Está lá fora, no gelo. No frio do inverno mais rigoroso.
Está guardado numa caixa, uma caixa de madeira,
sem proteção nenhuma; não que precise, é forte.
Está longe da vista de qualquer um, por isso continua
lá depois de tanto tempo, e nem se importa mais de
estar assim. Talvez, de certa forma incompreendida,
até prefira estar assim. Talvez conformado, talvez
louco.
Não espera por mais nada. Não esperava, pelo menos.
É meu coração, cheio de furos e más lembranças, encontrado
pelo teu, tão ferido, se não mais. Ambos no inverno, ambos
debaixo da neve, ambos carregados, e cegos um pelo outro.
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