-os quando eles caírem
Chute-os quando eles caírem
Por que você deve
Chute-os quando eles caírem
Chute-os quando eles caírem)
Estava escuro quando eu dirigia para casa
E em bancos frios de couro
Bem, de repente eu percebi:
Talvez eu possa morrer
Com um sorriso no meu rosto no final das contas
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
E agora está acontecendo na minha.
The Smiths
terça-feira, 30 de outubro de 2012
domingo, 28 de outubro de 2012
Toda a vida de dor de um homem.
Vida triste, vida seca, vida imprópria, vida pura, pura vida.
Vida longa, vida curta, vida morta, vida vã, desmerecida.
Vida quente, vida fria, vida moderna, vida velha, vida incompleta.
Vida fraca, vida doentia, vida falha, vida inútil, vida sem rima.
Tudo é vida, vida é nada. Vida queima. Vida suga. Vida dá
mas vida tira. Vida é nada além de toda a dor que se sente.
Vida é dona, vida é escrava. Vida esvanece. Vida muda. Vida má
me tem na mira. Vida é a devoradora lenta de uma alma inconsequente.
Não quero permanecer nessa vida vazia e quieta.
Prefiro ser levado depressa, o quanto antes,
a passar-me pela dor de um homem sem meta.
A vida te usa, te rasga, brinca com a tua sorte,
e no final te oferece vivo numa bandeja de prata,
amarrado e sem escolha, à morte.
Vida longa, vida curta, vida morta, vida vã, desmerecida.
Vida quente, vida fria, vida moderna, vida velha, vida incompleta.
Vida fraca, vida doentia, vida falha, vida inútil, vida sem rima.
Tudo é vida, vida é nada. Vida queima. Vida suga. Vida dá
mas vida tira. Vida é nada além de toda a dor que se sente.
Vida é dona, vida é escrava. Vida esvanece. Vida muda. Vida má
me tem na mira. Vida é a devoradora lenta de uma alma inconsequente.
Não quero permanecer nessa vida vazia e quieta.
Prefiro ser levado depressa, o quanto antes,
a passar-me pela dor de um homem sem meta.
A vida te usa, te rasga, brinca com a tua sorte,
e no final te oferece vivo numa bandeja de prata,
amarrado e sem escolha, à morte.
sábado, 27 de outubro de 2012
Versos Íntimos.
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
Quadrilha.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes,
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes,
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Ego.
Olhe para o espelho e mire a única pessoa que jamais irá decepcioná-lo, e nunca o quererá mal.
Apenas nela confie, apenas nela deposite forças, apenas por ela morra. Teus segredos são dela também.
Ame-a, que ela te amará também. Dê tudo a ela, e ela retribuirá. Sem essa de fé cega e falsas sensações
de amizade. Amigos conte nos dedos, confie mas não tudo. Dá tua vida por 2 ou 3, quem sabe.
Mas tudo que não vem do espelho são incertezas, verdades duvidosas.
Mas quando vem do espelho, é certo. É fato. É tu por ti.
Apenas nela confie, apenas nela deposite forças, apenas por ela morra. Teus segredos são dela também.
Ame-a, que ela te amará também. Dê tudo a ela, e ela retribuirá. Sem essa de fé cega e falsas sensações
de amizade. Amigos conte nos dedos, confie mas não tudo. Dá tua vida por 2 ou 3, quem sabe.
Mas tudo que não vem do espelho são incertezas, verdades duvidosas.
Mas quando vem do espelho, é certo. É fato. É tu por ti.
sábado, 20 de outubro de 2012
Helter Skelter. [âncora]
VI - Penumbra.
IV - Grito esganiçado, vazio, total ausência de cores e sons. A voz que se perde no infinito. Gritar pra dentro. Falta de esperança, escuro, dor. Fingimento. Vômito. Correr pra um cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, engolir o próprio vômito. Correr pra rua, respirar, mirar o céu infinito da noite e se sentir em casa. Fuga. Desistir.
II - Não tão longe. Acordo quando sinto sono. Acordo quando durmo, e vivo de verdade. É quando acordado que as coisas fogem do controle. Assistindo as estrelas desaparecerem e o céu mudar de cor, aí sinto sono. Sentindo o ar frio, algumas nuvens ou nenhuma nuvem. A boca amarga e ressecada, um telhado vazio, aí sinto sono. Acordado, não tenho mais pra onde fugir.
V - A única saída. Fraco, patético, sem rumo e sofrendo de ânsias. Vomitar sobre o rosto falso de cada um deles. O infinito é igual a zero. Dois, talvez três, tem um como resposta. Números por toda a parte. Números que impedem um sorriso de aflorar com sinceridade. Total ausência de cores e sons.
III - Acordado me convidam para lugares. Sei que se sair daqui terei de ver pessoas, dizer coisas, fazer coisas, sentir coisas. Pra onde correr? Pra onde correr?
I - Não sou nada, não sou ninguém, não sou feliz nem procuro fazer o bem. Se isso fosse rimado propositalmente eu teria algum brilho, mas tudo o que faço é por engano. É tudo um grande engano. Não uso estruturas, não as conheço tão bem. Só fujo, e nessa fuga, nunca encontro nada. E fujo pra longe.
IV - Grito esganiçado, vazio, total ausência de cores e sons. A voz que se perde no infinito. Gritar pra dentro. Falta de esperança, escuro, dor. Fingimento. Vômito. Correr pra um cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, sentir náuseas. Correr pra outro cômodo, engolir o próprio vômito. Correr pra rua, respirar, mirar o céu infinito da noite e se sentir em casa. Fuga. Desistir.
II - Não tão longe. Acordo quando sinto sono. Acordo quando durmo, e vivo de verdade. É quando acordado que as coisas fogem do controle. Assistindo as estrelas desaparecerem e o céu mudar de cor, aí sinto sono. Sentindo o ar frio, algumas nuvens ou nenhuma nuvem. A boca amarga e ressecada, um telhado vazio, aí sinto sono. Acordado, não tenho mais pra onde fugir.
V - A única saída. Fraco, patético, sem rumo e sofrendo de ânsias. Vomitar sobre o rosto falso de cada um deles. O infinito é igual a zero. Dois, talvez três, tem um como resposta. Números por toda a parte. Números que impedem um sorriso de aflorar com sinceridade. Total ausência de cores e sons.
III - Acordado me convidam para lugares. Sei que se sair daqui terei de ver pessoas, dizer coisas, fazer coisas, sentir coisas. Pra onde correr? Pra onde correr?
I - Não sou nada, não sou ninguém, não sou feliz nem procuro fazer o bem. Se isso fosse rimado propositalmente eu teria algum brilho, mas tudo o que faço é por engano. É tudo um grande engano. Não uso estruturas, não as conheço tão bem. Só fujo, e nessa fuga, nunca encontro nada. E fujo pra longe.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Pneumotórax.
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
- O senhor tem uma escavação no pulmão
[esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
- O senhor tem uma escavação no pulmão
[esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira
Psicologia de um vencido.
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do Zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do Zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Ich habe alles verloren.
Perco rimas, não perco o ódio. Perco o brilho, me torno fosco. Sou a penumbra. Sou a nuvem. Sou a melancolia. Sou a infinita dor, o riso finito, o riso breve e mal-intencionado. Sou o brio. Perco pessoas, não perco a chance de celebrar comigo mesmo o réquiem. Perco o sono, esse já nem faz falta. Perco estruturas. Sou um aeroporto sem telhado. Sou um museu sem paredes. Sem funcionários. Um aeroporto fechado, só consumido pela pressão da despedida. Um museu que acumula artigos. Ninguém que cuide deles. Sou as pegadas da areia, cobertas pelo mar. Perco os limites, perco a noção. Perco-me dentro de minha própria imensidão. Perco-me, perco o coração. Tudo que era belo se transformou em solidão. Perco tudo. Sou nada. Sou vazio, e isso me convém. Nada tenho. Nada perco. Nada é tudo. Tudo é pra sempre.
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