sexta-feira, 29 de junho de 2012

Die Währung.


Eu vejo toda a beleza e pureza de cada gesto de amor partido dela que me enterneciam - e enternecem - o coração. Sinto a ingenuidade daquele seu lado límpido e cheio de amor que sei que só eu sabia despertar. E é por esse lado cheio de beleza amor e ternura que meu coração sangra de saudade, alimenta lembranças e ainda faz planos.
Então lembro do lado da alma escura e corrupta que tanto repudio, e que engole toda a beleza da outra face da moeda. Um lado sujo, despreocupado e sem futuro. Um lado pelo qual tenho absoluta aversão.
E todo o meu amor, e planos, e saudade e memórias se escorrem como de uma ferida aberta.

Vejo-a suja e aversiva em meio a rostos e gestos bárbaros que aprendi a odiar, e que seu lado belo - que só ousa mostrar em minha presença - jamais se sujeitaria a envolver-se.
E me pergunto, nessas oras, onde é que sua beleza se esconde senão no retrato de mim que tem guardado dentro do peito? Pois o medo fraco de amar a tornara numa casca vazia da fruta pútrida, que não atrai mais nada além de mais solidão e ausência de amor. Ela é um produto da própria falta de ousadia.
Mas da ousadia bela.
Que ousasse amar, que ousasse prolongar, que ousasse sentir, que ousasse intensificar, que ousasse prometer!
Mas só ousa errar. Só ousa ter medo.
Sinto pena da alma que deixa partir o único semelhante que, em verdade, lhe daria tudo.
E lhe sobra a solidão, que julga torná-la forte mas só a esvazia. Sua chama não se apaga, mas a alma está tão fria.

E o amor continua ali, preso e intocado num frasco lacrado que só poderia ser aberto por duas almas que ousassem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Der Tod.


Tentei tanto e tantas vezes acreditar na beleza das coisas. Tentei com meus amargurados olhos escuros observar a ternura invisível que se espreitava por entre mentiras. Tentei viver a ilusão da felicidade com o que sobrava de tenro em meu rijo coração. Nada. As flores nasciam murchas, o solo não era mais fértil, o tempo era sempre cinza e as frutas despencavam corruptas, apodrecidas, do topo das árvores secas. Nada era belo. Nada era luz. Nada era quente e acolhedor e puro e cativante aos olhos. Era tudo uma vil caricatura daquilo que outrora fora um sonho e nada mais que um sonho. E como fosse natural, meus olhos que já haviam perdido há muito o brilho, esqueceram-se da graça da luz. Não encontraram olhos iguais para gostos iguais, nem silêncio que casasse com o seu.
            E aos poucos toda aquela ilusão de terna vida foi sendo esquecida, calada, enterrada e perdida no tempo. Nada mais que um sonho. Nada mais que uma ilusão. Nada mais que mais nada.