Dia 11 de janeiro de 2011, século XXI d.C.
são 7:09 da manhã, fazem 20° em Porto Alegre.
Alguma coisa me acordou, não sei o que. Não sei
o que me trouxe até aqui ou o que me tirou de
lá. Não sei no que estava pensando quando me
sentei sobre minha "cama" (tecnicamente, essa
noite foi um sofá) e levei as mãos até o rosto, ten-
tando acordar. Mas acordou, e senti uma raiva
fundida a uma limpeza da mente, como sempre
que consigo acordar cedo assim. Digo cedo, porque
durmo tarde. Porque só à noite consigo pensar
com mais clareza. Elaborar formas de ver as coisas
com mais exatidão. Ler com mais atenção. Porque
é quando todas as bocas se calam, todos os olhos se
fecham e todas as mentes descansam. É quando
estou
finalmente sozinho pra pensar no que eu
quiser.
No momento penso numa pessoa em especial. Não
interessa a você, caro leitor curioso, mas é especial
para mim. Até os mais grosseiros, estúpidos e arro-
gantes têm sentimentos. Qualquer idiota sabe disso.
Acho que me perdi de novo. Acho que perdi o controle
mais uma vez, como aconteceu antes. Odeio perder
o controle. Odeio esquecer do importante. Odeio
sentir
medo. Mas deixe
esse medo pra lá, e vamos
falar um pouco do medo.
Medo, ou algo próximo, foi o que senti domingo. Você
já assistiu a algum filme que o assustou, realmente?
Pois é, isso me passou pela cabeça. Algo que me pren-
deu com imagens reais e bem perturbadoras. Um
filme que não precisou de uma super produção e um
investimento histórico pra me fazer olhar várias vezes
para a janela antes de conseguir pegar no sono, e me
certificar duas vezes, instintivamente, de que meus pés
estavam completamente cobertos. Como disse o
mestreKing certa vez, "se uma mão fria sair de sob a cama e
agarrar meu tornozelo, sou capaz de gritar. Sim, sou capaz
de gritar a ponto de acordar os mortos". Assim como ele,
escrevo horror, assim como ele, tenho certa resistência
pra esse tipo de coisa, e sempre fui um dos primeiros do
meu grupo, quando criança, a me candidatar a enfrentar o
que quer que estivesse no meio daquele mato à espreita.
O que quer que nos observasse daquele escuro. O que quer
que estivesse sussurrando, eu sempre o enfrentei. E falo
como alguém que já sentiu a morte de perto, que já viu o
próprio sangue em abundância escorrendo pelo braço, que
já abriu a porta do quarto dos pais e viu a mãe ali, com pulsos
cortados e inconsciente. Suicídio alheio não é uma experiência
nova pra mim, e o horror me alimenta de certa forma, mas,
não sei por que, aquele filme me assustou como nenhum
outro conseguiu.
Contatos Imediatos de 4° Grau foi algo
inédito pra mim, e se aquelas imagens não são reais e se aquelas
entrevistas foram forjadas, com certeza foi a maior produção
e os melhores atores que já vi na minha vida. Com certeza foi
a fraude do século se o caso for esse, e digo como um amante do
tema, que senti arrepios por um bom tempo depois que o filme
terminou. A janela aberta sorria pra mim, o céu escuro também.
Sinta medo. Sofra. Acorde. Sorria por ser apenas um pesadelo.
Truth