segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nunca foi paranoia.
Sempre foi razão.
Nunca fez sentido.
Sempre foi só ilusão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

me falta o quê?

- Se tudo é tão perfeito, por que você reclama?
- Me falta coisa.
- Te falta amor?
- Isso tenho de sobra.
- Ah é? Então me dá um pouco hahaha.
- Não posso.
- Por quê?
- O amor que eu tenho pra dar não é o amor que
tu precisa receber. O buraco no meu peito não combina
com o teu, só isso.
- Isso já tá ficando chato demais!
- Eu sou chato demais.
- Você é mesmo, rsrs.
- E tu? Tu tá feliz?
- Na medida do possível, hahaha.
- Não te falta nada?
- Me falta você.
- Não vamos começar.
- Já acabamos né?
- Nunca começamos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Está lá fora, no gelo. No frio do inverno mais rigoroso.
Está guardado numa caixa, uma caixa de madeira,
sem proteção nenhuma; não que precise, é forte.
Está longe da vista de qualquer um, por isso continua
lá depois de tanto tempo, e nem se importa mais de
estar assim. Talvez, de certa forma incompreendida,
até prefira estar assim. Talvez conformado, talvez
louco.
Não espera por mais nada. Não esperava, pelo menos.
É meu coração, cheio de furos e más lembranças, encontrado
pelo teu, tão ferido, se não mais. Ambos no inverno, ambos
debaixo da neve, ambos carregados, e cegos um pelo outro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

monocromático

- Tu mudou.
- Mudei? Mudei como, e quanto?
- Mudou pra pior, e muito.
- Pra pior? Acho que isso depende.
- Depende? Depende de quê?
- Depende do teu ponto de vista, e do teu gosto.
- Eu gostava de ti simpático, e atencioso.
- Não posso fazer isso por ti, e não vamos tocar
nesse assunto de novo.
- Por quê? Por causa da...
- Não posso fazer isso por ti, e não vamos tocar
nesse assunto de novo, porra!
- Tá, desculpa.
- Desculpo.
- Mas então, como é largar tua vida por causa de
alguém? Fico curiosa.
- Eu não larguei minha vida. Eu comecei minha vida.
- Ai que lindo, seria lindo se não viesse de ti.
- E qual é o meu problema?
- Tu é monocromático.
- Começou a falar difícil também agora?
- Sempre disse que tu era monocromático.
- Melhor do que ser hippie, que nem tu, que vive tentando
salvar a merda do mundo. Eu sempre disse "foda-se" pro
mundo, tentando entender em seguida o que tu gostava em mim.
- Vai ver era isso. Tua coragem em odiar quase tudo. Em viver
desse jeito egoísta. Vai ver sempre gostei do fato de tu não sorrir.
- Eu sorrio agora.
- Percebi, na tua foto. Ela ta sendo boa pra ti, então? Ta fazendo
tudo o que tu sempre sonhou?
- Nem tão boa, e nem tudo. Mas é o que eu preciso. Preciso ser eu
quando to com ela, e ter ela quando ta comigo.
- Não precisamos falar dela.
- Foi tu quem começou.
- Falei do teu sorriso. Não sorria nem quando se encontrava comigo.
- É. É né?
- É. E isso me deixa triste, de verdade.
- Então me esquece. Não foi o que tu disse da última vez, antes
de voltar a me ligar? Que eu era egoísta, que eu era uma pessoa horrível
e que ia me esquecer e etc.?
- Quase consegui.
- Então continua tentando. Foda-se o mundo, foda-se tu e foda-se tudo.
Isso ajuda a me odiar?
- Não.
- Fodam-se tuas dores e foda-se tua felicidade. E agora?
- Não.
- Foda-se o que tu sente por mim. E agora?

[...]

- Ainda ta aí?
- Sim.
- Que droga. Mas tu vai conseguir, tu vai achar alguém que te faça bem,
alguém que talvez não sorria também, e que também não ta nem aí pro
planeta. Que não vá entrar contigo no Greenpeace ou que faça passeatas
e essa besteira toda. Ou talvez alguém que faça tudo isso, e eu só desejo
boa-sorte, porque eu não vou ser esse alguém.
- Ela é uma garota de sorte.
- Por quê?
- Porque tu é sincero. Dolorosamente sincero, e é disso que o mundo
precisa, tu queira ou não. E de tão sincero, nunca disse que me amava,
e de tão sincero, só pode ser verdade quando diz pra ela.
- É verdade.
- Eu sei, tu é. Milagre não ter dito "eu preciso ir" ainda.
- Não preciso, ainda.
- Por quanto tempo tu ainda vai me torturar?
- Pelo tempo em que tu persistir em tentar ficar comigo.
- Não vai me torturar pra sempre, então.
- Eu amo ela. E só ela.
- O que tu viu nela?
- Não sei, o que tu viu em mim?

Espinho e cicatriz.