sábado, 16 de fevereiro de 2013

DeGramont & Milenka.

Escrevo porque preciso, não porque quero.
Escrevo por necessidade, não por capricho.
Escrevo pra mim mesmo, quando ninguém mais me suporta escutar.
Escrevo sobre mim, sobre nós, sobre ninguém em particular.
Sobre uma noite que pensei estar vazio.
Quando eu tinha cigarros mas não tinha fogo.
Quando eu via corpos mas nenhuma alma.
Escrevo sobre como me dói o peito todas as vezes que olho pro céu à noite. Sobre a dor. Escrevo sobre as gotas de chuva numa manhã fria de inverno. Sobre jaquetas e sobretudos, sobre botas e luvas. Lucky Strike e Marlboro. Morrissey e Curtis. Cazuza e Renato. Waters e Gilmour. Sobre como o outono me lembra os plátanos, e o inverno me lembra felicidade.
Escrevo sobre teus cabelos vermelhos. Sobre o sorriso que tu não tens, e sobre o quanto isso me encanta. Sobre o pouco caso que fazes de mim, e sobre o fato de eu saber que, no fundo, o que sinto é correspondido. Que tuas letras não mentem. Que a verdade transborda. Que o que é recíproco é nosso.
Escrevo às vezes só pra lembrar que existo. Só pra continuar existindo. Escrevo sobre partir, mas também sobre chegar.
Sobre nós dois, e sobre a França. Agora, nossa França.
Escrevo porque sou isso: letras estampadas, pregadas num pedaço de papel.